Um desastre em Córdoba – ANÁLISE TÁTICA TALLERES 2 x 0 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

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O São Paulo foi à Argentina enfrentar o Talleres, pela primeira partida da pré-Libertadores. Um jogo determinante para a continuidade de Jardine. Uma final, logo em fevereiro.

Liziero e Anderson Martins foram desfalques para o treinador que escalou o time em um 4-3-3 com Volpi, Bruno Peres, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Hudson, Jucilei e Hernanes; Nenê, Pablo e Éverton. Os argentinos por sua vez se postaram em um 3-5-2.

O Talleres dominava a posse de bola, organizava sua saída de bola em 3-1, com o trio de zaga e Guiñazú a frente. O São Paulo se defendia em bloco médio/baixo e pressionava com o trio de frente. O objetivo primeiro desse mecanismo não era recuperar a bola, mas tirar as linhas de passe para o ataque. Dessa forma, Éverton e Nenê se posicionavam entre o zagueiro e o ala de seu respectivo lado, enquanto Pablo, fechava a conexão entre o zagueiro central e Guiñazú. Sem opções a frente, eventualmente a bola voltaria para o goleiro, quando isso acontecia, Pablo pressionava de forma agressiva forçando a bola longa.

caxirola-bahia-brown-1-originalPressão do São Paulo na saída argentina. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Esse sistema funcionou muito bem no primeiro tempo, no entanto não foi unicamente positivo. Para que o trio de frente pressionasse, o trio de meio precisava prover sustentação, nesse sentido Hernanes foi muito exigido fisicamente. Junta-se o fato de o Profeta não estar ainda em sua plena forma física, e se explica o seu rendimento abaixo do esperado, principalmente no ataque.

O primeiro tempo tricolor foi bom. Além de se defender bem, conseguia chegar a frente. Vencia seus duelos no meio campo e era vertical com a posse, buscando inverter o jogo para surpreender. Assim criou chances, não converteu. A bola viria a punir.

Na volta do segundo tempo, via-se um Talleres mais acertado, com mais coragem para vencer a primeira linha de pressão. Aos 12 minutos, gol do Talleres. Bola sobrada após corte de cabeça de Arboleda e Ramirez acertou um lindo chute. Destaque para o tempo e o espaço que teve o argentino, naquela região da entrada da área a pressão deveria ser mais agressiva.

caxirola-bahia-brown-1-originalMomentos antes do gol do Talleres. Jogadores do São Paulo apenas cercam. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O gol foi um baque para o São Paulo. A responsabilidade de criar foi transferida e o time não lidou bem com ela. Jucilei muito lento em suas ações. Bruno Peres perdido, sem saber se atacava por dentro ou por fora, Hudson oferecendo pouca qualidade no passe e Hernanes desgastado e distante do gol.

Jardine tirou Nenê e colocou Diego Souza. Éverton virou ponta direita, Pablo ponta esquerda e Diego entrou como centroavante. Bruno Peres passou a atacar por dentro assumidamente. No entanto o time não conseguia criar. Jucilei e Hudson demonstraram dificuldade mais uma vez. A alteração de Jardine foi ruim, ofereceu poucas alternativas ao time e não atacou o principal problema: a dificuldade de construir de trás.

caxirola-bahia-brown-1-originalSão Paulo pós-mudança: novo trio de ataque, mais presença de área, mas a criação continua fraca.

Aos 35, Hudson recebeu segundo amarelo e foi expulso, Jardine trocou Hernanes por Willian Farias. Mais uma decisão ruim. Depois da alteração, o time passou a defender em 4-2-3, permitindo superioridade do Talleres pelo meio. A esse ponto o importante era manter o placar e uma organização em 4-4-1 faria muito mais sentido.

Com superioridade por dentro, o Talleres chegou ao segundo gol. Pochettino carregou, tocou em Arias que fez o pivô, Pochettino marcou de fora da área. Mais uma vez, destaque para a ausência de combate por parte dos volantes, permitindo o passe e a finalização.

A derrota é horrível. Depois de um bom primeiro tempo, onde poderia sair ganhando, o São Paulo vai para o segundo jogo com dois gols atrás e sem nenhum gol marcado fora de casa. Uma situação complicada.

Houve-se por aí que Raí há de manter Jardine mesmo com uma eliminação. O autor concorda com a permanência do treinador, no entanto isso não significa que apoia suas decisões e vê seu trabalho como bom.

O trabalho de Jardine até então é fraco. Tem boas ideias, mas toma decisões controversas. Jucilei e Hudson já se mostraram uma dupla demasiado lenta para gerar o jogo e o treinador insistiu em uma partida onde a circulação de bola seria essencial. As alterações também têm sido incoerentes, sempre colocando Diego Souza ao lado de Pablo quando está atrás no placar, como se ter presença de área, mesmo com a construção prejudicada, fosse suficiente. O trabalho está longe de ser bom, no entanto não classifica Jardine como um técnico sem capacidade, de forma alguma.

Existem inúmeras críticas a Jardine, mas é no mínimo simplista demais resumir todos problemas a ele. O planejamento da equipe claramente não foi bem feito. A maior prova disso é que o clube chegou para decidir a temporada com o melhor volante do elenco – Liziero – machucado em uma partida que pouco valia, o segundo melhor volante – Luan – servindo a seleção sub-20 e o craque do time – Hernanes – sem estar em sua plena forma física. Fiquemos atentos aos próximos episódios.

@pedro17galante         

(Foto destaque: Diego Lima/ AFP)

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