O ÚLTIMO ATO DE CACO CONTRA A BASE DE ROSSATO – ANÁLISE TÁTICA RIO BRANCO 0 x 0 DESPORTIVA

Por Juliano Rangel e Vinícius Lodi

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Já pela segunda rodada do campeonato capixaba, Rio Branco e Desportiva protagonizaram o maior clássico do Estado. A partida que apresentou poucas chances concretas de gols de ambos lados, mostrou um capa-preta, no último jogo de Caco Espinoza como comandante, com dificuldades para criar, e uma Desportiva já contando com uma base, mas também necessitando de mais força nas fases ofensivas.

O Rio Branco ainda não encontrara um modo de potencializar a influência de suas principais peças dentro de campo, a fim de vencer partidas e, até mesmo, marcar gols. O momento deveria ser de reflexão.

Após a estreia decepcionante contra o Rio Branco de Venda Nova do Imigrante, a segunda partida já lhe reservava tensão. Afinal, enfrentaria a rival Desportiva, no principal clássico do Espírito Santo.

Se o futebol apresentado anteriormente era baseado em lançamentos longos buscando principalmente Loco Abreu, não houve grandes transformações para o duelo deste último sábado (09), no estádio Kléber Andrade, para um público de mais de cinco mil pagantes.

Tendo observado que o meio-campista Canário não havia se adaptado à lateral-esquerda, o técnico Caco Espinoza o colocou em sua posição original e improvisou o zagueiro Rhamon Mexicano para ocupar aquele flanco, sendo a única alteração. Mexicano durante a partida se preocupou mais em não dar espaço para avanços ofensivos da equipe grená pelo seu lado.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Após longo lançamento, a primeira linha de defesa se posiciona reta, enquanto que os três meio-campistas retornam para compactar os espaços. Time posicionado em 1-4-3-2-1. (Imagem: Torcida ES)

O técnico da Desportiva, Fabiano Rossato, optou por iniciar a partida com o esquema 4-3-3, que havia encerrado o último jogo diante do Vitória. Com isso, foram lançados na equipe titular o meio-campo Diego Morais e o extremo Matheus Bidick.

Diego Morais atuava mais próximo da dupla de volantes da equipe grená (Pepê e Jhonathan) e Bidick fazia o lado esquerdo do trio de ataque que ainda contava com Leandro Fonseca, na esquerda, e Marcus Vinicius mais centralizado.

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Nas fases ofensivas, o trio de meio-campo ainda tinha o apoio, por dentro, dos laterais Léo Peixe e Tom, que também geravam amplitude e buscavam tabelas para atacar os corredores, principalmente na esquerda, com Tom trocando passes com Bidick afim de superar o lateral-direito do Rio Branco, Sorriso.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04

A equipe pressionava a linha defensiva do Rio Branco nas saídas de bola, fazendo com que o capa-preta tivesse que sair nas bolas longas, que, na maioria das vezes, voltavam para o domínio da equipe grená.

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Em suas saídas de bola, a Desportiva utilizava do mesmo panorama apresentado no duelo contra o Vitória: a linha de defesa trabalhando a bola e tendo o apoio dos volantes Pepê e Jhonathan por dentro.

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Quando a bola chegava nos lados, os jogadores aceleravam o ataque, muitas vezes optando pelas bolas longas. Bolas essas, que tinham como principal referência o atacante Marcus Vinicius. Pelos lados, Bidick era o mais acionado e sempre levava vantagem nos duelos um contra um diante do lateral do capa-preta Sorriso.

O perigo que a equipe levava eram com as bolas aéreas, principalmente nas cobranças de escanteios, em que o zagueiro Wesley do Rio Branco costumava levar vantagem pelo alto. Nesses momentos, a equipe fazia uma marcação mista, com seis jogadores trabalhando na individual, um protegendo a primeira trave e outro ficava na sobra no miolo da defesa.

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Pelo capa-preta, mais uma vez Loco Abreu teve participação limitada, sendo ativo nas bolas aéreas ofensivas e defensivas. Em apenas uma ocasião o uruguaio teve a oportunidade de dominar na entrada da área, quando rolou para a chegada do meia Edu, que errou o cruzamento.

O Rio Branco melhorou quando João Paulo recuou para buscar a bola e se fixou em um posicionamento mais centralizado. O meia era capaz de fazer a equipe evoluir em direção ao campo adversário com associações e dribles.

