Resumo das 2 primeiras rodadas do hexagonal final do sul-americano sub-20

Por João Vitor Splendore Bonamin

capa sub 20

 

Hoje (4/fev), começa a 3° rodada do hexagonal final do sul-americano sub-20, disputado no Chile. As seleções se enfrentam apenas uma vez; as 4 primeiras garantem vaga no mundial da categoria, disputado em maio/junho, na Polônia. As 3 primeiras vão para o Pan.

A seguir, a classificação momentânea e o resumo dos jogos destas primeiras rodadas.
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1° rodada

Brasil 0x0 Colômbia

Após uma primeira fase decepcionante, na estreia no hexagonal, esperava-se muito mais do Brasil. A equipe não corrigiu os problemas apresentados anteriormente, como a falta de intensidade, profundidade e até ofensividade. Os setores seguiram desconexos e o modelo continuou sendo o posicional (no qual, as posições são o referencial – “a bola vai até elas”).

O Brasil repetiu um mecanismo que utilizara no confronto contra os cafeteros na fase de grupos: marcou num 4-4-2 — espelhando o esquema adversário.

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O 4-4(-2) brasileiro, num lance de perigo da Colômbia. Marcos Antônio fechava pela esquerda

A equipe teve dificuldades para progredir e se viu dominada na faixa central, com a marcação encaixada da Colômbia, que se impôs fisicamente e ganhou quase todas as disputas no setor. Enamorado (ME) era uma importante válvula ofensiva. Outros destaques foram Tolosa e Ortiz. No Brasil, Emerson aparecia bem, chegando bem à linha de fundo.

O jogo foi escasso em chances de gol. No 2T, a Colômbia até levou mais perigo, atacando pela esquerda, com Angulo, que foi contratado pelo Palmeiras recentemente. Igor Gomes entrou bem e sem uma referência (Lincoln, que faz um péssimo sul-americano saíra), o Brasil até melhorou, mas, efetivamente, só assustou em 2 cobranças de falta.

Argentina 1×2 Equador

A Argentina, que teve dificuldades para se classificar, marcando apenas 3 gols na primeira fase, estreou mal, perdendo para o Equador, que teve a melhor campanha da fase de grupos (9pts, 4 de SG) e é a surpresa da competição. Campana (AT), um centroavante móvel, que transita muito bem e tem um bom porte físico e Cifuentes (MC), um meia muito associativo, de falta, foram quem marcaram os gols. Thiago Almada (ME/SA), que nem faz um grande sul-americano, marcou o gol da Argentina, também de falta. Destaque também para Jordan Rezabala (MEI), que fez mais uma boa partida e segue como um dos principais candidatos ao título de craque da competição. Os hermanos ainda não encontraram o 11 ideal.

Venezuela 1×1 Uruguai

A Venezuela, que terminou na 1° colocação do Grupo A, composto por Brasil, Colômbia, Bolívia e pelo anfitrião Chile, abriu o placar logo no início da partida, aos 9′. Sosa (ME/MD), que faz uma ótima competição, cobrou falta – é especialista nisto (marcou 2 belos gols em lances assim) – e Makoun, zagueiro/volante da Juventus, cabeceou firme para marcar. O Uruguai, que terminou em 3° em seu grupo, só conseguiu o empate no 2T, com Nícolas Acevedo (MC), que é muito combativo – pressiona e recupera excelentemente.

2° rodada

Argentina 1×0 Colômbia

Com um gol de falta de Julián Álvarez, atacante do River, que, com a lesão de Ezequiel Barco, deveria assumir o protagonismo da equipe, mas não vinha bem, a Argentina somou seus primeiros 3pts no hexagonal. A equipe teve diversas chances para ampliar, mas não o fez. A Colômbia também desperdiçou boas oportunidades (principalmente com Rivaldo Correa) e segue com o baixíssimo aproveitamento ofensivo – os cafeteros só marcaram 2 gols até aqui.

Equador 0x1 Uruguai

O Uruguai venceu com um gol de pênalti no 2T. Schiappacase, atacante do Atlético de Madrid, que faz um bom campeonato, foi quem sofreu a penalidade, convertida por Facundo Batista. Alvarado-Rezabala-Gonzalo Plata (o último foi contratado pelo Sporting em meio à competição, aliás) até tentaram produzir algo ofensivamente, tomando a iniciativa na equipe equatoriana, mas não tiveram sucesso.

Venezuela 2×0 Brasil

O Brasil começou bem, mais intenso, mais veloz do que em jogos anteriores – num 4-3-3, Rodrygo ficava mais centralizado e Toró e Tetê aceleravam pelos lados. Mas rapidamente isto se perdeu. A Venezuela passou a ter o controle das ações e o controle dos espaços. Novamente, a equipe pifou.

Jan Hurtado (AT), que é também um dos grandes craques do sul-americano, monstruosamente, ganhou de 4 jogadores e bateu cruzado para abrir o placar, na faixa dos 20min. Impressionante como se impõe fisicamente e é potente. Antes, Yriarte já tinha carimbado a trave.

br 3Jan Hurtado, na jogada do 1º gol, em meio a 4 marcadores



No finalzinho do 2T, quando o Brasil tentava pressionar e já demonstrava certo descontrole emocional – cometia muitas faltas – Hurtado marcou novamente, num lance de bola parada. Minutos depois, Rodrygo perdeu a cabeça, deu uma entrada criminosa em Navarro e foi expulso. Vergonhoso o que fizera.

A partida dele foi bem ruim, inclusive. Da equipe, num todo. Talvez o único destaque tenha sido o goleiro Phelipe, que impediu que o placar fosse maior, com, pelo menos, 2 grandes defesas. O Brasil novamente sofreu com a falta de criatividade. A equipe mais uma vez foi superada fisicamente – isso explica também a queda de rendimento de alguns jogadores, como o Marcos Antônio, que não tem muita força física para dividir. Na Venezuela, comandada pelo ótimo Rafael Dudamel, Anzola e Makoun – a dupla de zaga – foram soberanos. O time foi muito bem – principalmente no aspecto defensivo.

Hoje, sem Rodrygo, o Brasil entra em campo às 18h30, para enfrentar o Uruguai. É difícil acreditar em uma melhora, em um resultado positivo. Carlos Amadeu nada faz para mudar esta impressão. E finalizando, um ponto importante, que colabora para este péssimo desempenho: a péssima gestão. A equipe não tem um psicólogo (!). Boas perspectivas? Confesso que não tenho.

@jvsb28

 

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