PRESSÃO! Aos adversários… – ANÁLISE TÁTICA SANTOS 3 x 0 GUARANI

Por Rodrigo Costa

Posse de bola, triangulações, amplitude, profundidade, muitos gols. Tudo isso define o Santos de Jorge Sampaoli nesse início de trabalho, mas a meu ver não há nada tão marcante quanto à pressão ao adversário quando a equipe santista não tem a bola. No jogo desta segunda, contra o Guarani – que vinha de duas vitórias sobre os grandes paulistas – o time alvinegro pressionou até o último instante, de maneira intensa e forte. Os jogadores assimilaram a ideia de que eles têm que ter “amor pelo balón” como diz seu técnico. Vamos à análise:

Outra característica de Sampaoli no Santos tem sido as variações táticas, com alguns jogadores podendo fazer mais de uma posição e/ou função, inclusive com trocas de posições durante os jogos e foi o que aconteceu diante do Bugre. Sampaoli escalou o time num 4-2-3-1 que variava para um 2-4-4 quando a equipe tinha a bola (às vezes um 3-4-3). Pituca e Alison – que recuava a todo instante para a saída Lavolpiana – eram os volantes; Carlos Sánchez atuou como meia direita, dando muitas vezes profundidade à equipe.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Organização ofensiva do Santos basicamente num 2-4-4, com movimentação e troca de posição constantes de Jean Mota, Derlis e Cueva. (Fonte: SporTV. Edição: Rodrigo Costa)

Já os outros três homens da frente, Cueva (mais centralizado), Jean Mota (mais pela esquerda) e Derlis González (mais à frente, como falso 9), se movimentavam bastante, confundindo a defesa adversária invertendo posições. No jogo de posição – onde os jogadores tem que ocupar espaços predeterminados em campo – de Jorge Sampaoli no Santos muitas vezes Derlis (17) caia pela esquerda deixando espaço para que Jean Mota infiltrasse como atacante; em outros momentos Jean Mota (41) era o organizador e Cueva (8) era quem abria para fazer as jogadas pela esquerda.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Posicionamento médio da equipe santista, basicamente um 2-4-4. Jean Mota (41) com muita liberdade de movimentação. (Fonte: SofaScore)

Até na organização defensiva Sampaoli apresentou variações táticas, hora o Santos se organizava num 4-1-4-1, hora num 4-2-3-1, mas na maior parte do tempo o esquema predominante foi o 4-4-2, com todos os jogadores bem agressivos na tentativa de retomar a bola – Jean Mota e Derlis faziam a primeira pressão à defesa adversária. Pressões intensas e perseguições individuais aconteceram constantemente, por isso as variações táticas, pois os jogadores – principalmente meio-campistas – têm liberdade para saírem de sua linha e pressionarem mais à frente os adversários. Dessa forma o Guarani não conseguia assustar o Santos. Primeiro tempo acabou 1×0, gol de Jean Mota.

O segundo tempo permaneceu da mesma maneira: muita intensidade, pressão pós perda a todo momento, inclusive após a entrada de Rodrygo (11) – voltando da seleção após disputa do Sulamericano sub-20 – e mais uma variação tática, o 4-3-3, com Carlos Sánchez (7) recuando para a linha dos meio campistas, Derlis pela esquerda, Rodrygo (fechou o placar aos 45’) pela direita e Jean Mota de falso 9. Que início de temporada vem fazendo o camisa 41 nas mãos de Sampaoli, que tem dado total liberdade ao meia. Foram 2 gols no jogo, já são 7 na temporada, com 2 assistências, atuando como meia armador, meia esquerda e falso 9.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Posicionamento médio do time após as substituições, principalmente Rodrygo por Cueva, se organizando num 4-3-3 (Fonte: SofaScore)

O Santos pressionou até o fim. A parte física é algo a se destacar, pelo fato do modelo de jogo de Sampaoli ser necessário estar muito bem fisicamente para aguentar pressionar intensamente o tempo todo. E os jogadores estão aguentando, estão desejando a bola a todo instante, quando perdem logo pressionam forte para recuperá-la, não só o jogador que a perdeu, mas também os que estão próximos da jogada. Nesta partida contra o Guarani essa característica ficou mais uma vez clara, sufocando o adversário até o último minuto.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Marcação alta e pressão intensa até o fim do jogo, todos jogadores atentos para roubar a bola. Cinco jogadores próximos à bola para roubada. (Fonte: SporTV. Edição: Rodrigo Costa)

No fim de semana mais um teste de fogo. Contra o Palmeiras, no Allianz Parque, Sampaoli não poderá contar com Alison, suspenso, e deverá ter Jean Lucas como provável substituto, visto que foi ele que entrou no lugar do camisa 5 na partida contra o bugre. Promessa de um grande jogo, colocando mais uma vez o elenco santista à prova com um adversário de maior expressão.

@Costa_rodrigo95

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