Mantendo o padrão – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 3 X 0 JUVENTUDE

Por Maurício Wiklicky

capa

Novo ano, estreia dos titulares, primeiro jogo da Arena, mas o modelo de jogo continua o mesmo, com o mesmo padrão de 2016. Antes de falar desse modelo de jogo, vamos falar um pouco do jogo em si. Em ritmo de treino, o Grêmio mostrou toda superioridade contra o Juventude. Taticamente o mesmo estilo, com a mesma formação no 4231, tecnicamente sem grandes perdas e a diferença abismal, o único ponto que poderia equilibrar seria o ritmo de jogo.

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Posicionamento médio do Grêmio contra o Juventude.
Na escalação, a primeira surpresa para muitos foi a escalação de Julio Cesar como goleiro titular. Julio foi pouquíssimo exigido, nem há como avaliar. Mais dois pontos chamaram a atenção em comparação ao ano passado. Os jogadores o procuravam mais para sair jogando com os pés, ele foi mais participativo que a média de Grohe. Outro ponto foi que por vezes saiu jogando muito mais rapidamente do que se fazia ano passado. Obviamente que é uma visão de um jogo, temos que observar a sequencia da temporada se isso será padrão e se Julio Cesar será o titular. Ele não tem característica de jogar com os pés, e terá que melhorar.

Na defesa tivemos Leo Moura de titular. Ali o Juventude teve as principais jogadas de ataque. Infelizmente não vejo Leo Moura mais como titular (se tivesse 5 anos a menos seria um dos melhores LD em atividade no Brasil), ainda mais com Michel e Maicon de volantes (não são velozes) e Marinho na direita, que tem características opostas de Ramiro. No intervalo Leo Moura sentiu uma lesão e foi substituído por Leo Gomes, que deu mais consistência defensiva e que para mim é o titular da posição. Na zaga tivemos o reserva imediato Paulo Miranda pela direita, deslocando Geromel para a esquerda. Espero que com uma boa pré temporada e sequencia de jogos, Paulo Miranda não sinta caibras no momento decisivo na temporada. Completando a defesa o titular absoluto Cortez.

No meio campo tivemos o time que inicia como titular (Michel e Maicon como volantes, Luan pelo meio e Everton na esquerda). Na direita a dúvida, sem Alisson lesionado e Montoya buscando o melhor preparo físico, Marinho ganhou sua chance. Jogou bem, foi para cima dos adversários, tentava passes para frente e não tão burocráticos para o lado. A única coisa que me incomoda é que entre continuar a jogada ou então parar o jogo para o juiz marcar uma falta, ele escolhe a segunda opção. Dos 74 ataques do Grêmio, 30 foram pela direita, mas apenas uma teve conclusão a gol.

No ataque Jael começa de titular, mantendo a confiança de Renato e até mesmo porque Vizeu não está nas melhores condições fisicas e sem entrosamento. Os dois são diferentes, enquanto Jael busca o combate com o adversário, fazer a parede para tabelar ou receber uma falta, Vizeu busca o espaço vazio. Tenta se colocar sempre atras dos zagueiros dando opção de passe. Um exemplo foi na assistência para o gol de Maicon.

Lances de Filipe Vizeu em sua estreia contra o Juventude.

Mas o grande trunfo do Grêmio, além de muito trabalho e querer ganhar, como disse Renato em entevista pós jogo, é a manutenção do modelo de jogo!

Mas o que é modelo de jogo?

Bom o próprio nome já diz, é como a equipe joga. É como ela treina (e muito) para ter o padrão ideal nas partidas. Vou analisar as quatro fases do jogo de futebol (organização defensiva, transição ofensiva, organização ofensiva, e transição defensiva), com exemplos do jogo contra o Juventude e finalizar com a principal característica desse modelo de jogo do Grêmio. Obs: alguns autores consideram as bolas paradas como uma fase do jogo, porém não analisarei aqui.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

O Grêmio defende desde 2016 com uma linha de cinco jogadores na defesa. Sim, são cinco, pois além dos dois laterais e zagueiros, o extrema (jogador do meio campo que joga mais pelo lado), tem a função de acompanhar o adversário até a linha de fundo. Com isso, o lateral fica na sobra, e muitas vezes entra na área como mais um zagueiro. No meio campo ficam os dois volantes na frente da área, e o outro extrema compõe essa linha. Luan também é outro que volta para compor essa linha de quatro jogadores na frente da zaga, só que com mais liberdade para ficar mais a frente.

