Herói improvável — ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 0X1 CORINTHIANS

Por Jhonata Souza e Breno Barbosa

No último sábado (2) Palmeiras e Corinthians se enfrentaram no primeiro Derby do ano. O confronto foi válido pela quinta rodada do Campeonato Paulista de 2019 e o Corinthians saiu com a vitória por 1×0 com o gol sendo marcado por Danilo Avelar. As equipes vieram escaladas da seguinte maneira: Palmeiras: Weverton; Mayke, Luan, Gomez e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima; Carlos Eduardo, Dudu e Borja. Corinthians: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Avelar; Ralf; Vital, Ramiro, Sornoza e Jadson; Gustavo. O Palmeiras atuou no seu já tradicional 4-2-3-1 com os pontas dando amplitude e profundidade ao ataque. Já Carille surpreendeu a todos atuando os 90 minutos no 4-1-4-1 com Vital aberto na direita e Jadson ou Sornoza abertos na esquerda se revezando na recomposição pelo lado de campo.

(Estatísticas do jogo via SofaScore)

As estatísticas descrevem bem o que foi a partida. O Palmeiras com a bola atacando e o Corinthians se defendendo. A escalação de Carille até sugeria uma estratégia de buscar ter mais a bola e propor o jogo, já que na escalação inicial não tinha nenhum jogador que desse velocidade para os eventuais contra ataques. Porém o gol cedo mudou a estratégia do Corinthians. A equipe passou a jogar bem fechada na defesa dando a posse de bola para o Palmeiras que teve muitas dificuldades de furar o ferrolho corintiano. O Palmeiras apresentou novamente o problema de reverter o resultado contra uma equipe bem organizada na defesa. Até pelo fato do adversário ter se fechado na defesa desde o começo do jogo, a equipe de Felipão não conseguiu impor o seu estilo de jogo vertical e não teve a oportunidade de usar dos seus contragolpes para atacar o Corinthians. Isso obrigou o Palmeiras a tentar propor o jogo, mas não conseguiu encontrar espaços por dentro da defesa alvinegra, o que forçava o time a buscar o jogo pelos lados com os pontas, mas aí esbarrava na forte marcação do Corinthians. Em nenhum momento o alviverde conseguiu criar a superioridade numérica pelos lados de campo, quando algum dos pontas recebia sempre tinha de dois a três marcadores do Timão na marcação, nesse quesito em alguns momentos faltou ajuda aos pontas, seja dos laterais ou de algum dos homens do meio campo.

Em alguns momentos, principalmente no primeiro tempo, os pontas conseguiam receber a bola com certa habilidade para partir para cima, só que pouco conseguiram criar. A maioria das jogadas pelo terminava ou em cruzamentos, ou em perda de posse. Carlos Eduardo e Dudu sofreram muito com a marcação dos homens de lado do adversário, só Felipe Pires que conseguiu levar um pouco de vantagem nos duelos contra os laterais. Pela esquerda Vital e Fagner com conseguiram anular qualquer ponta que caia por ali, chegando até forçar Dudu a mudar de lado pois estava muito bem marcado. Na direita os pontas enfrentavam a marcação de Avelar, Jadson ou Sornoza e mesmo sendo o lado mais fraco da marcação do rival, o Palmeiras não conseguiu criar muito por ali, já que Avelar foi bem seguro defensivamente. Além da boa marcação, deu para perceber que Carlos Eduardo sentiu o clássico, tanto que foi substituído no intervalo por Felipe Pires que até teve uma atuação um pouco melhor. Já Dudu novamente teve muitas dificuldades contra o Corinthians de Carille, o treinador corintiano é o que melhor consegue minimizar os estragos que Dudu pode fazer numa partida. Essas dificuldades na criação levaram o Palmeiras a abusar dos cruzamentos na área, o que até era inteligente de se tentar, já que o Corinthians tem muita dificuldade na bola aérea defensiva. Inclusive o Palmeiras ganhou a maioria das bolas aéreas vindas de escanteio, porém nenhuma delas se quer acertou a direção do gol de Cássio, a falta de pontaria foi um dos problemas do time, já que só acertou a direção uma vez num chute de Dudu.

Outro fator que ajuda a explicar a derrota é o fator mental. Os jogadores entraram muito pilhado na partida, qualquer decisão do árbitro já era motivo para revolta dos jogadores palmeirenses. Conforme o jogo foi correndo o Palmeiras foi ficando mais pilhado e isso se viu mais claro no segundo tempo, Deyverson acabou sendo o reflexo dessa parte mental inferior ao Corinthians, pois ele acabou mais uma vez prejudicando o time com os seus momentos sem noção, dessa vez ele cuspiu na cara de Richard na frente do árbitro. Um fator em comum nos 7 clássicos vencidos por Carille no comando do Corinthians e que o Timão foi mentalmente superior em todos. Na partida de sábado o Timão manteve o foco durante os 90 minutos de jogo, nesse quesito ter jogadores como Fagner, Cássio, Ralf e Jadson é fundamental, pois são atletas acostumados aos grandes jogos e que crescem em duelos assim.

