O mau desempenho brasileiro no sul-americano sub-20

Por João Vitor Splendore Bonamin

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Terminada a fase de grupos do sul-americano sub-20, disputado no Chile. Na terça-feira, o hexagonal-final terá início. O Brasil, que classificou em 2° em seu grupo, enfrentará a Colômbia na 1° rodada. Como estamos? O rendimento tem sido satisfatório? Somos favoritos?

Francamente, estas respostas não são muito positivas…

Primeiramente, este é o time-base:ds

Estes foram os jogadores que tiveram mais minutos em campo. Há variações, sim, mas este foi o esquema predominante. Um clássico 4-3-3, opreferido de Carlos Amadeu, que assumiu a equipe no início do ano passado, após a saída de Rogério Micale.

O técnico conduziu a seleção sub-17 à 3° colocação do Mundial na categoria, em 2017. Antes, trabalhara na base do Vitória e lá, seu principal título fora a conquista da Copa do Brasil Sub-20, em 2012.

Nos seus trabalhos, busca ter o controle das partidas, propondo o jogo. Também tenta formar triângulos com a bola e explora conceitos como a amplitude (jogadores espetados, bem abertos) e a profundidade (com jogadores que chegam à linha de fundo, que fiquem mais avançados, para que a equipe possa progredir no campo e encontre mais espaços), todos relativos ao jogo de posição, no qual, a bola é quem corre (vai até as “posições”).

Entretanto, neste trabalho frente à seleção sub-20, ele ainda não conseguiu ter um desempenho satisfatório coletivamente. Algumas individualidades têm carregado a equipe nas costas. Vinícius Jr, em alguns amistosos no ano passado e Rodrygo e Marcos Bahia, neste torneio, são os maiores exemplos disto.

As partidas:

Foram 4 jogos nesta fase de grupos. A equipe estreou contra a Colômbia, na 2° rodada (o Brasil folgou na 1ª – 5 seleções compunham o grupo) e empatou: 0x0. O posicionamento foi um pouco diferente do citado anteriormente – um 4-4-2 em fase defensiva, com Rodrygo e Lincoln mais à frente e Marquinhos Cipriano e Gabriel Menino fechando pelos lados. O desempenho da equipe foi bem ruim. Igor Gomes, que entrara no 2T, cobrou uma falta na trave no último minuto. Foi a melhor chance do Brasil na partida

ds4-4-2, em fase defensiva

Na 2ª partida, a equipe enfrentou a Venezuela e venceu: 2×1. Rodrygo marcou os 2 gols da equipe. Aliás, o 1º, foi com um bolão de Marcos Bahia, um meia muito refinado, que tem muita visão de jogo. Com a inclusão de Igor, que fora bem na estreia, o 4-3-3 passou a ser o esquema definitivo. O que mudava era o posicionamento dos jogadores. Rodrygo e Marquinhos trocavam de posição constantemente.

Depois, uma derrota para os anfitriões, os chilenos, por 1×0. Mais uma vez, o desempenho foi pífio – principalmente no aspecto coletivo. Uma equipe estática (sem movimentação), sem repertório e até desconcentrada.

Na última rodada, a equipe só precisava de uma vitória para classificar-se, contra a já eliminada Bolívia. Novamente o Brasil teve dificuldade para criar jogadas. O gol saiu de um pênalti sofrido por Rodrygo, que recebera um bom passe de Walce na origem da jogada.

Pontos fortes: as individualidades

Rodrygo, uma joia do Santos que irá para o Real Madrid e é cheio de recursos e Marcos Bahia, contratado junto ao Shakhtar recentemente, com o seu qualificadíssimo passe, são totalmente capazes de desequilibrar jogos. Phelipe, com ótimas defesas, Vitão, defendendo muito bem a área e Walce, qualificando a saída de bola da equipe, também merecem destaque.

Pontos fracos: Finalizações sofridas, a falta de ofensividade, o baixíssimo nível coletivo e as dependências

dsFoto: Reprodução/Opta Javier.

Os dados falam por si só. O Brasil, segundo o @Optajavier, foi a 2° equipe que mais concedeu finalizações (64) – ficou somente atrás da equipe peruana (69). Um número extremamente preocupante. Contra equipes que tenham um maior poder de fogo, isto pode ser fatal.

Quanto à falta de ofensividade, foram só 3 gols marcados (em 4 jogos). Lincoln não foi nada participativo – Papagaio, que até começou como titular na 3° partida, mas saiu ainda no 1T, por uma entorse no tornozelo, quando voltar, merece uma oportunidade. Toró e Tetê também podem render mais do que Marquinhos Cipriano. Ramires, que jogou as últimas duas partidas, pode ser uma alternativa interessante no meio-campo. Os laterais também precisam apoiar mais.

O baixíssimo nível coletivo é, sem dúvidas, o maior problema. Um time estático, sem muito foco, sem muita profundidade, sem muita intensidade, estéril (improdutivo) e dependente de algumas individualidades. Se nada mudar, dificilmente a equipe conseguirá classificar-se para o Mundial e para os Jogos Panamericanos (é preciso terminar entre os 3 primeiros para isto).Finalizando, Carlos Amadeu, numa entrevista recente, disse que ele e seus comandados podem entregar mais. Isto é fato. Alegou que o cansaço acumulado (4 jogos em 7 dias), o calor e o aspecto emocional também interferiram no desempenho. Isto é admissível. E disse que a equipe terá um recomeço na competição. Torçamos: isto é mais do que necessário.

dsRodrygo e Marcos Bahia/Antônio, os destaques da equipe na competição (Foto: Reprodução/Mundo ESPN)

@jvsb28

(Foto: Reprodução/CBF Futebol)

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