O futebol dourado do Santos – ANÁLISE TÁTICA BRAGANTINO 1 x 4 SANTOS

Por Rodrigo Costa

Quarto jogo oficial na temporada, 100% de aproveitamento, melhor ataque, melhor defesa, futebol de encher os olhos. Esse é o Santos de Jorge Sampaoli. No futebol brasileiro não podemos fazer conclusões precipitadas, portanto devemos analisar com calma o trabalho do argentino até aqui, mas uma coisa é certa, os jogadores compraram as ideias do técnico mais rápido do que o esperado e o resultado está lindo de se ver.

Diante do Bragantino, pela primeira vez na temporada Sampaoli iniciou um jogo com um sistema de três zagueiros (Luiz Felipe, Aguilar e Gustavo Henrique), portanto construindo as jogadas com a chamada “saída de 3” – saída lavolpiana – dando liberdade para os jogadores proporem o jogo, conduzindo e tentando passes de ruptura (quebrando linhas defensivas). Diferente dos primeiros jogos, um dos meios campistas não precisava recuar para buscar a bola, pois ela já saia com qualidade desde a defesa, portanto Alison e Carlos Sánchez (Diego Pituca estava suspenso) ficavam na base da jogada para iniciar a criação da equipe e ajudar na saída sustentada (time tenta criar superioridade numérica na construção com apoio de mais jogadores), com os alas (Victor Ferraz e Copete) dando bastante amplitude e muitas vezes profundidade ao sistema.

dsSaída sustentada do Santos. Fonte: Rodrigo Costa

Santos dominou o jogo, não sofreu sustos, apesar de acabar o primeiro tempo com 3×0 a frente no placar, o primeiro gol só saiu aos 37 minutos com Carlos Sánchez. Tudo era questão de tempo, de acordo com o SofaScore o Santos terminou a primeira etapa com 75% da posse de bola contra 25% do Bragantino. Na criação o Santos se organizava num 3-4-1-2 (variando às vezes para um 3-4-3 quando Jean Mota infiltrava). Os dois atacantes (Derlis González e Arthur Gomes) se mexiam bastante, dando bastante opções de passe e abrindo espaços para as infiltrações de Jean Mota, no momento de criação os três sempre atacavam o espaço pisando na área. Em muitos momentos acontecia um detalhe bastante interessante. Luiz Felipe abria como um lateral direito construtor dando liberdade total para Victor Ferraz aprofundar. Grande partida do zagueiro acertando 91,5% dos passes, com dois passes decisivos, dois cruzamentos precisos e 11 bolas longas (100% de aproveitamento).

dsMomento de criação do Santos num 3-4-1-2 (3-4-3), destaque para as subidas de Luiz Felipe como lateral direito dando liberdade para Victor Ferraz. Além dos três homens da frente atacando o espaço.Fonte: Rodrigo Costa

O peixe organizava-se defensivamente num 5-3-2, com os alas compondo a linha de 5 na defesa. Além do perde-pressiona (jogador que perdia a bola, e próximos, pressionavam rapidamente para recuperar a bola) o Santos fazia pressão alta e intensa, com os meio campistas flutuando de acordo com a posição da bola e após recuperá-la tentar definir a jogada com rapidez no último terço do campo. As bolas paradas defensivas estão chamando atenção. Sampaoli posiciona sua linha defensiva bem alta, marcação mista e todos na ponta do pé – ou saltitando – para reação rápida e com jogadores atacando espaços específicos para o contra-ataque extremamente rápido, como no terceiro gol (além do segundo gol contra o São Paulo). Aula de contra-ataque.

dsOrganização defensiva num 5-3-2. Atacantes começam a pressionar desde o ataque e ficam prontos para o contra-ataque. Fonte: Rodrigo Costa

Destaque para Jean Mota fazendo a inversão de jogo sabendo que teria algum jogador para atacar aquele espaço. Esse é o jogo de posição de Sampaoli, com definição rápida no último terço de campo. Fonte: Rodrigo Costa

O segundo tempo permaneceu como o primeiro, Santos com maior posse de bola, zagueiros construindo o jogo desde trás, destaque também para Aguilar, muitas vezes como um líbero, subindo bastante para encontrar companheiros melhores posicionados. A defesa acabou sendo vazada pela primeira vez em um jogo oficial na temporada após falha de Luiz Felipe por excesso de confiança. Por ser início de temporada, o time acabou abaixando a intensidade com a bola no pé, se defendendo com a posse de bola, onde ficou 79% do tempo com a bola, mais que no primeiro tempo, mas manteve a intensidade sem a bola, pressão pós perda da bola até o último minuto. Destaque também para as diferentes funções que alguns jogadores podem fazer. Após a entrada de Yuri no lugar de Victor Ferraz, Carlos Sánchez foi o responsável pela ala direita.

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Mudança de funções de jogadores, Sánchez de ala direito e Yuri de meio campista. Fonte: Rodrigo Costa

Saliento mais uma vez que estamos no início da temporada, não podemos tirar conclusões definitivas com campeonatos estaduais, além de que o time do Santos precisa de reforços pontuais (lateral esquerdo, centroavante…) para brigar por títulos maiores na temporada, mas de modo geral o futuro promete, pois Sampaoli conseguiu trazer os jogadores para seu lado. Termino esse texto com uma frase de Victor Ferraz ao programa Bem, amigos! do SporTV no último dia 28/01 que exemplifica esse momento: “Ele abre nossa cabeça e coloca o que ele quer dentro.”

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@Costa_rodrigo95

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