Alguns dados sobre o Palmeiras no jogo contra o Corinthians:
• Jogo com mais cruzamentos (53)
• Jogo com mais erros de finalização (27)
• Jogo com menos lançamentos (22)
• Jogo com maior número de passes trocados (513)

O Corinthians foi outra equipe em comparação aos últimos jogos na parte defensiva. A equipe vinha se defendendo no 4-4-2 e sofrendo com os espaços entrelinhas e com uma intensidade baixa na marcação. No Derby o Timão se postou num 4-1-4-1 compacto que pouco deu espaço no meio para o Palmeiras jogar e com muita aplicação tática na marcação, com uma intensidade bem maior do que nós outros jogos e uma entrega em campo que lembrou um pouco os times da primeira passagem de Carille.

Imagem que mostra o 4-1-4-1 do Corinthians no momento defensivo e como a equipe estava bem postada na defesa

No primeiro tempo o Corinthians conseguiu ter um pouco a posse de bola no campo de ataque, como nós outros jogos teve dificuldades na criação das jogadas, a equipe sente a falta de um jogador de velocidade para dar profundidade ao ataque, só que o Timão usou a posse de bola para se defender nesse jogo, e funcionou essa estratégia no primeiro tempo já que o Palmeiras não conseguiu colocar um ritmo de pressão muito grande na defesa do Timão. Nós jogos anteriores a equipe tentava sair jogando pelo chão, mas no clássico optou pela saída em bola longa buscando Gustavo. O atacante fez um grande jogo ganhando a maioria das bolas pelo alto no primeiro tempo, o que permitiu em vários momentos do time chegar ao campo de ataque de forma mais rápida e sem correr o risco de perder a bola na defesa caso tentasse sair pelo chão.

No segundo tempo o Corinthians não conseguiu ter a posse de bola e passou quase todo o tempo bem fechado na defesa de defendendo da pressão do Palmeiras que foi bem maior na segunda parte. Em vários momentos os 10 jogadores de linha do Corinthians estavam todos no campo de defesa em um espaço pequeno, o que impedia o jogo pelo meio do Palmeiras e os forçava a buscar o jogo pelo lado que acabava em cruzamentos para a área na maioria das vezes.

Imagem que mostra os 10 jogadores do Corinthians juntos no campo de defesa

Para que o time conseguisse se segurar na defesa durante boa parte do jogo foi necessário uma grande entrega por parte dos jogadores. Coletivamente o time foi sensacional, mas individualmente alguns jogadores também foram muito bem. Além da partida de Gustavo sendo importante na manutenção da posse de bola no ataque, tivemos uma boa partida de Avelar que além de ter sido o herói improvável da vitória mostrou segurança na defesa. Ralf e Ramiro também fizeram grandes partidas, os dois foram muito importantes para que o Palmeiras pouco conseguisse criar pelo meio da defesa da defesa alvinegra. Porém, gostaria de dar um destaque especial para Vital e Sornoza que surpreenderam a torcida com o nível de entrega e aplicação tática mostrada na partida. O primeiro fez provavelmente a sua melhor partida com a camisa do Corinthians, ajudando bastante Fagner na marcação pelo lado direito até a sua saída por cansaço. Vital conseguiu fazer a equipe não sentir a falta de Romero que nesse tipo de jogo crescia pois sempre entregava muito no momento sem bola. Sornoza não tinha tido um bom começo nos primeiros jogos, mas foi muito bem contra o Palmeiras. Ele foi importante para revezar com Jadson o responsável por fazer a marcação pelos lados e auxiliar Avelar naquele setor. Com a bola nos pés mostrou muita qualidade na batida da bola, seja nos passes ou na falta que originou o lance do gol de Avelar.

Mapa de ações de Sornoza e Vital contra o Palmeiras via Footstats

O Corinthians voltou a apresentar alguns dos mesmos problemas das últimas partidas. A equipe sentiu muito a falta de um jogador que desse velocidade ao contra ataque, tanto que só foi conseguir contra ataques depois das entradas de Pedrinho e Gustavo Silva que deram sangue novo e velocidade a equipe no segundo tempo. Na defesa a bola aérea defensiva continua a ser um grande problema. Se o Palmeiras tivesse com uma pontaria melhor poderia muito bem ter vencido a partida só usando do jogo aéreo mas cobranças de escanteio, já que o Palmeiras levou muita vantagem nesse tipo de jogada.

Algums dados sobre o Corinthians no clássico contra o Palmeiras:
• Jogo com mais finalizações certas (4)
• Jogo com mais lançamentos (51)
• Jogo com menos números de passes trocados (253)

Para o Palmeiras a derrota não deve mudar o planejamento que vem sendo feito até agora de ir rodando a equipe no estadual, mas abre um sinal de alerta, pois assim como foi contra o Cruzeiro na semifinal da Copa do Brasil, o Palmeiras teve muitas dificuldades em criar chances de gol contra o equipe bem fechada na defesa, sem ser na base da bola aérea. Para o Corinthians a vitória significa a retomada da tranquilidade e de confiança para o time. Assim como em 2017 e 2018 a vitória no Derby pode ser o ponto de partida para uma virada de chave no Parque São Jorge.

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