FISIOLOGIA E PREPARAÇÃO FÍSICA NO FUTEBOL

Por Breno Barbosa

Tenho certeza que um dia você já questionou sobre às condições físicas de algum atleta da sua equipe. Pensando nisso, convidei o fisiologista e preparador físico Marcel França, atualmente na equipe do Santo André, para tirar algumas dúvidas constantes e explicar um pouco mais sobre essa profissão que nem todos conhecem, mas é essencial para o desempenho dos jogadores de futebol.

MW: Quais são as obrigações do fisiologista?

Marcel: Na minha pequena opinião, o fisiologista dentro do esporte (futebol) deve ter uma leitura inicial dos atletas por meio das avaliações físicas e fisiológicas, classificando os dados e apresentando os resultados para comissão técnica , baseado em referências a partir desse momento, iniciamos uma programação de treinamento e começamos a monitorar cada  sessão de treinamentos.

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  • Os fisiologistas Marcel e Willian Komatsu realizando alguns testes com atletas do Santo André.

MW: Qual foi a importância da evolução da fisiologia para o futebol?

Marcel: A fisiologia passou por uma grande evolução de seu início para o que temos hoje em dia no futebol,  principalmente em relação às novas tecnologias que vem surgindo específicas para o uso no esporte (futebol). O GPS, acelerômetros, câmeras que analisam todos os atletas em um jogo, em tempo real, entre outros deixou o trabalho da fisiologia muito mais voltado ao dia a dia dentro do campo. As avaliações físicas também sofreram evolução, trazendo testes de campo muito mais específicos para o futebol, tirando o atleta quase totalmente de dentro do laboratório.

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  • A tecnologia auxilia muito na coleta de dados e informações dos jogadores. Na imagem acima, Marcel prepara seu equipamento para monitorar os atletas durante o treinamento.

MW: Como o fisiologista atua para não colidir com o trabalho do preparador físico?

Marcel: O fisiologista deve trabalhar como “auxiliar de preparação física” dentro do campo, sair do laboratório, ou seja, deve ajudar o preparador físico na aplicação dos treinos, tendo a tarefa extra de controlar as cargas do treinamento (intensidade e volume), e também controlar a escala de Borg, observar as reações dos atletas aos estímulos dados, controlar a hidratação e suplementação pré e pós-treino.

MW: O que seria a escala Borg?

Marcel: A Escala de Borg (também chamada de tabela) foi criada pelo fisiologista sueco Gunnar Borg e classifica – de forma subjetiva – o esforço de um atleta a partir de sua própria percepção. Ela é disposta da seguinte forma:

0 – Repouso

1 a 3 – Muito leve

4 a 5 – Leve

6 a 7 – Moderado

8 a 9 – Intenso

10 – Exausto

Durante o exercício, o atleta deve perceber como está a frequência cardíaca, a respiração, a sudorese e a fadiga muscular. Assim, a avaliação fica mais criteriosa e pode ajudar ainda mais no planejamento para os próximos treinos. Parara que o atleta evite se sobrecarregar e, como consequência, sofrer com algum tipo de lesão. Esse controle é importante para que o profissional (fisiologista /preparador físico/fisioterapeuta) receite a dose correta de treinos ou recuperação pós treino e jogo. Outros fatores são levados em consideração – jogo importante , quantidade de dias que o atleta pode treinar e os objetivos individuais –, mas os níveis da escala também são relevantes.

MW: Qual a atuação do fisiologista na formação de atletas nas categorias de base?

Marcel: O fisiologista da  base  tem o papel de levantar o máximo de dados  dos atletas, visando o desenvolvimento do jogador e  monitorando o trabalho para cada faixa etária. Afim de  garantir que nenhuma etapa seja pulada e que os atletas estejam treinando o adequado para cada faixa etária até chegar na última categoria da base, visando preparar o atleta para a categoria principal.

MW: Cite as funções  do preparador físico no futebol moderno?

Marcel: O preparador físico dentro de uma comissão, tem a responsabilidade de olhar e direcionar a dimensão da preparação física do jogo. Hoje no futebol mundial gira em três capacidade física (FORÇA, PONTENCIA e VELOCIDADE). A Evolução do futebol e da  preparação física proporcionou mudanças significativas como números de jogos e horas de sessões de treinamentos, observamos essas diferenças nas distâncias percorridas nas copas do mundos ( suíça 1954 / 4.500 metros), (Itália 1990/10.000 METROS). HOJE, ALGUNS ATLETAS, PERCORREM MAIS DE 13 KM POR JOGO E NOS TREINAMENTOS DE 5 A 7 KM.

Com isso, no cenário atual, preparador físico  deve ter um entendimento global como exemplo das partes  (técnica-tática-psicológica). Tendo um melhor olhar para o jogo, entendendo as solicitações físicas e  preparando seus atletas para cada faixa etária.

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  • Marcel e o preparador físico Kaio Soares realizando uma última movimentação com seus jogadores, antes de iniciar a partida contra o Palmeiras. Denominado como aquecimento, é uma atividade fundamental antes de começar um jogo.

Em função da mudança de alguns aspectos na preparação física atual. A sua metodologia de treino seria:

1 funcional?

2 CORE ?

3 trabalho físico com e sem bola, integrado com o trabalho técnico/tático?

Acredito e trabalho com uma periodização física que me ajuda  nos treinos funcionais, coordenação, flexibilidade e outras variações , dentro deste  ciclo de treinamento nos conseguimos ajudar  os atletas a ajustar o  desequilíbrios musculares. Quanto aos treinamentos com bola,  técnico/táticos, eu  acredito que o preparador físico deve  Conhecer treinos reduzidos , para  estar em sintonia e  pensamentos do treinadores.

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  • A imagem ilustra uma atividade de Core, realiza pelo Marcel, na preparação dos atletas do Santo André.

O QUE É CORE? É o conjunto dos músculos abdominais, na região que engloba a lombar, pelve e quadril. Essa musculatura circunda nosso centro de gravidade e também é responsável pela sustentação e estabilização de todos os movimentos corporais, praticamente.

MW: A função do preparador físico pode acumular o trabalho do fisiologista, ou essa função é indispensável no esporte?

Marcel: Não acredito em acumular funções, pois o fisiologista é de extrema importância no cenário atual do futebol. A quantidade de dados devem ser coletadas em tempo real,  número de acelerações e desacelerações nos  treino e jogos através de GPS e variações . Acredito sim que, o preparador físico, deva ter conhecimento aprofundado em fisiologia, para saber interpretar a quantidade de informações coletadas, assim como saber discutir com alto nível de conhecimento com o fisiologista e ter  as suas decisões , no intuito de ajudar o treinador, a equipe e os atletas.

Gostaria de agradecer o fisiologista Marcel França por aceitar o convite e transmitir um pouco dos seus conhecimentos para nossos leitores. Além de diversos cursos no futebol, Marcel é formado em Educação Física (Unisa), Pós-Graduação e Mestrado em Fisiologia do Exercício (UNIFESP). O profissional trabalhou em times como Água Santa, Barueri, Atibaia, Codion United (CHINA) e atualmente está no Santo André, como fisiologista e preparador físico de todas categorias da base. Para acompanhar um pouco mais do dia-a-dia e trabalho realizado pelo Marcel, siga-o no Instagram: @marcelfranca_

@12brenobarbosa

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