O modelo de Ole Gunnar Solksjær

Por Gustavo Johnson e João Victor Cardoso

jesus risos

Desde que chegou ao Manchester United após a queda de José Mourinho, Solskjaer mudou drasticamente o estilo de jogo dos RedsDevils, acompanhado de bons resultados, já soma 6 vitórias em 6 jogos com 17 gols marcados e apenas 3 sofridos.Um modelo antes conhecido pela exploração de contra-ataques, se transformou em um sistema muito mais propositivo e de configuração sistemática a partir do domínio e aproveitamento das habilidades individuais dos jogadores. Agora, com o treinador noruêgues, percebe-se que os atletas estão muito mais soltos em campo.José Mourinho prendia, amarrava e exigia que jogadores extremamente criativos fossem doutrinados a uma forma totalmente fechada de pensar o jogo. Com Solksjær tudo mudou.

Como diria Heráclito, grande filósofo pré-socrático: “Nada é permanente, exceto a mudança”. O novo treinador alterou radicalmente o estilo, conferindo a jogadores muitíssimo inventivos a liberdade que necessitavam para retomar o bom futebol. Assim, recuperou jogadores em má fase e conseguiu trazer à tona um espírito de grupo que é demonstrado por muita entrega dentro de campo.

Modelo de jogo

Começando pela defesa, ponto que Mourinho dava extrema importância, depois que Solskjaer assumiu ocorreram algumas mudanças. O United passou a ser mais agressivo quando está sem a bola e procura se compactar para diminuir os espaços. Procuram pressionar em bloco alto, caso essa pressão seja vencida, recuam para bloco médio e utilizam alguns gatilhos para voltar a subir o bloco, quando o adversário recua a bola; erro técnico de algum oponente (passe ou domínio), forçam a voltar o jogo e, como uma unidade, sobem a marcação para o campo rival.

Na partida contra o Tottenham, marcaram em 4-3 (primeira linha de defesa + meio-campistas), enquanto Martial e Rashfordpressionavam portador/fechavam linhas de passe e Lingard centralizavapara anular Winks (pivote do Spurs).

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Pode-se dizer que os RedDevils utilizam do conceito de linha sustentada (linha que busca não ser quebrada, não há perseguições nem encaixes individuais, sempre haverá uma linha de 4 fixa), pois quando há a quebra da mesma ocorre a compensação de meio-campista/volante para voltar a sustenta-la.Há compensações em alguns momentos como quando a bola está nas pontas,Matíc recua para o meio dos zagueiros para gerar superioridade numérica e qualitativa dentro da área, visto que o sérvio possui 1,94 de altura. Ander Herrera que vem atuando muito bem, é o responsável por cobrir os apoios de Young/Valencia dando assim mais consistência defensiva ao time.

jesus risosYoung sai para pressionar oponente e Herrera cobre o espaço deixado, Matíc entre os zagueiros.

Quando a equipe vermelha de Manchester perde a posse da bola, buscam ser agressivos para pressionar o portador e fechar linhas de passe para recuperá-la, caso não obtenham êxito, se reorganizam no 4-3-3 em bloco médio.

Partindo para o ataque, a equipeao estar com a posse da bola, busca, normalmente, ativar Pogba para que o craque francês lance transições. O meia recebe e já procura seus pontas e seu atacante em desmarques de ruptura (atacando o espaço atrás da defesa, famoso “facão”). Se essa transição veloz não funciona, Pogba temporiza (segura a bola) esperando seus companheiros se estabeleceram em campo adversário. Feito isso, volta a organizar a equipe, como um armador. Dita o ritmo, promove inversões e estabelece o momento do ataque. Como podem ver, o francês é o principal fator condicionante para arquitetar a equipe em campo ofensivo. Por intermédio de suas ações é que tudo se move. Hoje Pogba é o centro controlador de todo sistema do United.

Mas há inúmeros assessores para que este organizador ative, como:

1) Matić, Herrera e Luke Shaw

Estes 3 permanecem, costumeiramente, na base da jogada.

  • O sérvio é o mediocentro, o volante do balanço defensivo que cobre a subida dos outros.
  • Herrera é o apoiador pela direita. Cobre os avanços do lateral (seja Young ou Valencia) e oferece apoios em momentos de ataque que se utilizam nuances anti-posicionais, como lado forte-fraco (explicaremos mais adiante)
  • E Shaw é o médio-apoiador pela esquerda. Confere peso à base do lado esquerdo, funcionando como opção de retorno para as criações de Martial e Pogba

Passando para uma faixa de campo mais adiantada, temos 3 atletas muito originais, ou seja, promovem desequilíbrios constantes em terço-final, com dribles e velocidade. São eles:

2) Lingard/Juan Mata, Rashford e Martial

  • Lingard/Juan Mata é o ponta-construtor, na maioria das vezes (exceções existem, como no jogo contra o Tottenham que foi centralizado). Partindo da direita, pode cair por dentro e, juntamente de Pogba, criar jogadas, mas com um diferencial: muito mais vertical. Costuma receber entrelinhas e já buscar o atacante fazendo o facão
  • Este atacante é Marcus Rashford. Um dominador dos espaços em progressão e velocidade. Consegue atacar a ruptura com uma rapidez brutal e confere muita mobilidade ao ataque de Solksjær, caindo muito pelos lados.
  • Por fim, Martial. Partindo da lateral do campo, Martial pode desfilar toda sua classe com dribles e passes para Rashford. Além disso cria um grande triângulo associativo/criativo pelo lado esquerdo com Shaw e Pogba.
jesus risosResumo da organização ofensiva do United.

Agora que explicamos os nomes que facilitam a utilização dos mecanismos criados por Ole Gunnar, vamos aos próprios mecanismos e “pequenos sistemas” criados dentro de campo para potencializar estes jogadores:

1) Assimetrias

Solksjær busca a criação de jogadas baseado na aproximação dos seus melhores jogadores. Assim há a criação do supracitado “lado forte – lado fraco”. Enquanto o lado esquerdo é o “forte” contando com superioridade numérica e qualitativa (Shaw, Pogba, Martial, Lingard/Juan Mata) o lado direito é o ” fraco”, liberando o corredor para a corrida do lateral-direito, ultrapassagem de Herrera e ruptura de Rashford (que também pode aparecer no lado forte)

2) Amplitude

Para abrir o adversário o treinador abre seus jogadores. Martial de um lado e Young/Valencia do outro. Assim, quando recebem possuem, normalmente, espaço para progredir e, Martial especificamente, partir para a jogada individual

3) Potencialização dos desmarques de ruptura

Talvez este seja o principal aspecto ofensivo do Manchester United. Com esses ataques de espaço promovidos pelos atacantes, sempre há alguma superioridade locacional. Isso somado às individualidades dos extremas e do centroavante é uma arma poderosa contra as defesas normalmente lentas da Premier League.

jesus risosPasse de Matić e desmarque de Martial.

É cedo para tirar quaisquer conclusões, mas já foi possível perceber o quanto a mudança foi necessária para oxigenar o elenco e retomar a perspectiva vencedora do Manchester United. Com estas alterações, já chama atenção e pode incomodar para conquistar uma vaga no G4 da Premier League e, quem sabe, surpreender o mundo e avançar na Liga dos Campeões.

@gujohnson03 e @jvcardoso05

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