Coppa Italia em terras árabes: ANÁLISE TÁTICA JUVENTUS 1×0 MILAN

Por Luiz Martins

 

Juventus e Milan seria apenas mais uma decisão da Supercopa da Itália, que iria atrair o interesse de torcedores das equipes e amantes do futebol. Mas a escolha do local da partida transformou o clássico em motivo de protestos políticos e críticas que fazem o esporte ficar em segundo plano, apesar da possibilidade de Cristiano Ronaldo ou Lucas Paquetá conquistar o primeiro título por seus clubes.

O clássico italiano aconteceu no estádio King Abdullah Sports City, em Jeddah, na Arábia Saudita. O país é um dos mais criticados do mundo por deixar de seguir muitas das recomendações dos direitos humanos, principalmente com as mulheres, gerando diversas explicações e repúdio de muitas pessoas interessadas nesta disputa.Mas como aqui falamos de futebol, vamos a análise da partida.

As duas equipes iniciaram se postando em formações 4-3-3, mas a diferença de propostas era nítida desde o início da partida.
O Milan, bem que tentou buscar a posse de bola, mas demonstrava dificuldades de recuperar a bola no meio-campo, sendo presa fácil para as movimentações da Juve. Realizava uma marcação em bloco médio (marcando mais próximo ao meio-campo), facilitando a construção por parte do clube de Turim. Os meias centrais e defensores rossoneri não encaixaram suas ações defensivas as fortes movimentações do adversário, cedendo muito espaço entre as linhas de marcação. No ataque, Castillejo e Çalhanoglu eram facilmente batidos pela linha defensiva da vecchia signora. As melhores chances do time milanês ocorriam das investidas de Lucas Paquetá, carregando a bola com muita velocidade, apostando em dribles desconcertantes, encontrando seus companheiros com ótimos passes em infiltrações, mas estes pecavam na finalização.

juve1Paquetá era o centro criativo do Milan ao longo da partida (Fonte: instat / Edição: Juno Martins)

A Juventus demonstrava grande consistência defensiva, desde a marcação a saída de bola dos rossoneri, mas com um destaque maior para a última linha defensiva, que entrega uma alta vantagem em suas ações, uma verdadeira muralha, quase intransponível até este momento da temporada. Para atacar, utiliza bastante Pjanic, encontrando jogadores posicionados as costas dos volantes, sendo os principais alvos, Matuidi e Douglas Costa, que se movimentavam bastante no espaço entre volante, lateral e zagueiro, o chamado meio-espaço. Falando de Matuidi, o jogador é quem demonstra um grande destaque neste jogo e no modelo utilizado por Allegri, por demonstrar muita consistência nos dois lados do campo, sendo um jogador que alia técnica e fisicalidade, para defender e ser participativo no ataque.
Além disto os 2 laterais (principalmente João Cancelo pelo lado direito), demonstravam alta participação na continuidade de jogadas, devido aos desmarques e mobilidade dos jogadores de frente, algo que nesta temporada tem se tornado dor de cabeça para as defesas adversárias. Cristiano, Dybala e Douglas Costa (Manduzkic também se comporta assim, quando em campo), demonstram muitas trocas de posicionamento, confundindo os defensores no momento da marcação, dando opções diferentes de atacar aos meias bianconeri, em toda a extensão das entrelinhas adversárias.

juve2Troca de posicionamento dos jogadores da Juve, confundindo a marcação dos defensores do Milan (Fonte: instat / Edição: Juno Martins)

Com estas movimentações a Juve se coloca sempre em ótimas situações de finalização, causando um verdadeiro caos a defesa adversária, mas neste jogo sofreu muito com jogadores em posições de impedimento. O time abriu o placar aos 61 minutos de jogo, pelos pés de Cristiano Ronaldo, que nesta partida não teve grandes ações ofensivas, aliás isto é algo que vem sendo recorrente ao longo da temporada. Vemos um Cristiano muito mais coletivo, sendo mais ativo na construção, do que aquele grande finalizador em seus últimos anos de Real Madrid. Ele ainda possui o faro de gol característico, mas parece querer envolver muito mais os companheiros, através de passes e abertura de espaços, do que o centralizador de todas as ações, sendo o jogador terminal.

juve3Momento do gol da Juve. Cristiano se deslocou da ponta esquerda, se posicionou no centro e ao Pjanic receber a bola pra cruzar, buscou se infiltrar entre os zagueiros, recebendo a bola sozinho pra cabecear. (Fonte: instat / Edição: Juno Martins)

Isso reflete bastante no modo como o time parece se sentir confortável dentro do jogo, não se importando em fazer o mínimo esforço para vencer seus jogos com placares “magros”. Uma característica peculiar desta Juventus, que com a vitória já garantiu uma taça no armário, para si e Cristiano nesta temporada.

@ojunomartins

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