A psicologia no futebol

Um dos principais objetivos para 2019, será implantar novos conteúdos e trazer a tona temas que fazem parte do futebol e de esportes de alto rendimento. Darei início a um novo quadro, trazendo entrevistas com convidados de diversas áreas relacionadas ao futebol e demonstrar a importância de ter conhecimento ou ficar ciente sobre essas questões.

O primeiro convidado é Gabriel Mieli Fortuce, 23 anos, natural de Limeira-SP e estudante de medicina em Presidente Prudente-SP. Gabriel se apresenta como um apaixonado em estudar o jogo e seus conceitos, unindo-o com seus estudos na faculdade de medicina, o jovem desenvolveu uma paixão em estudar e aprofundar-se nos conteúdos sobre ciências comportamentais e psiquiatria.

Breno Barbosa: O que são ciências comportamentais e psiquiatria?

Gabriel: Ciências comportamentais são as linguagens corporais das pessoas, como elas agem e os motivos destas ações. Enquanto psiquiatria é a área da medicina que trabalha doenças psiquiátricas.

Como às ciências comportamentais agregam ao futebol?
Esses comportamentos são importantes no futebol, pois cientificamente é comprovado que quando a pessoa tem algum problema psicológico (momentâneo ou de longo prazo), ela tem suas tomadas de decisões prejudicadas. Isso acontece, pois existe uma estrutura no nosso cérebro que chama-se amigdala, ela é a percepção de perigo, quando os estímulos externos passam por ela, você passa a ter uma carga excessiva de cortisol e adrenalina. Defino como uma ação de “luta e fuga”, que ocorre quando o atleta tem um estresse psicológico, isso inibi que ele raciocine rapidamente, fazendo com que tome uma atitude impulsiva. É necessário que o técnico trabalhe seus atletas para se adaptarem com pressões e exercerem apenas o que foi estipulado nos treinos.

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O jogador Fabrício, quando esteve defendendo o Internacional, acabou reagindo às críticas da torcida.

Vídeo: Fox Sports
Entrevista do técnico Paulo César Carpegiani, na época treinador Bahia, após a vitória de 2 X 1 no clássico contra o Vitória. O comandante criticou a postura da sua equipe, após os jogadores recuarem de forma deliberativa, impulsiva e sem ordens de Carpegiani e sofrerem um gol.

Como evitar que os problemas externos tenham influências nas tomadas de decisões dentro de campo?

Os clubes devem ter um suporte para ensinarem os atletas a terem inteligência emocional e desenvolverem esse aspecto com os jogadores. Seria interessante dentro das próprias escolas que os clubes fornecem, terem professores e palestrantes para abordarem esses assuntos. Capacitar e ensinar os jovens desde o início de suas formações. Aliás, deveria ser ensinado a inteligência emocional perante toda a sociedade, mas infelizmente isso não acontece nas escolas do nosso país. Na equipe profissional, é extremamente importante terem uma estrutura por trás da comissão técnica, composta por psicólogos e psiquiatras, trabalhando com terapias individuais e em grupo. Após algumas avaliações, esses profissionais precisam passar fedbacks (informações) sobre cada atleta, dessa forma a comissão técnica deve trabalhar essa vertente, aliado às partes técnicas, táticas e físicas. Infelizmente, poucos técnicos utilizam essa vertente, no futebol brasileiro, essa questão é ainda mais precária.

O que seria inteligência emocional?
É o conjunto de cinco habilidades que envolve reconhecer às próprias emoções, lidar com essas emoções, motivar-se, empatia e lidar com relacionamentos. Tenho certeza que caso os atletas tivessem esses conhecimentos, o processo seria mais simples e nosso futebol menos impulsivo. Pois, focamos apenas em ganhar, não importando nenhuma circunstância ou contexto.

Um exemplo para desenvolver esse comportamento mental?

Um técnico quando desenvolve e planeja uma situação de jogo, poderia convidar atores para ficarem nas arquibancadas e exercerem situações cotidianas das partidas, por exemplo: Vaiar, pressionar e provocar os atletas. Dessa forma, o treinador teria a percepção das atitudes e reações de cada jogador, trazendo a tona uma situação rotineira. Essa peça teatral, iria ajudar na preparação psicológica de cada atleta, deixando-o familiarizado com às provocações que irá receber em uma partida e evitando que isso influencie no seu desempenho dentro de campo. Essa parte da psicologia precisa ter mais ênfase e ser explorada pelas comissões técnicas.

Espero que esse texto contribua para demonstrar a importância de entender o nosso cérebro diante de tudo, inclusive no futebol. Agradeço ao amigo Gabriel por aceitar o convite e passar um pouco dos seus conhecimentos e estudos. Para quem quiser acompanhar mais do trabalho do Gabriel e saber sobre outros temas que desrespeitam a psicologia no futebol e desenvolvimento pessoal na sociedade, siga-o no Instagram @gabrielfortuce.
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Gabriel Fortuce, 23 anos, estudante de medicina e apaixonado pelo uso da psicológica no futebol.

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