O Modelo de Jogo do Lyon de Genésio

por Pedro Morais

Bruno Genésio é um treinador com uma filosofia bem promissora, com um time bem dinâmico, um ataque móvel, fluido e vertical e muita variação tática partindo do 5-3-2, 5-2-3 ou 4-2-3-1. Um time de imposição, que gosta de ter a bola, de mostrar sua força em cada jogo independente do adversário, e mostrou isso na fase de grupos da Champions, principalmente nos jogos contra o Manchester City de Guardiola, ganhando de forma magistral dentro do Etihad Stadium, e um empate que poderia ter saído com a vitória no Lyon Olympique Stadium.

Começando por como o time se organiza ofensivamente, na saída de bola são duas variáveis, poderá ser um 3+1 ou um 3+2, isso vai depender da formação utilizada e do adversário. A primeira é mais vista, formando um losango no campo, o zagueiro central é o mais recuado, os zagueiros pela esquerda e pela direta estão abertos e um pouco mais avançados se tornando base, e um volante se aproxima dando apoio. Os jogadores que estão a frente, vão ter sempre os alas abrindo o campo o outro volante vai estar na base próximo dos três atacantes, formando outro losango a frente. Esse sistema faz com que a saída de bola seja bem distribuída, linhas de passes aparecem para progredir ao campo adversário com passes curto, mecanismos de atração e passes verticais ou lançamentos nas costas de zagas que atuam em bloco alto, aproveitando da quantidade de jogadores em profundidade.

Quando a plataforma incial parte do 4-2-3-1 os mecanismos mudam um pouco, a saída não utiliza 3 jogadores como base, e sim 4, 2 zagueiros e os laterais abertos a frente, os dois volantes como opções de passe.

Quando a saída é 3+2, normalmente o time possui  3 meio campistas, esse três homens de meio campo revezam ao apoiar o zagueiro – se está Tousart e Ndombele, Aouar pode aproximar e Ndombele avançar, e por assim em diante – esse movimento torna essa fase dinâmica, confundindo bastante o adversário, e criando bastante linhas de passe para dar continuidade no jogo.

Ao criar, Lyon têm como prioridade ataques mais verticais, gostam de ataques rápidos, usam de associações laterais com muito apoio ao portador. Os ataques são mais efetivos quando criados a partir do lado esquerdo, muito pela qualidade de Mendy, o ala domina a profundidade do time, consegue se associar bem com Fekir, Aouar e Depay, sabe atacar por dentro, pisa bastante na área, gosta de levar a bola para linha de fundo e cruzamento curto para trás. Na verdade, ele é o perfil dessas jogadas do time de Genésio, se o lado esquerdo é o ponto forte do time, é graças as suas características. Essas associações laterais são bem interessantes, com muito apoio ao portador a fim de criar superioridade numérica.

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Quando joga com três atacantes, os alas normalmente revezam a amplitude com os pontas, isso ajuda confundir o adversário, e abrir espações entre os zagueiros para ultrapassagens e infiltrações para vencer a última linha. Como já dito, isso acontece bastante do lado esquerdo, há uma movimentação em que Depay atrai o lateral fazendo a amplitude, e Mendy aproveita do movimento do companheiro para atacar o espaço deixado entre o lateral e o zagueiro adversário daquele lado.

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Algo interessante é a liberdade que têm os atacantes Fekir e Depay, principalmente o primeiro, o camisa 18 é o epicentro do time, tudo passa por ele. Quando joga com outros dois atacantes, fica mais centralizado, balança para os dois lados buscando associações e servindo-se como linha de passe para os companheiros, recua para o espaço entrelinhas ou até a base para buscar o jogo e ser o homem da armação. Um mecanismo bastante utilizado é o do recuo, deixando a referência para Cornet e Dapay fazerem as ultrapassagens e receber do próprio camisa 18. Quando o time está no 3-5-2, ele também fica mais centralizado, porém mais recuado, atrás de Depay. Sua função é bem parecida com a explicada anteriormente, porem nesse caso não necessita fazer o recuo e saindo da referência, além de ter mais liberdade posicional ainda.

No 4-2-3-1, vemos padrões um pouco diferentes, o revezamento entre o extremo e no caso o lateral continua, porem nem sempre os laterais têm tanta liberdade para subir ao ataque. Sem o terceiro zagueiro os laterais têm que ser um pouco mais precavidos, mas quando sobem um dos volantes fica para dar segurança para os laterais. Para o apoio dos volantes, funciona o reverso, o lateral deve permanecer para que o volante tenha liberdade para subir ao ataque. Fekir no caso, é o meia atacante, nessa plataforma ele pode recuar mais ainda até a base da jogada para que arme o jogo de trás, já que está sem um zagueiro. Aouar tem muita importância aqui também, o meio campista dita o ritmo do time, temporiza, sabe a hora de acelarar, com muita técnica para articular o time a partir da base da jogada.

