A bola rolou, apesar da lama – ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 1 x 1 ATLÉTICO-MG

Por Pedro Morais

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Um clássico marcado com muita troca de farpas entre os setores políticos dos dois clubes antes e depois da partida e o envolvimento ao desastre em Brumadinho, onde houve a tentativa de adiamento da partida por parte do Galo, o recolhimento de donativos e doação de parte da renda pela raposa e homenagens antes e durante a partida. Cruzeiro e Atlético fizeram um jogo morno e abaixo da expectativa no primeiro confronto do ano entre os rivais. Mesmo assim temos que levar em consideração o horário das 11 horas que interfere, e muito, e principalmente que era apenas o terceiro jogo de cada time, tendo pouco tempo de trabalho para os jogadores entrarem em ritmo de jogo e os treinadores colocarem suas filosofias em pratica, principalmente para Levir, que tem bastante nomes novos para essa temporada e bem menos tempo de casa que Mano no Cruzeiro. Por isso vamos aos poucos padrões de jogo observado no Atlético no Superclássico Mineiro.

Jogo começou com os dois times se estudando muito, tinham pouca agressividade, e quando possuíam a bola, a circulavam estudando um ao outro. Galo parecia ter a proposta de tentar ter a bola no início, tentava uma saída curta, mas não tinha muito eficiência para chegar até a fase de criação, e isso se estendeu durante todo o jogo.

A plataforma inicial dos alvinegros partia do 4-2-3-1, com muita movimentação dos jogadores de ataque, e saída cura desde trás. Se posicionavam em um 2-3, com ou Elias, Cazares e algumas vezes Luan retornando para ajudar na saída de bola. Mas quando era o equatoriano, haviam poucas opções de passes verticais, já que Elias pouco infiltrava para ocupar o espaço deixado por Cazares, assim, o setor da bola ficava saturado de jogadores, e a bola mal chegava no terço final do campo.

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O Galo na maioria das vezes tentavacriar a partir do lado direito através de associações entre Cazares ou Elias vindo da base, Luan e Patric. Mas os cruzeirenses sempre tinham superioridade numérica, e essas associações foram pouco eficientes.

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Outra movimentação do setor ofensivo do galo era os pontas flutuarem, Luan estava sempre se movimentando por dentro, já Chará fazia isso apenas quando era o ponta do lado oposto da jogada, mas algumas vezes atravessava o campo para dar densidade no lado direito. Esse espaço deixado pelos extremos era muito pouco aproveitado pelos laterais, deixando fácil o posicionamento defensivo do Cruzeiro para se fechar e roubar a bola.

dsRaro momento em que laterais aproveitam do espaço deixado pelos Extremos que flutuam pelo meio.

Através dos mapas de calor a baixo de cada um, podemos ver como os três meias do Galo são dinâmicos e flutuaram por todo centro do campo.

dsMapa de calor Chará.
dsMapa de calor Cazares.
dsMapa de calor Luan.

Com isso o recurso era sempre a qualidade do camisa 10. As poucas vezes que o Galo conseguiu progresso em um ataque foi pelo equatoriano. Os problemas ofensivos do galo têm de diversos motivos, vai de o pouco tempo de treinamento para uma filosofia do treinador, o bom sistema defensivo do cruzeiro e especificamente nesse jogo, os atleticanos estavam bem abaixo tecnicamente errando muitos passes e fazendo escolhas erradas.

Defensivamente o Galo se postavam ora 4-4-2 ora 4-1-4-1, sempre em bloco médio ou baixo, se perdia a bola no campo ofensivo o portador pressionava e o restante se reestruturavam, e se perdiam a bola através de um ‘’chutão’’, esperavam o adversário tomar a iniciativa.

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A primeira linha se mantém bem compactada entre os que a formam, os laterais são liberados para fazerem perseguições longas, e quando isso acontece ou um volante ou o extremo do mesmo lado o cobre. Principalmente quando se postavam no 4-4-2 faziam uma marcação individual por setor com a segunda linha, gerou alguns espaços entres as linhas de marcação, que poderiam ser melhores aproveitadas pelo rival, porem quando era bem coordenada e os zagueiros sabiam a hora certa de se desgrudarem da primeira linha para proteger o espaço funcionava.

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A grande sacada do cruzeiro para ser superior em quase toda partida foi atrair a o galo para o lado esquerdo através da posse e associações entre Lucas Silva, Egídio e Rafinha, e atacar pelo lado oposto com Edilson aproveitando espaço deixado por Robinho.

O Galo estava com dificuldade em defender seu lado esquerdo, pois Chará não recompunha bem, Adilson tinha que se preocupar com a entrada da área, e acabavam sempre em igualdade numérica com os cruzeirenses daquele lado.

Infelizmente primeiro grande teste dos mineiros para a temporada 2019 se destacou mais pelos acontecimentos inusitados como leões de árbitros, as clássicas polemicas, e rivalidade entre as partes políticas do que o futebol em si jogado dentro das quatro linhas. São dois bons times que têm potencial para trilharem um bom caminho em 2019, esperamos que os próximos capítulos desse confronto sejam mais futebol e menos política nesse ano.

@CruyffTeam

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