Autêntico e intenso –  O APAIXONANTE MODELO DE ATAQUE DO BOURNEMOUTH DE EDDIE HOWE

Por Ítalo Amorim

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Com um pouco mais de 9 anos de clube (somando sua primeira passagem e a atual), o inglês de 41 anos “brincou” de Football Manager e levou um ex-falido Bournemouth a maior liga do mundo, com direito a título da segunda divisão (Foto/Divulgação: Bournemouth).

Para entender como joga a equipe de Howe, é necessário visualizar seus comandados em campo:

  • A 4-4-2:

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A equipe de Eddie se porta numa 4–4–2 de linhas próximas que varia para uma 3–4–3 (A. Smith avança para a linha de meio e o C. Wilson recua como um pivô, existe também a possibilidade do D. Brooks centralizar e o C. Wilson assumir a ala).

Essa variação permite o movimento de “arco e flecha” constantemente, onde o homem que centraliza (exemplos na próxima imagem) funciona como “arco” e os três demais (R. Fraser + J. King + D. Brooks/C. Wilson) funcionam como “flecha”.

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Nessa variação, a peça chave chama-se S. Cook. O zagueiro caí para a direita e funciona como zagueiro-criador, dando liberdade para o avanço do lateral e a centralização do “arco”.

Muitas vezes ele age para quebrar as linhas de ataque e meio do inimigo, restando apenas a linha de defesa adversária contra todo o quarteto ou quinteto do Bournemouth. Com superioridade numérica e transição rápida nos passes, as chegadas do Bournemouth quase sempre são fatais.

Exemplos no jogo:

  1. Cook age como o zagueiro-criador, a jogada chega em Stanilas que rapidamente percebe o avanço do 4° homem do meio (N. Clyne), esse ataca o espaço vazio e, com superioridade numérica (5×4), lança a bola no meio da área.

Nessa outra situação, o S. Cook de novo aparece como zagueiro-criador e o homem central é o J. Ibe. Sem superioridade numérica (4×4), Ibe utiliza de sua velocidade e facilidade em dribles curtos para criar espaços e finalizar, no rebote Mousset erra o gol.

Terceiro momento, o homem central é o Fraser e a jogada chega por meio do Daniels (zagueiro criador pela esquerda), com o ala fazendo o homem central, o C. Wilson tem liberdade para fazer a “flecha” e arranca no meio da defesa adversária para marcar.

Outra característica dessa 4–4–2 do Bournemouth é a capacidade de rotacionar a jogada quando o adversário tem superioridade numérica, com isso o ala que recebe a bola reinicia o jogo no meia-central ou no 4° homem do meio-campo – visando com isso quebrar as linhas adversárias -.

Nessa situação, a “flecha” era o Mousset, que percebe a inferioridade numérica e recua o jogo para o 4° homem de meio (Stanilas). Esse reinicia o jogo com a linha central (D. Brooks e A. Surman).

Com a 4–4–2 re-criada, D. Rico (lateral-esquerdo no lugar do Daniels) ataca o corredor e quebra a linha de defesa inimiga. Com as duas linhas de 4 quebradas, A. Surman encontra Pugh (homem central) que finaliza e marca.

A velocidade das jogadas dos ‘Cherries’ é algo impressionante, a equipe faz essa sequência de zagueiro-criador + homem central (“arco”) + ala/atacante (“flecha”) mais de 5 vezes por jogo. Esse volume fica exposto nos números: a média de finalização no gol do Bournemouth na Premier League é de 4 por jogo, além de uma média de 1.47 gols por partida.

Principal nome:

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Para muitos, o destaque do Bournemouth é Callum Wilson (artilheiro da equipe na PL com 9 gols, além de 5 assistências), pórem, vendo o time comandado por Eddie Howe com cuidado, afirmo com toda certeza que Ryan Fraser é o destaque dos ‘Cherries’ na temporada. 5 gols, 9 assistências e 368 passes dados no campo adversário na Premier League, R. Fraser é o atleta mais eficiente do Bournemouth como “arco” e o segundo mais eficiente como “flecha”, um atleta completo (Foto/Divulgação: Bournemouth).

O conjunto:

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Mesmo sem tanto recurso (o time titular da primeira foto teve custo de +/- € 52.000.000, segundo dados retirados do SofaScore), Eddie Howe montou uma equipe absurdamente competitiva e equilibrada, sendo capaz de ir da Football LeagueTwo (4° divisão) até a Premier League em menos de uma década (Foto/Divulgação: Bournemouth).

Por fim, encerro o texto com palavras do próprio Eddie Howe: “Eu só posso me julgar comparando-me a mim mesmo, assim como também tentando me colocar à prova o tempo todo. Eu nunca serei o mesmo que qualquer outro treinador.”

Autêntico e genial, Eddie Howe é um pedaço inglês na maior liga do mundo.

@italoamorim07

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