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Nas transições defensivas, o Lyon, por postar com muitos jogadores no campo de ataque, tendo as vezes até 4 jogadores alinhados com os zagueiros adversários, pode ter muito espaço no campo defensivo e facilmente sujeito a contra-ataques. Por isso pressionam o portador da posse logo após a perda, os jogadores mostram conseguir mudar rápido suas ações de quando está atacando para o momento de defender e pressionar. Usam dessa grande quantidade de jogadores a frente para pressionar o portador, tirando o tempo e o espaço do mesmo para que o resto do time possam se estruturar antes que um contra-ataque seja armado.

A capacidade física dos seus jogadores de meio-campo faz com que isso seja possível, Aouar e Ndombélé, têm força e vitalidade conseguindo mesmo depois de uma jogada ofensiva, continuar em intensidade para tentar atrapalhar e pressionar os adversários.

Em fase de organização defensiva tem variante com 3 zagueiros e dois alas em sua linha, o que vai variar é entre 3 ou 2 meio campistas centrais, podendo se posicionar em um 5-3-2 ou 5-2-3, em bloco médio ou bloco baixo. Por ter apenas 2 ou 3 jogadores na segunda linha o Olympique necessita de certos mecanismos para que a faixa central do campo seja protegida levando o adversário para o lado para aí sim pressionar, e esse é sempre o objetivo de Genésio, que inclusive falou dessa ideia em entrevista coletiva após o jogo contra o PSG. Usualmente podem se posicionar em 4-4-2 em blocos médio e baixo, quando a plataforma inicial parte do 4-2-3-1, porem os desmarques vão ser menos intensos, por conter jogadores o bastante para proteger a faixa central, mas são mecanismos bem parecidos independente da formação utilizada.

 Os mecanismos nessa fase dependem muito do adversário também, mas normalmente usam do que chamamos de zonas pressionantes, que resumidamente seriam jogadores se mantendo bem compactos, e balançam coordenadamente em relação a bola, porem cada um visando proteger a sua área de acordo com a posição, e na zona onde está o portador há mais intensidade, com fechamentos de linha de passe e pequenos encaixes. Muitas vezes essas situações de encaixes, existem referências que fazem com que os jogadores devem seguir para tomar a ação pré-determinada, para anular ou proteger um espaço aberto.

Outro tipo de mecanismo seguindo essa ideia às referências são os momentos de subir a marcação, que seria durante um recuo de um lateral ou um volante para o zagueiro, o atacante ou um dos volantes sobem para fazer pressão e “puxa” os companheiros formando um movimento sincronizado para começarem a formar a pressão alta.

Normalmente em bloco alto, costumam usar encaixes individuais para fazer pressão na saída de bola adversária, e tentar faze-los se livrar da bola logo, afim de conquistar a posse através de um “chutão” ou recuperar a bola no campo de ataque. Isso não se mantem durante todo o jogo, normalmente o time diminui a intensidade no segundo tempo e é menos comum o uso da marcação por encaixe por exigir muito do físico.

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Já nas transições ofensivas, o time tem dois caminhos, o objetivo é sempre ser vertical, a prioridade é aproveitar da defesa desestruturada do time para possíveis contra ataques, mas se n for o caso, temporizam a bola, mas devem chegar ao campo ofensivo o mais rápido possível, afim de deixar a bola longe da própria meta. Nessa fase do jogo vemos muita movimentação, dinamismo e trocas de posição especialmente entre os atacantes, são poucos toques até chegar ao campo de defesa do adversário. Porém o Lyon só investe em suas transições ofensivas quando é um placar magro ou não está ganhando, se têm o jogo em suas mãos tendem a fazer a manutenção da bola, e preferem administrar o jogo correndo menos riscos de contra-ataques.

O Lyon possui um time bem promissor, com bons jogadores e um treinador com uma filosofia que faz o time demonstrar um futebol encantador, com bastante liberdade para seus melhores jogadores, sempre se adaptando ao adversário e impondo seu futebol independente do adversário ou do local onde joga. Se você gosta de um futebol fluido e bem dinâmico, vale a pena acompanhar o futebol dos franceses.

@CruyffTeam

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