Pressão santista devasta um São Paulo apático – ANÁLISE TÁTICA SANTOS 2 x 0 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

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Havia muita expectativa para o clássico entre Santos e São Paulo. Duas equipes que ainda não haviam perdido no Paulistão e com estilos ofensivos e semelhantes. Naturalmente uma das equipes assumiria uma postura mais defensiva, e essa equipe foi o São Paulo.

Jardine espelhou o posicionamento do Santos para dificultar a criação. Nenê foi deslocado para a esquerda e ao lado de Pablo e Helinho formou o trio encarregado de pressionar a saída de bola do Santos, que fazia a conhecida saída de três, ou lavolpiana, com Alisson “afundando” entre os zagueiros.

dsSaída de bola santista e pressão tricolor. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

E a marcação não foi encaixada só na saída de bola. Éverton acompanhava Ferraz, Jucilei e Hudson encaixavam em Pituca e Sánchez, Bruno Peres subia para marcar Orinho. Reinaldo, Bruno Alves e Arboledacontrolavam Soteldo, Derlis e Jean Mota.

dsEncaixes do São Paulo no momento defensivo. Jardine espelhou o desenho do Santos. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O jogo estava bem travado e nervoso. O Santos tinha mais a bola e conseguia criar algumas chances, embora nada muito claro. Já o São Paulo não conseguia concluir ações ofensivas. Quando buscava manter a posse e estruturar um ataque, a perdia rapidamente graças a intensa e eficiente pressão pós-perda do Santos. E não conseguia acelerar em contra-ataques, já que o principal jogador para tal ação, Éverton, estava muito recuado no campo, incumbido de acompanhar o lateral adversário e o outro ponta, Helinho, ainda em desenvolvimento, não fez boa partida.

O Santos chegou ao gol no final do primeiro tempo, após cobrança de falta. Jean Mota cobrou muito bem e Luiz Felipe se adiantou ao goleiro para marcar. O alvinegro praiano terminava o primeiro tempo a frente.

Na volta para o segundo tempo, Jardine trocou Helinho por Diego Souza. O tricolor paulista abandonou o 4-3-3 para o 4-4-2. O time ganhou presença de área, mas pouco adiantou, uma vez que Jucilei e Hudson demonstraram muita dificuldade para construir de trás.

dsSão Paulo no 4-4-2, na volta do segundo tempo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Respondendo a mudança de seu adversário, Jorge Sampaoli fez duas mudanças: Aguilar e Copete, no lugar de Orinho e Jean Mota. O Santos passou a atuar com três zagueiros, para lidar melhor com a dupla de centroavantes do São Paulo e Copete entrou como ala esquerdo para aproveitar o espaço às costas de Nenê.

dsSantos pós-mudança: um trio para enfrentar Pablo-Diego e Copete de ala, para aproveitar as costas de Nenê. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O São Paulo não apresentou grande melhora, mas conseguia ter um pouco mais de presença no campo de ataque. O jogo clamava por Liziero para ligar os setores, Jardine até chamou o jovem volante, mas mudou de ideia. Uma decisão inexplicável.

Sampaoli trocou Soteldo por Felippe Cardoso. O Santos chegou ao segundo gol em contra-ataque. Alisson deu lindo lançamento, Derlis González driblou o goleiro e marcou. A essa altura faltavam 25 minutos para o jogo acabar, mas um empate sequer já parecia impossível.

Jardine tentou sua última cartada colocando Liziero e Brenner, nas vagas de Nenê e Hudson, mas pouco adiantou. O Santos se manteve intenso e controlou o resultado.

Pelo lado santista é uma ótima vitória, sai fortalecido moralmente e o time cada vez mais assimila os conceitos de Sampaoli. Vale aqui mais um destaque para a pressão pós-perda que foi determinante para o resultado do jogo e durou do primeiro ao último minuto. É um trabalho a se observar!

Pelo lado tricolor a derrota é muito negativa. Jardine não conseguiu fazer com que seu time aplicasse suas ideias. A única boa notícia foi Bruno Peres, o lateral fez uma partida sólida e soma mais alguns bons minutos nessa temporada. Depois de ser muito questionado, pode estar começando a se acertar.

Jardine precisa aprender as lições dessa partida. Nenê pode ser importante sim, mas é pouco intenso. Jucilei e Hudson forma uma dupla de volantes muito burocrática, mantê-los como titulares não faz sentido, ainda mais tendo Liziero pedindo passagem. No próximo jogo Hernanes deve estrear oficialmente, que ajude o tricolor a superar essa derrota e evoluir para a disputa da pré-Libertadores.

@pedro17galante

Foto destaque: reprodução/globoesporte.

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