Dessa forma, a equipe ofensivamente estava configurada em um 1-4-3-2-1. Ronicley e Edu eram responsáveis pelas transições de ataque e retornavam para ajudar na marcação na organização defensiva. O time colocava mais a bola no chão, mas ainda exagerava em cruzamentos para a área.

Pelas características, rapidez e capacidade de infiltração, Edu era quem mais se aproximava do atacante uruguaio.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Ronicley abriu a defesa adversária e deu espaço para o avanço de Edu, após passe em profundidade do lateral-direito Sorriso. (imagem: Torcida ES)

Pela estatura de seus jogadores defensivos e de Loco Abreu, a bola parada na área grená também poderia ser um artifício que aproximaria o time do gol.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04Loco Abreu se posicionou atrás do zagueiro Fabian, assim como fez Wesley ao lado de Rhamon Mexicano, na premissa de surpreender o adversário. Ficaram três jogadores para a sobra contra dois da Desportiva. (Imagem: Torcida ES)

O atacante uruguaio se posicionava sempre como o homem da primeira trave em escanteios adversários.

WhatsApp Image 2019-02-14 at 16.08.04posicionamento da equipe em bola parada defensiva. (Imagem: Torcida ES)

Defensivamente, Wesley se destacou por impor força física, ter um bom tempo de bola nas jogadas aéreas e interpretar bem os momentos de desarme e interceptações.

Na direita, o experiente Sorriso não vive bom momento. Perdeu duelos importantes contra Matheus Bidick, errou cruzamentos e teve dificuldades na construção e criação de jogadas.

Forte em desarmes e interceptações, Dênis Pedra era o jogador da linha de meio que mais se aproxima dos defensores e responsável pela saída de bola.

Canário também apoiava na marcação e tinha qualidade técnica para organizar a equipe.

Na segunda etapa, Deco entrou no lugar de Rhamon Mexicano pela esquerda para tentar ser mais participativo à frente, mas não conseguiu efetivamente ser ativo em jogadas ofensivas.

Com isso, visando atacar mais, Caco Espinoza o retirou para colocar Jefferson, que seria mais associativo, porém a mudança não surtiu o efeito desejado, a equipe não conseguiu ser criativa por conta da boa marcação da Desportiva.

Na Desportiva, já com a entrada de Deyvison no lugar do lesionado Leandro Fonseca, a equipe manteve o seu 1-4-3-3, com o Deyvison e Bidick invertendo de lado para confundir a marcação do capa-preta.

Com o desenrolar da partida, Rossato também colocou em campo Alessandro Lucas e assim formatou a equipe no 1-4-2-3-1, com o camisa 21 atuando mais próximo de Marcus Vinicius e retornando também para trabalhar pelo meio. Isso fez o número de jogadas pelos lados aumentar.

Ainda pressionando as saídas de bola do capa-preta com uma marcação em bloco médio e mais preocupada com o portador da bola, o meio de  campo grená ainda contava com a aproximação do volante Jhonathan nos momentos de descida para o ataque.

Nas bolas paradas ofensivas, principalmente nas cobranças de escanteios, os dois zagueiros seguiam para a área do Rio Branco e a equipe se defendia nas transições do capa-preta com um dos volantes juntamente com os dois laterais.

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Mais cansada na reta final, a equipe começou a dar mais espaços pelos e o Rio Branco os utilizava para cruzar em direção a área grená. Em um avanço pela direita, Edu caiu na área após tropeçar em um defensor rival já derrubado na área. O lance gerou polêmica e pedidos de pênalti pela torcida.

Ainda chegando pelos lados, a Desportiva teve no último lance da partida uma chance de marcar com Bidick entrando na área pela direita e cruzando para Deyvison, que chutou para fora.

A Desportiva agora tem pela frente uma semana de treinos e já mira o Serra, que estará mais desgastando por conta do duelo contra o Remo, pela primeira fase da Copa Brasil. Boa oportunidade para Rossato trabalhar mais o seu elenco, que já começa a mostrar uma base e também ideias de jogo.

O capa-preta anunciou no início da semana a saída de Caco Espinoza e a contratação do técnico Erich Bomfim, que treinava justamente o time sub-20 da Desportiva, e esteve em 2018 como técnico na Série B do Capixabão. Em jogo adiado, venceu o Atlético Itapemirim por 3 a 1, na terça-feira (12), e enfrenta agora o Tupy no domingo (17) pela manhã.

@Julianords@ViniciusLodi_

Imagens e Vídeos: Torcida ES e Daniel Pasti

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