Rapidez, mobilidade, liquidez e espontaneidade – O 4-3-1-2 de Pochettino – Parte 3

Por Lucas Mateus Vieira Novais

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No empate com o Barcelona de Valverde

Pochettino de volta ao Camp Nou, palco da sua primeira vitória como técnico profissional, para buscar a classificação no grupo da Champions League. Enfrentando Ernesto Valverde, Mauricio optou pelo seu 4-3-1-2:

O Tottenham começou pecando em um dos seus principais mecanismos desse esquema, os encaixes individuais em bloco alto, tentando anular a saída de bola adversária. No início do jogo, esses encaixes estavam muito centralizados no campo, facilitando que os catalães acionassem os laterais em amplitude com tempo e espaço para progredir.

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Usando do talento de Cilessen, os mandantes foram muito bem em acionar esses homens, principalmente o lateral esquerdo, quebrando assim toda a estrutura do bloco alto rival, porém a partir dos 29 minutos de jogo o Tottenham foi mais efetivo ao realizar tal estrutura, defendendo também os corredores laterais.

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Abrindo um pouco mais dos atacantes e os meio campistas centrais, evitando ceder tanto espaço assim para esses jogadores. Mesmo com esse sistema mais robusto, os comandados de Valverde conseguiram sair com passes curtos e dinâmicos, usando triangulações e aglomerações de pernas próximas da bola, dificultando a marcação alta do time de Poch.

Em bloco médio e baixo o maior problema foi a estrutura passiva da zonal argumentada pelos Spurs, com o talento de Arthur e Coutinho, o Barcelona encontrava situações de conduções e passes criativos com muita facilidade, e isso evidenciava o problema da proteção a área por parte dos visitantes. Haviam retornos de Alli e Son, mantendo apenas Kane na profundidade, para apoiar os blocos:

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Com a bola o time do Tottenham foi bem interessante de assistir, porém com algumas falhas. Na saída de bola e na construção a equipe o jogador mais importante é Harry Winks, organizador, ritmista e a primeira mente da equipe, ele é fundamental para fazer o jogo fluir, desde recebendo no centro de uma linha estruturada com 3 (Winks e os Zagueiros) para dar linhas de passes, quanto à frente dos defensores em linha diagonal ou vertical. Avanços de Walker-Peters eram compensados com movimentações de Sissoko, abrindo o campo na direita, aproximação de Son, Eriksen e Alli para apoiar os demais jogadores.

Quando optava por uma construção longa, a equipe era falha, e por muitas vezes devido ao isolamento do artilheiro Harry Kane, visto que recebia sempre em desvantagem numérica.

No primeiro tempo, o time manteve suas características na criação, as movimentações de Eriksen como meio criativo, os avanços do lateral no setor da bola para apoiar e gerar vantagem, as constantes movimentações e trocas de posição do trio da frente, aproximação de Winks ao setor da bola como opção de retorno. Mauricio tentou espelhar seus mecanismos, mas sem muito sucesso, muito por causa da partida abaixo de Alli e da estrela de Cilessen.

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No segundo tempo o time abordou uma maneira diferente de atacar, aglomerações no lado da posse, associações e movimentação ao máximo, muitos conceitos anti-posicionais usados ao extremo em busca de desequilibrar a defesa rival.

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Buscando com a liquidez e capacidade individual controlar as ações, fundamental Eriksen nessa ocasião.

Depois, com as entradas de Lamela e Lucas Moura, tais conceitos foram ainda mais aplicados, Alli armando mais atrás, junto de Eriksen e Winks, sempre todos os meio campistas próximos do setor da bola, muita movimentação e passes dinâmicos para atingir o objetivo do gol. Buscava ainda mantes os conceitos anteriormente citados.

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Como o time de Poch pratica um futebol muito liquido e muito natural, é muito bom notar a capacidade de tomada de decisão dos seus jogadores. Parte muito do lado natural de cada um. Com esse jogo, os londrinos se garantiram nas oitavas de final da UCL.

