Posse x Controle – O impasse entre a filosofia e o resultado – ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 1 X 0 FLUMINENSE

Por Ricardo Leite e Jorge Junior

flu capa

Fluminense e Vasco se enfrentaram no último sábado, 02 de fevereiro de 2019, no Estádio Mané Garrincha, pela última rodada da Taça Guanabara. Em jogo, a disputa pela primeira colocação do grupo e a vantagem de enfrentar um pequeno nas semi-finais da Taça Guanabara.
VASCO

Era o confronto de duas equipes que gostam da bola, mas a obsessão de Fernando Diniz pela posse e pelo controle levava a crer que conseguiria ter a bola em grande parte do jogo. E foi o que aconteceu. Apesar da primeira grande chance ter sido vascaína, foi o Fluminense que manteve a posse na maior parte do tempo.

O Vasco, por sua vez, controlou a partida da forma que achou efetiva. E realmente foi. Como explicar? A principal ideia do jogo de Diniz é atrair o adversário para seu campo e, então, explorar os espaços através de passes de ruptura, movimentações e velocidade. E o que o Vasco fez? Limitou sua marcação à intermediária, deixando seus blocos de marcação médio/baixos, e compactos.

O Vasco marcava num 4-4-2, quando em bloco baixo, e num 4-1-4-1 em bloco médio e quando algum atleta ocupava o raio de ação de algum jogador cruzmaltino, o Vasco exercia o combate e uma pequena perseguição. Isso fez com que o Fluminense, apesar de ter a bola, se “limitasse” apenas a rondar a área vascaína, sem conseguir grandes infiltrações ou triangulações.

Por característica, o tricolor atacava prioritariamente pelo lado esquerdo (lado direito de defesa do Vasco), mas Pikachu e Cáceres (com apoio de Raul e coberturas de Werley) tiveram boas atuações defensivas e inibiram as tentativas do Flu. Apesar de forçar por ali, era pelo lado esquerdo vascaíno que o tricolor levava mais perigo. A fragilidade defensiva de Danilo Barcelos mais uma vez ficou evidente, tendo levado a pior na maioria dos duelos. Além disso, Marrony não auxiliava tanto na defesa, já que era peça importante no balanço ofensivo para fazer a transição.

Balanço ofensivo é a forma que uma equipe defende, pensando em contra-atacar. E nisso, o Vasco foi bem. Ao defender, já posicionava, na medida do possível, Marrony espetado e aberto, com Galhardo buscando entrelinha para receberem a bola em condições de puxar os contra-ataques.

E foi assim que Marrony foi o melhor em campo pelo lado do Gigante da Colina. Aliando velocidade, objetividade e talento, o atacante vascaíno foi incisivo e participou das principais chances da equipe. Marrony é um jogador interessante, que possui drible, velocidade, boa proteção de bola e ainda tem como característica a infiltração na área, vem sendo o principal destaque neste começo de temporada, não somente pelos gols.

O que se viu, neste sábado, foi o Valentim montando uma equipe mais preocupada em potencializar o Vasco em cima das possíveis falhas do Fluminense do que em cima das suas próprias qualidades. Assim como buscando se defender de uma forma “diferente”, apenas para gerar mais dificuldades para o adversário, mesmo que não seja sua forma habitual. Fora do padrão, mas pontual. O resultado, apesar das críticas, e riscos (controlados), mostrou que a estratégia foi bem traçada e executada. Apesar de ter tido apenas 36% de posse, a equipe da Colina criou pelo menos quatro grandes chances na partida, com Pikachu, Galhardo, Ribamar e Maxi/Andrey.

Com a classificação em primeiro do grupo, o Vasco enfrentará o Resende, neste domingo, em local a ser definido.

FLUMINENSE

Do lado tricolor, o histórico recente negativo diante do time de São Januário, de 2010 até o jogo deste sábado, foi de 29 jogos, tendo conquistado apenas 6 vitórias, contra 15 do cruzmaltino, além de 8 empates.

E o histórico ruim aumentou após a derrota por 1-0, gol de Yago Pikachu.
Mas como diria o saudoso Nelson Rodrigues: “ Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.”.

Longe de achar que o Fluminense fez uma partida brilhante. Mas, analisando a partida e as estatísticas, percebe-se que o Fluminense foi superior ao Vasco, sendo derrotado no detalhe: o árbitro marcou corretamente o pênalti infantil para os cruzmaltinos, tendo deixado passar o agarrão em cima de Bruno Silva.

O tricolor das Laranjeiras foi ofensivo, jogou como Diniz gosta, com linhas altas, apertando na saída de bola do adversário, com muita troca de passe e movimentações. O resultado desse modelo de jogo permitiu que o time tivesse 64% de posse de bola, treze finalizações em gol (cinco a mais que o rival), 530 passes corretos contra 167 do adversário e oito escanteios (seis a mais que o Vasco).

flu 1Escalação inicial do Fluminense / Escalação final do Fluminense

Diniz postou o time defensivamente com uma linha de bloco médio e por vezes bloco alto, de 4 com Ezequiel, Nathan, Matheus Ferraz e Mascarenhas. Caio Henrique postado um pouco mais à frente dessa linha, e antes da linha seguinte de 4 com Everaldo, Danielzinho, Luciano e Bruno Silva.

Orientação dada de morder na frente ao perder a bola no terço final. Yony, Everaldo e Luciano pressionaram por diversas vezes a zaga vascaína, forçando erros e passes longos.

flu 2

flu 3

A transição ofensiva começava lá atrás  com a saída Lavolpiana (a famosa linha de três) formanda pela dupla de zagueiros e Caio Henrique recuando. Laterais espetados na linha de fundo, dando amplitude. Everaldo pelo meio à esquerda e do outro lado Bruno Silva. A armação era feita por Danielzinho, mais centralizado, e Luciano, que recuava para participar da criação.

flu 4

Com linhas altas e orientação ofensiva, o Fluminense dominou e manteve a posse de bola. E, ao contrário dos últimos anos, essa troca de passes ocorreu muito no terço final do campo, rondando a área Vascaína. Dos 623 passes (530 certos, 93 errados) distribuídos 169 (27%) foram no terço final ofensivo. Para efeito de comparação, o Vasco trocou 230 passes, desses 51 foram no terço final (22%).

flu 5
Passes efetuados pela equipe do Fluminense

flu 6Passes efetuados pela equipe do Vasco da Gama

 

Com a derrota, o Fluminense irá encarar o Flamengo, pela semifinal da Taça Guanabara. E, como diria Nelson Rodrigues: “nas situações de rotina, um pó-de-arroz pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas”. Todos ao Maracanã, sábado às 19h.

Saiba mais através do nosso clube de vantagens!

img-20190202-wa00201284753307.jpg

@analisevasco @jorginhoffc

Anúncios

2 comentários sobre “Posse x Controle – O impasse entre a filosofia e o resultado – ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 1 X 0 FLUMINENSE

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s