Leão inicia 2019 com o pé direito – ANÁLISE TÁTICA NÁUTICO 1 x 3 FORTALEZA

Por Felipe Holanda e Gêra Lobo

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Para o primeiro teste na temporada, o Fortaleza se saiu muito bem e manteve a filosofia Ceni de atuar: bola no chão. Mesmo com o Náutico subindo bastante a marcação, o Leão não se “acanhou” e conseguiu achar mecanismos propícios para sua saída por baixo na estreia da Copa do Nordeste 2019. Deu pouquíssimos chutões e foi “beneficiado” pelo Timbu estar com um homem a menos durante mais de 70 minutos do jogo, o que resultou em maior facilidade de achar e criar espaços.

Inicialmente postado no 4-3-3 sem a bola e no 3-4-3 com a posse – Josa, o primeiro volante, recuava para fazer a função de terceiro zagueiro –, o Náutico não se encontrou no retorno aos Aflitos. Logo com 37 segundos de cotejo, Junior Santos aproveitou o “cochilo” da defesa Timbu e abriu a contagem a favor do time cearense.

Era o que o Fortaleza precisava para dominar o jogo. A imagem abaixo exemplifica bem a manutenção da filosofia Ceni de bola no chão e trabalho da posse. Os zagueiros abrem, os dois laterais dão amplitude para uma saída mais lateral e a dupla de volantes desce para auxiliar na saída. Isso acaba atraindo o adversário para seu campo, criando espaços na outra metade do campo também.

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Auxílio na saída dos volantes e amplitude dos laterais. Ceni segue impondo suas ideias (Foto: Reprodução/SBT)

O Fortaleza teve como base durante todo o 2018 o esquema de 4-3-3 na fase ofensiva. Muito bem definido, por sinal. Defendendo, usou o 4-1-4-1 durante 90% do tempo, o que funcionou bastante, com Felipe atuando entrelinhas. No primeiro desafio de 2019, o 4-3-3 permaneceu com a bola, mas a surpresa foi um 4-4-2 na fase defensiva, com duas linhas muito bem organizadas, ainda mais falando de um time que treinou apenas 12 dias até a estreia.

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O 4-4-2 na fase defensiva muito bem montado por Ceni. Ederson não aparece na imagem (Foto: Reprodução/SBT)

Um dos lances cruciais da partida aconteceu quando o goleiro Marcelo Boeck requisitou atendimento médico. O capitão Josa, do outro lado, reclamou de forma acintosa e o árbitro puxou o cartão vermelho do bolso, para desespero total dos jogadores do Náutico.

Mesmo em desvantagem numérica, o Timbu diminuiu os espaços e conseguiu equilibrar as ações. Teve chance, inclusive, de chegar ao empate. Mas o Leão, recuado com duas linhas de quatro, segurou o resultado e não perdeu em momento algum o domínio do jogo.

Se o Náutico havia deixado uma boa impressão com um homem a menos no primeiro tempo, o mesmo não aconteceu na etapa final. Com a transição defensiva altamente desorganizada, o time de Márcio Goiano foi pego várias vezes no contra-ataque veloz dos comandados de Ceni.Àquela altura, um outro gol do Fortaleza, mataria o jogo.

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Fortaleza explorando as costas de Assis, lateral-esquerdo Timbu (Foto: Luís Prates/Cortesia)

Foi o que acabou acontecendo. Junior Santos, em outro titubeio do miolo de zaga alvirrubro, fez 2×0 para os cearenses. Éderson, após contra-ataque rápido, marcou o terceiro. No fim, quando a maioria da torcida já havia deixado o campo, Wallace Pernambucano testou para o fundo do barbante de Boeck e fez o gol de honra do Náutico.

Após o apito final, o Timbu deixou o campo de cabeça “inchada” e com a sensação de que precisa evoluir muito para triunfar na temporada. Nomes como o de Hereda, Assis, Camutanga e Luiz Carlos, tiveram atuações para esquecer. Poucos se salvaram. Caso do veterano Jorge Henrique, que fez sua estreia e arrancou aplausos da arquibancada pela dedicação em campo.

No Fortaleza, os grandes destaques individuais ficaram para Felipe, o melhor jogador do time, que esteve, como sempre, bem lúcido nos passes, interceptações e desarmes, e os três estreantes que saíram jogando: Júnior Santos, que marcou duas vezes e mostrou uma mobilidade destacável para um ‘9’, Paulo Roberto, incansável durante todo o jogo, muito intenso e ajudando demais na fase defensiva, e o zagueiro Patrick, que venceu praticamente todas pelo alto e deu uma saída bem qualificada pelo chão também.

O Náutico tinha, antes de a bola rolar, o condicionamento físico como grande trunfo diante do Fortaleza. Treinando desde novembro do ano passado, o Timbu entrara em campo bem mais preparado fisicamente em relação ao adversário. A expulsão precoce de seu capitão, contudo, atrapalhou e muito as pretensões alvirrubras no confronto.

Por ter começado a pré-temporada há menos de 15 dias, o Fortaleza ainda necessita melhorar o condicionamento físico e o ritmo de jogo, já que fez apenas um amistoso antes deste confronto com o Timbu. Porém, a estreia foi muito boa e que dá ainda mais ânimo ao Tricolor do Pici para o restante da temporada, que promete ser dura.

@holandafelipee e @gerinhalobo_

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