No grito! ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 1 x 0 FLUMINENSE

Por Ricardo Leite

Uma final que começou antes da bola rolar. A rivalidade, a polêmica na última partida, a disputa por lado, o grande tabu, ingredientes não faltavam para apimentar a final da Taça Guanabara. Mas os órgãos (in)compententes fizeram questão de atingir o único ser sagrado no futebol: o torcedor. Aquele, que no mundo dos negócios bilionários do futebol é o que só gasta, se desgasta, vem de longe, sai cedo, chega tarde, se expõe à violência, o único que chora quando perde e que briga por causa do clube.

Em brigas e indecisões de portões abertos ou fechados? Lado A ou lado B? O torcedor que comprou ingresso foi ao estádio e foi impedido de entrar, e ainda foi submetido a cenas de violência. Um verdadeiro atentado ao futebol, num campeonato extremamente desvalorizado. Como um grito de liberdade e sem nenhuma explicação racional, aos 30 minutos do primeiro tempo, os “sobreviventes” que se encontravam ao redor do Maracanã foram liberados e conseguiram entrar no estádio.

Pondo um ponto final no desabafo, começamos a análise de um jogo que se desenhava extremamente estratégico, onde teríamos a certeza do que esperar do Fluminense com muita posse, saída de 3 com Airton entre os zagueiros, participação ativa do goleiro Rodolfo, atraindo o adversário e buscando acelerar no segundo e terceiro terço.

Pelo lado vascaíno, havia uma dúvida de qual seria o comportamento: Buscando a posse? Marcando alto? Baixando as linhas e saindo em contra-ataque como no primeiro confronto na fase de grupos? Qual a intensidade da equipe, que teria Bruno Cesar no meio, pela ausência de Galhardo?

Aos poucos, essas dúvidas foram sendo respondidas em campo. O Fluminense, como é regra nas equipes de Diniz, manteve posse de bola esmagadora, e o Vasco alternava marcação em bloco médio, ou alto, diferente do primeiro confronto. O Vasco marcava variando entre o 4-4-2 e o 4-1-4-1, e Bruno César era quem regia o posicionamento. Se ele estivesse à frente, ao lado de Maxi, era composta uma linha de 4 atrás deles, se ele fechasse a linha de 4, Raul recuava e fazia o elo entre zaga e meio. Os pontas vascaínos e Lucas Mineiro tiveram participação ativa no movimento de subida de marcação.
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Mas a verdade era que o jogo se concentrava entre as intermediárias. O Fluminense até conseguia romper a marcação alta, mas pecava em vencer a marcação compacta no último terço. Já o Vasco chegou a ser mais objetivo em alguns momentos, mas pecava na criação, pois Valentim segurou um pouco mais que o costumeiro os laterais, Bruno César não demonstrou nenhuma dinâmica, e os volantes pouco participaram da construção. O cruzmaltino se limitava a jogadas com Marrony e Maxi Lopez.

Com o passar dos minutos, o famoso “água mole em pedra dura” quase fez efeito e, pela insistência, o Fluminense ficou perto de marcar com Yoni Gonzalez.

Para a segunda etapa, Valentim apostou na estreia de Rossi no lugar do fora de forma Bruno César. Com essa mudança, trouxe Pikachu para jogar mais centralizado e buscava ser mais intenso na marcação para “quebrar” o passe do Fluminense ainda na zaga.
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Por esse lado, deu certo, mas a criação, que já era ineficiente piorou. Pikachu ficou sumido e o Vasco ficou acuado por muitos minutos. Quando tentava sair de forma apoiada e usar Fernando Miguel, o Fluminense subia a marcação e gerava problemas para a equipe cruzmaltina. Isso acontece porque apesar de ser um desejo e tentativa de Valentim, ainda não acontece de forma natural.

O Fluminense por sua vez, não criou tanto, mas nas chances que teve buscou explorar o espaço “indefinido” entre Castán e Danilo – algo que precisa ser corrigido.

Numa ousadia nem tão comum, e muito arriscada Valentim apostou ainda mais na agressividade da marcação alta e colocou Ribamar no lugar do volante Raul. Com isso, Pikachu recuou para auxiliar Lucas Mineiro e Ribamar jogava por trás de Maxi Lopez e era o responsável pelas perseguições à defesa tricolor. A torcida quase que fisicamente empurrava os jogadores para pressionar e após 3 acertos seguidos, Rossi sofreu falta no campo de ataque, que gerou o gol de Danilo (ou Marrony?). Mais uma vez o Vasco dá mostras que, diferente da equipe do ano passado, será muito mais competitivo – pois vem demonstrando solidez no sistema defensivo, e capacidade de resolver mesmo quando está com a criação engessada, através da bola parada, seja por faltas diretas ou cruzamentos.

O gol foi de Danilo, mas podemos creditá-lo também ao torcedor, que parecia ajeitar a bola da forma correta e também ao tabu entre as equipes, que parece fazer questão de entrar em campo a cada novo confronto.

Após o gol, Valentim “voltou à lucidez” e colocou Andrey para refazer o plano original. O Vasco agora era coração e muita confiança e parecia já saber o DESTINO daquele jogo: vitória, título e o lado certo da história e do estádio.

Apesar de não empolgar, o Vasco parece carecer apenas de alguns ajustes – como corrigir o espaço entre Castán e Danilo, aumentar a participação dos volantes no início da construção e não limitar a criação na figura do meia de criação, pois num time operário, que o Vasco parece se propor é mais importante ter organização e coletividade do que o talento em si. O que facilita é que o Vasco possui alguns jogadores com bom poder de decisão, como Maxi Lopez, Pikachu e bons batedores de falta. Mesmo em jogo pobre, diferentemente do trabalho de 2018 de Valentim, é nítido ver que hoje há um trabalho e mais conhecimento do elenco. Agora precisamos aguardar, buscar evolução e ver a postura diante de testes mais complexos.

@analisevasco

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