Vitória dos oprimidos

Por Iúri Medeiros

Chegando ao Corinthians na 2ºmetade de 2016, Gustavo Henrique da Silva Souza veio com certa moral do Criciúma, onde marcou 18 gols em 32 jogos no ano. Em um ambiente conturbado, de muitas saídas de jogadores e técnicos, o atacante pouco jogou e quando jogou ficou marcado por atuações ruins, um gol anulado contra o Atlético-MG e nada mais. Seu início foi tão aquém que ele logo no ano seguinte foi emprestado ao Bahia (marcou 6 gols em 24 jogos) e logo posteriormente ao Goiás (fez 1 gol em 12 jogos).

Porém, o início de sua reviravolta no futebol brasileiro começou nas mãos de Rogério Ceni, em mais um de seus empréstimos, dessa vez ao Fortaleza. Marcando expressivos 30 gols em 45 jogos, o “Gustagol” se viu dentro de uma nova realidade, com confiança e sendo peça-chave ao time campeão da série B de 2018.

Acontece que mesmo após uma excelente temporada, pouco se imaginava que o atacante de 24 anos teria muitos minutos em seu retorno ao Parque São Jorge, imaginando-se inclusive mais um empréstimo ou uma venda definitiva para a Europa. Após frustradas experiências com Roger e Jonathas, a expectativa era que o Corinthians contratasse um atacante de peso logo de início em 2019. Entretanto, o argentino Mauro Boselli estreou “apenas” no dia 26/1, contra a Ponte Preta. Nesse período até a partida, Gustavo já havia deixado Fábio Carille sem sono.

Mas por que, mesmo com atacantes mais refinados e badalados no elenco (Boselli e Love), o atacante nascido em Registro (SP) se tornou um “intocável” de Carille? A resposta é mais simples do que se imagina. Voltando 1 ano e alguns meses no tempo, o Timão campeão brasileiro em 2017 teve como seu grande destaque o atacante Jô, não sendo exagero dizer que toda a engrenagem do ataque girava em torno dele, com seus pivôs e sua presença de área. O Gustavo, é capaz de, guardadas as devidas proporções, emular o atacante que hoje atua no Japão.

Pela altura (1,89 m) já se imagina o seu forte jogo aéreo, que é de fato, diferenciado (um dos melhores do país). Mas ele tem chamado muito atanção como consegue oferecer bons pivôs, saindo da área e atraindo os zagueiros adversários, longe de ser aquele atacante que se limita a dar profundidade à equipe.

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Em um time que mostra dificuldade em furar defesas adversárias, esses recuos são fundamentais para obter opção de passe e as jogadas terem continuidade. Além disso, ele constantemente chama faltas assim e faz com que a equipe ganhe metros em campo ofensivo e chances de usar sua bola parada. Com isso, além de estar marcando gols (são 4 em 6 jogos), Gustavo tem sido um jogador de extrema importância tática para Carille.

Além da questão técnica/tática, é válido dizer como a disposição e a gana do jogador chama atenção de todos que assistem aos jogos. Não tendo uma bola perdida, recompondo até pelo lado do campo se for preciso, ele sabe que a concorrência é grande e precisa mostrar o “algo a mais”.

Claro, estamos em início de temporada (que deveria ser uma pré-temporada), mas é notório como o “Gustagol” evoluiu seu futebol desde sua passagem pelo Fortaleza e não é nenhum absurdo dizer que ele é a grande notícia positiva do Corinthians nesse início de jornada. A concorrência é grande, a temporada é longa, muita coisa pode acontecer, mas hoje o alvinegro paulista tem um atacante que, pode não ter grife, pode não ter os melhores números, mas é o atacante que o time precisa.

@iurimedeiros13

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