Schalke 04 – O Underdog de Gelsenkirchen

Por Felipe Henry

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Quando uma equipe que não está entre as favoritas ao título de um torneio enfrenta um dos adversários mais indesejados pelo seu poderio técnico e principalmente ofensivo, impossível não dar a alcunha de “underdog” para o franco atirador, no caso, o Schalke 04 de Domenico Tedesco.

O termo ficou mais famoso com o título do Philadelphia Eagles no Super Bowl LII que, após fazer uma grande campanha na Temporada Regular, perdeu o seu jovem quarterback Carson Wentz que era indicado como o principal jogador da temporada regular.

Após sua lesão, o contestado Nick Foles assumiria o comando do ataque da equipe que buscava o título inédito em Minnesota, batendo ninguém mais, ninguém menos que o New England Patriots de Tom Brady na final e, durante toda a pós-temporada, adotou o apelido de “underdog”, após ter sido colocado como azarão pelos analistas.

Ora, prever um confronto do Schalke contra o Manchester City de Pep Guardiola é reconhecer que existe um favorito muito claro e que ele passa bem longe da Alemanha, apesar das interessantes idéias do técnico ítalo-germânico, mas que não faz uma boa temporada na Bundesliga onde ocupa a modesta 13ª posição, a onze pontos de uma vaga na Liga Europa 2019/20.

Na fase de grupos da UCL, classificou-se em 2º no Grupo D com 11 pontos ganhos, cinco a menos que o FC Porto, campeão da chave. Porém, o que chama a atenção negativamente é o desempenho insatisfatório do sistema ofensivo: Apenas seis gols marcados e sem nenhum jogador balançando as redes mais de uma vez, algo que preocupa também na Bundesliga.

O meia-direita italiano e atual capitão da equipe Daniel Caligiuri é o artilheiro da equipe na liga nacional com quatro gols marcados. Embora tenha o retrospecto de atuar mais a frente, tem atuado como lateral-direito na temporada, sendo um dos principais responsáveis por iniciar a fase construtiva da equipe.

Outro detalhe sobre Caligiuri é o fato dele estar jogando mais recuado na atual temporada, tendo um território muito grande para avançar e precisar criar no campo ofensivo. Na temporada passada quando atuava como ala, havia um foco maior na questão ofensiva devido aos três zagueiros.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Daniel Caligiuri tem sido um dos poucos destaques do Schalke na temporada. Foto/Divulgação: Schalke 04.

Tedesco é um jovem treinador que não teve grandes passagens antes de sua chegada à Gelsenkirchen, já que iniciou sua carreira nas categorias de base do Stuttgart e do Hoffenheim, quando em 2017 assumiu o comando do modesto Erzgebirge Aue, que estava na lanterna da segunda divisão alemã e conseguiu uma impressionante recuperação ao conquistar 13 dos últimos 15 pontos disputados.

Sua equipe atua em um 4-2-3-1 (defensivamente: 4-4-2) com um estilo de jogo que o próprio treinador compara a um pugilista que nunca pode baixar a guarda e que, acima de tudo, busca recuperar a bola o mais rápido possível para continuar atacando, ainda que com o certo balanço e estrutura para controlar as transições.

Claro que se voltarmos ao auge da equipe na última temporada, lembramos das tentativas de Tedesco de atuar com três zagueiros na base defensiva (3-4-1-2, 3-1-4-2 ou 3-4-3), com o brasileiro Naldo (Que transferiu-se para o Mônaco/FRA) sendo o comandante da transição defensiva que raramente contava com um meio-campista exclusivamente destrutivo.

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Isso porque a dupla Max Meyer/Weston McKennie faziam um belíssimo trabalho de controle territorial no meio-campo, sem contar a dupla Oczipka/Konoplyanka pela esquerda, que contribuíam bastante defensivamente (compactação) e ofensivamente (fluidez).

Um 3-4-1-2 que migrava para o 5-3-2 em fase defensiva.

Além disso, o Schalke de 17/18 destacava-se também por ser uma equipe de muitas interceptações e que menos oferecia chances de finalização, consequentemente, tendo uma das defesas menos vazadas da temporada passada. Mesmo assim, o espírito de pressão comparável ao boxe fez com que também fosse uma das equipes mais faltosas e advertidas com cartões.

De um projeto promissor para uma equipe que não consegue render com regularidade ofensiva, talvez pela mudança no jeito de atuar, já que nomes importantes como Goretzka e Meyer deixaram a equipe no final da última temporada. Além disso, a solidez defensiva foi perdida com uma oscilação que não soube ser recuperada principalmente nos seus zagueiros.

