Estreando com classe

Por Pedro Galante

Nesse sábado (19) o São Paulo de André Jardine fez sua primeira partida oficial na temporada de 2019. Depois de perder duas vezes na Flórida Cup, o tricolor paulista venceu bem o Mirassol, com atuações bem distintas entre a primeira e a segunda etapa.

Sem Hernanes, Jardine levou a campo um 4-3-3 com Jucilei de primeiro volante e Nenê e Hudson mais a frente. O time não fazia uma boa partida, não conseguia ser efetivo com a posse da bola. A saída estava muito lenta, o Mirassol se defendia em 4-4-2 com os dois atacantes fechando os zagueiros e os pontas encaixando nos laterais. Jucilei, que era o jogador encarregado de agilizar essa saída gerando superioridade, não se saiu bem, por muitas vezes ficou escondido de trás da primeira linha de marcação adversária.

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Jucilei não cria linha de passe e Arboleda é obrigado a fazer um lançamento. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

A posse de bola foi pouco agressiva por mais dois outros fatores. O primeiro deles foi o quão distante Hudson estava de Jucilei. Jardine quer adiantar Hudson, usá-lo mais a frente, mas isso não significa que o volante deve subir sempre ao ataque. Na verdade, Hudson tem uma função muito importante de ligar setores. Deve atacar sim, chegando a área como elemento surpresa, mas enquanto a equipe estiver saindo com a bola, seu apoio é essencial.

A última questão foi a falta de jogadores por dentro. Tanto lateral quanto ponta, de ambos os lados, estavam atacando por fora. Quando se propõe a jogar pelo meio é preciso acumular jogadores pelo setor, do contrário, criar se torna extremamente complicado.

O Mirassol chegou ao gol aos 12 minutos, quando depois de cruzamento Bruno Peres jogou contra a própria meta. O São Paulo empataria aos 29 minutos, com Anderson Martins cabeceando após cobrança de escanteio.

No segundo tempo, Hudson foi instruído a auxiliar mais a saída de bola, principalmente pelo lado direito. Essa aproximação fez toda a diferença para que a saída de bola fosse limpa e eficiente. Além disso, Hudson se aproximou de Bruno Peres e Helinho, fazendo com que triangulações pelo lado surgissem. Hudson dava apoio, Peres atacava por dentro e Helinho por fora.

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Hudson, Peres e Helinho formando um triângulo pelo lado direito. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Aos cinco minutos, a virada veio depois de ótimo cabeceio de Pablo. Aqui valem dois destaques: o time marcou dois gols em jogadas de bola parada, o que não é comum e pode indicar uma qualidade desse time. O outro destaque é Pablo, o jogador se movimentou de forma inteligente ao longo de toda partida, no lance do gol não foi diferente, tomou a frente do marcador e não deu chances ao goleiro. Ótimo centroavante!

Agora com volume e velocidade, o São Paulo partia para cima. Aos 11, Leandro Amaro foi expulso após falta em Bruno Peres. Nenê acertou na trave, no rebote a bola sobrou, foi cruzada para Reinaldo que marcou.

O time criava muito bem. Fazendo a saída de bola com qualidade, triangulando pelos lados e invertendo o jogo para surpreender. Veja abaixo o vídeo de uma jogada com esses conceitos. O quarto gol veio dos pés de Hudson, que acertou um lindo chute de fora da área.

Jardine trocou Hudson, Helinho e Pablo por Liziero, Brenner e Everton Felipe, respectivamente.

Foi uma ótima vitória para iniciar a temporada. É preciso considerar que o adversário não representa um grande teste e além disso jogou 30 minutos com um a menos. No mais, fica o objetivo de repetir sempre a atuação do segundo tempo e evitar a do primeiro.

(Foto destaque: reprodução/ São Paulo FC)

@pedro17galante

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