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Everton recompondo na linha de cinco jogadores na defesa.
TRANSIÇÃO OFENSIVA

Aqui dois jogadores são fundamentais, Maicon e Luan. Maicon é quem dita o ritmo de jogo do Grêmio. Ele que vai acelerar as jogadas, buscar um contra ataque, ou segurar a bola e pensar o jogo. Luan é o jogador que estará posicionado mais a frente quando a bola é recuperada, buscando o espaço vazio. Porém, devido a sua visão de jogo, ele espera no meio campo a passagem dos extremas para organizar as jogadas junto com Maicon.

contra ataque

Luan e Everton posicionados a frente quando Grêmio recupera a bola. Detalhe da preocupação do técnico Luis Carlos Winck com a falta de marcação.
Outro ponto dessa transição ofensiva é a saída de três ou saída Lavolpiana (homenagem ao técnico mexicano Ricardo La Volpi que desenvolveu essa técnica). Como o nome diz, consiste uma saída de bola com três jogadores (normalmente dois zagueiros e um volante, mas não necessariamente). O Grêmio desde 2016 vem aprimorando a saída, onde Maicon e Wallace faziam isso, e que ficou mais forte com Arthur no time. O objetivo é ter uma saída mais qualificada, abrindo espaço para movimentação dos jogadores do meio campo e atraindo a marcação do adversário. No exemplo abaixo Michel está entre os zagueiros, Luan recua para linha central no espaço vazio, e faz com que Cortez já avance pelo ataque.

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ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Como na transição ofensiva, Maicon e Luan tem papeis fundamentais no ataque. Maicon por aguardar o tempo certo e dar os passes de ruptura (passes que rompem a linha de defesa do adversário). Luan para se movimentar com liberdade, encontrando os espaços vazios para receber a bola, ou então para atrair a marcação que deixa algum companheiro livre. Os demais jogadores mantem seu posicionamento, um dos aspectos do jogo de posição, que falo em outro momento. Se observarmos, o Grêmio sempre busca triangulos de jogadores. Muitas vezes do lateral e extrema com o centroavante, fazendo o pivô, e outras fases com a troca de passes com Luan e Maicon. Michel e os zagueiros ficam mais fixos na defesa, mas obviamente nada os impede de subirem ao ataque quando necessário.

triangulos

A formação de triângulos no ataque tricolor.
TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Quando o Grêmio perde a bola, busca recuperá-la imediatamente. Isso chama-se da pressão pós perda. Claro que o Grêmio não faz uma pressão agressiva, como os times de Jurgen Klopp por exemplo, mas sempre que a perde tenta pressionar o adversário. A marcação se caracteriza como média, como o nome já diz na linha do meio campo (temos também a marcação alta, sufocando o adversário em seu campo, e a marcação baixa, que guarda o adversário em seu campo de defesa). Desde 2016 o atacante e o jogador central marcam a saída inicial do adversário (no caso em 2016 Douglas e Luan, contra o Juventude, Luan e Jael). Maicon e Michel ficam centralizados, com os extremas completando a linha de quatro jogadores no meio. Na defesa, os laterais e zagueiros compõe a outra linha de quatro jogadores, como na imagem abaixo.

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A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA DO MODELO DE JOGO DO GRÊMIO

Posse de bola e passes. Isso que diferencia o Grêmio de outras equipes que podem se utilizar das mesmas características nas fases de jogo. Deixo claro que posse e passe não ganham o jogo, de nada adianta controlar sem ser agressivo e buscar o gol. Contra o Juventude foram 582 passes, com 90% certos, e tendo uma velocidade de 3.5 segundos (momento que o jogador recebe a bola até o momento que o outro jogador recebe a bola). Esse dado de velocidade de passe é fundamental nesse modelo de jogo. Quando mais rápido melhor. Por ser início de temporada é um bom número, porem o Grêmio tem uma velocidade média abaixo de 3 segundos por passe (ou por como alguns consideram, o tempo que o jogador fica com ela no pé).

Quanto a posse de bola, Renato comentou que quem dita o ritmo do jogo é o Grêmio. Em inicio de temporada, mais importante ainda, pois assim o adversário terá que correr atras e se desgastar. Contra o Juventude o Grêmio teve o controle de posse durante toda partida, exemplificando muito bem seu modelo de jogo e seu padrão.

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3 comentários sobre “Mantendo o padrão – ANÁLISE TÁTICA DE GRÊMIO 3 X 0 JUVENTUDE

  1. Parabéns à equipe por suas contribuições para nós torcedores. Depois que segui o Maurício no Twitter percebi mais essas questões dentro das quatro linhas e tenho visto o futebol com outra percepção e mais embasamento para julgar determinadas partidas e comportamentos dos jogadores.

    Fica meu pequeno feedback com o adendo de que consigam fazer uma correção ortográfica antes da publicação, coisas simples que vão enriquecerem ainda mais a página e os conteúdos postados.

    Muito obrigado e sucesso!

    Curtido por 1 pessoa

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