Outro fator é que Gortetzka era fundamental nessa equipe tanto pela sua capacidade que o destacou como principal jogador da Bundesliga na última temporada, quanto por sua contribuição fundamental na parte ofensiva, sendo uma excelente fonte criativa.

Sem ele, a responsabilidade fica com o norte-americano McKennie, que é muito jovem para carregar o piano em uma equipe que não consegue ser efetiva nas definições das jogadas. Mesmo assim, ainda é um jogador que consegue pressionar bem o adversário no campo ofensivo e até gera a impressão de atuar como um segundo ou terceiro atacante vindo de trás.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Leon Goretzka foi para o Bayern e Max Meyer, para o Crystal Palace. Ambos deixaram saudades em Gelsenkirchen. Foto/Reprodução: Bundesliga Fanatic.

Além disso, a saída de bola tem sido prejudicial como na derrota para o Bayern de Munique por 3-1 no último sábado: A idéia de utilizar uma “saída de três” é interessante, mas é lenta e desorganizada, sendo facilmente interceptada pelo adversário e ocasionando chances perigosas, onde dois dos três gols sofridos saíram exatamente por perdas em zonas proibidas.

O Schalke tem cometido muitas perdas em “zonas proibidas”, como no centro do campo ou própria intermediária e isso tem sido chave para os gols sofridos. Ademais, é um tipo de erro que poderá ser forçado pelo Manchester City, que em geral busca pressionar em campo contrário para forçar esse tipo de perda já próximo do goleiro Ralph Fährmann.

 

 

Contra o Bayern, hora Bentaleb, hora Sebastian Rudy recuavam para auxiliar essa saída, mas havia um espaço para conseguir uma conexão de qualidade, forçando passes longos ou errando passes pelo meio e, assim, podemos observar que a intensidade principalmente no meio-campo na temporada passada também foi algo que se perdeu.

Como a defesa esteve menos sólida, outro fator que contribuiu negativamente foi o fato do ataque não apresentar melhoras. Hardit não faz uma boa temporada e perdeu a vaga, além de Konoplyanka ser praticamente a única alternativa ofensiva de qualidade, já que não há uma unanimidade entre os centroavantes dos Azuis Reais.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Posicionamento defensivo do Schalke na partida contra o Borussia Mochengladbach, um 4-4-2 com linhas médias. Foto/Divulgação: Bundesliga.

O Schalke defende de todas as maneiras possíveis, é uma equipe que se adapta dependendo do adversário, mas que de maneira geral busca se defender em uma altura média e por zona. No print acima, o Schalke está em 4-4-2, com Mark Uth e Weston McKennie sendo os jogadores mais avançados. Não pressionam os zagueiros, mas buscam cortar linhas de passe por dentro.

Mesmo que McKennie e Rudy sejam importantes como jogadores de transição, principalmente na fase defensiva onde contribuem com bons desarmes, o meio-campo torna-se por vezes improdutivo de idéias para ditar o ritmo de uma partida em que seja inferior tecnicamente e contra um dominante Manchester City, isso pode custar muito caro.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Mais uma vez, agora contra o Werder Bremen, Schalke se defendendo com um 4-4-2 e utilizando linhas médias. Foto/Divulgação: Bundesliga.

O Schalke, desde o ano passado, era bastante simples na hora de atacar. Desarmava e buscava agredir em transições. Neste sentido, Leon Gorezka era vital para a equipe, não só pelo seu impacto defendendo, mas também por sua grande capacidade para conduzir a bola por muitos metros e ainda chegar à área para finalizar. Sem Goretzka, quem assume um rol parecido é Weston McKennie, porém ainda não é suficiente para corrigir o maior problema do Schalke: a falta de gol.

Há dois argumentos ofensivos atualmente na equipe de Tedesco: A bola parada e as transições, que são conduzidas na maioria das vezes por Daniel Caligiuri e McKennie, que precisam realizar esforços monumentais para que estas saídas ofensivas sejam concretizadas de maneira perigosa.

 

Por fim, não podemos subestimar a coragem de Domenico Tedesco de tentar inovar para melhorar a atuação do seu time em campo, podendo fazer um time mais compacto e que pressione mais para retomar a posse e acelerar, como o próprio Lyon fez no duelo da fase de grupos, porém a falta de alternativas para equilibrar as ações principalmente na parte física pode exigir demais de uma equipe que está longe de viver os seus melhores dias.

@Lipe_Henry

 

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