Contextos ideológicos no Emirates: ANÁLISE TÁTICA MANCHESTER CITY 3X1 ARSENAL

Por Luiz Martins

Arsenal e Manchester City se enfrentaram no Ettihad Stadium, pela Premier League, com o time de Manchester conquistando mais três pontos, pelo placar de 3×1.

Mas o que podemos assistir neste jogo, de duas equipes que estão em momentos totalmente distintos, em relação a conceitos e formas de se portar em campo, foi O City demonstrando todo o ecletismo ideológico de seu técnico, Pep Guardiola, contra um time ainda embrionário de conceitos e ideias, regido por Unai Emery, ainda adaptando seu modo de pensar futebol no Arsenal, mas já com muitas movimentações interessantes nesta primeira temporada.

Antes de podermos entender quais propostas os dois times demonstrariam na partida, o City empregou uma forte pressão próximo a área do Arsenal e abriu o placar com Aguero. Assim já obrigando o time londrino a alterar seu plano de jogo inicial, tendo que buscar o placar adverso.

CITY1Momento quando o City induz a saída do adversário pelo lado, realizando pressão pós perda, recupera a posse e marca o gol que abre o placar. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Mesmo com o placar a favor, o time de Manchester tinha a bola em seu domínio, se organizava com uma linha de 3 zagueiros (Walker, Otamendi e Laporte), empurrando o Arsenal para seu campo, que se defendia em duas linhas de 4 em um bloco médio, mas ao chegar as proximidades da sua área, Kolasinac saia da sua posição, fazendo pressão em Walker, negando espaços para suas subidas. Dependendo de qual lado a bola estivesse, o time de Unai Emery, fazia algumas movimentações interessantes:

CITY2Pela direita, Iwobi retorna até a linha defensiva, auxiliando na marcação. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

 

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Com a bola do lado oposto, Guendouzi se infiltra na linha de zagueiros, negando espaço e infiltrações por dentro. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com este posicionamento o Arsenal conseguia neutralizar algumas ações do City, se colocar a frente com saídas rápidas em contra-ataque. Assim conseguiu cavar um escanteio e empatar a partida, com um gol de cabeça de Koscielny, contando com a falha de marcação de De Bruyne, que não acompanhou a movimentação da linha de defensores.
A partir deste momento, as propostas de cada treinador começaram a ficar cada vez mais claras. O Arsenal brecando a intensidade do adversário, com muita força física dos jogadores das pontas e marcações individuais pelo centro, com Torreira e Guendouzi, sendo muito ativos nos desarmes e interceptações por dentro e o City sempre controlando o jogo através da posse de bola, com Fernandinho fazendo um jogo de duplo posicionamento, ora como volante ao lado de Gundogan no momento de ataque, ora se colocando como zagueiro, no momento defensivo, fechando muito bem os espaços do atacante que caia pelo seu setor.

CITY4Fernandinho, sem a bola, atuava como zagueiro e com a posse, se posicionava como volante ao lado de Gundogan. Na imagem o momento que ele faz o deslocamento entre posicionamentos. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Outro ponto interessante do City, foi a amplitude gerada por Sterling e Bernardo Silva, que liberavam Silva, De Bruyne e Aguero para se associarem por dentro e trocarem a bola de setor rapidamente, tentando confundir a marcação dos gunners.
Nestas trocas de bola de setor, Aguero, Bernardo e Sterling, sempre buscavam muitas movimentações e trocas de posicionamento, pra confundir a marcação e os dois últimos citados sempre se colocavam no 1×1 com o jogador que estava no setor lateral. Os três se tornaram os principais jogadores da partida, tendo muita agressividade para atacar. Eles são a síntese do que hoje o City pode apresentar nas mãos de Guardiola. Jogadores que demonstram mutações de posicionamento e funções múltiplas em partidas distintas.

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Sterling encontra Aguero livre na área, para finalizar, após realizar desmarque do adversário. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Sterling e Aguero parecem se complementarem a cada dia que passa, sendo decisivos ao longo da partida, conseguindo através de sua grande leitura de jogo, tomadas de decisão e mobilidade, abrindo espaços na defesa adversaria e sempre buscando um ao outro para finalizar. Dos pés dos dois, saíram os dois gols que desempataram o jogo e selaram a vitória do time azul de Manchester em seus domínios.

Mesmo com a derrota, é nítido que Unai Emery, já desenvolve seus conceitos dentro do Arsenal, mas inevitavelmente terá que ir as compras na janela de julho, tendo a incumbência de buscar as melhores peças para melhorar cada vez mais os encaixes de seus conceitos, buscando dias melhores aos londrinos.

@ojunomartins

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