Na derrota para o Arsenal de Unai Emery

North London Derby, Emirates Stadium, Pochettino e Emery, Tottenham e Arsenal, dois trabalhos em situações diferentes, Emery iniciando sua jornada em Londres, Poch já com um trabalho solido e bem positivo, vamos aos fatos:

O jogo teve como elemento decisivo a intensidade usada nos blocos altos de ambas equipes e a forma que cada técnico usou para poder fugir das armadilhas de pressões do adversário.

O Tottenham de Mauricio Pochettino não encontrou a medida correta para sua intensidade durante toda a partida, vencido pela construção 3-2, inicialmente (depois, com a alteração do sistema, tivemos o argumento de uma saída posicional, por parte do EmeryTeam), do Arsenal, a equipe não soube como e quando intensificar seus ataques ao portador, facilitando a vida do bloco construtivo do Arsenal, o time parecia confuso em seus “encaixes”, não cortava as linhas de passes corretamente e acabaram superados nesse quesito.

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Já ao contrário dos visitantes, a equipe do Arsenal foi muito bem nesses momentos, combates intensos em quase todo o tempo, corte de linhas de passes, encurralamento do portador, muito combate e tentativa de roubo da bola, buscando sempre roubar em campo alto para definir rápido. Mesmo quando os visitantes tentavam o jogo longo para Harry Kane, os comandados de Emery combatiam bem esses momentos, principalmente o trio de zaga. As armadilhas de pressão feitas em Dier foram exemplares, o meio campista defensivo foi nulo, isso fez com que Eriksen tivesse de se afastar do ataque para tentar construir, isso criou muitas situações favoráveis para os mandantes.

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O defeito da intensidade foi visto também nas transições, enquanto o time do Arsenal tinha uma ótima pós-perda e contragolpes bem verticais, o time do Tottenham falhava na temporização e na reestruturação no momento de perda da bola e apostava em jogo direto totalmente falho quando tentava acelerar.

Tal situação se mostra na péssima atuação dos meio campistas:

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Os blocos médios e baixos foram os mesmos padrões já explicados, porém sofrendo muito com o jogo lateral dos goonerse as infiltrações de Aubameyang. Nada para se destacar.

Na criação e finalização o Tottenham mostrou a seguinte configuração:

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Preocupação com as costas de Aurier, devido a Aubameyang, fizeram com que Sissoko e ele se alternassem entre subidas e coberturas, a mobilidade e trocas de posições do trio da frente foi menor, mas ainda assim presente, retornos incontáveis de Eriksen a base para tentar construir ante tamanha incompetência de Dier com a bola nos pés. O principal ponto foram as jogadas individuais de Son pela esquerda, quando este foi acionado por Eriksen nas costas de Bellerín.

Com as substituições, Emery espelhou o sistema de Poch, forçando duelos individuais, decididos mais uma vez pela intensidade e qualidade individual. Centralizando mais o jogo para Laca e Auba ele conseguiu derrubar a defesa do Tottenham, verticalizar e acelerar sua criação e finalização.

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Foi um confronto onde a intensidade, arma positiva contra o Chelsea, foi fatal contra o Arsenal, o time foi falho e até mesmo infantil nesse quesito. Dier foi um elo fraquíssimo nas situações contrapressão, tão bem elaboradas por Unai. Movimentação saindo do centro para o lado dos seus atacantes, muita mobilidade no meio campo e intensidade imposta ofensiva por Torreira. Grande estratégia.

Emery superou Pochettino em suas maiores qualidades, mostrando ainda que apesar de interessante o sistema se encontra longe de sua capacidade máxima.

Encerramos aqui nosso relatório, ao menos por agora, do Tottenham de Pochettino em 4-3-1-2, um sistema focado em maximizar individualidades e a espontaneidade de seus atletas.

@LucaM008

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