Rapidez, mobilidade, liquidez e espontaneidade – O 4-3-1-2 de Pochettino nas vitórias contra o Chelsea de Sarri e o Everton de Marco Silva – PARTE 2

Por Lucas Mateus 

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Um derby de Londres, Mauricio e Maurizio se enfrentando, Tottenham e Chelsea em pleno WembleyStadium, certeza de um grande jogo pela Premier League. Poch sabia da importância de anular a participação de Jorginho na partida, dada a sua importância para o funcionamento da equipe azul de Londres, mas não poderia bobear com Hazard, o belga faz uma ótima temporada e com certeza seria a principal arma dos Blues.

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Ambos foram muito bem anulados pelo PochTeam, e isso se deve a grande estratégia presente no 4-3-1-2 elaborado pela equipe naquela noite. Nesse duelo o ponto mais importante era anular a construção dos adversários e ser rápido no ataque, para atingir esse objetivo, e os demais acima citados, Mauricio apostou em um bloco alto muito intenso e com bastante encaixes individuais, uma estrutura com perseguições de Dier em bloco médio e um bloco baixo com 4-3, em regra, facilitando as transições positivas, defesa-ataque, mas também liquido, afinal Alli e Son poderiam retornar e apoiar a equipe nesse momento, mantendo sempre ao menos um homem, Kane, em profundidade para uma transição.

Vamos focar no bloco alto da equipe, estabelecido com encaixes individuais, aglomeração de jogadores no setor da bola, tentativa de divisão do campo e muita intensidade, o Tottenham foi capaz de anular todas as ações construtivas do Chelsea, roubar bolas, causar situações de perigo ao ser veloz em definir e dificultar a chegada do SarriTeam ao campo de ataque.

Pela direita essa era a plataforma de encaixes mais abordada pelos mandantes:

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Alii encaixava e acompanhava todas as movimentações de Jorginho, mesmo quando seu apoio chegava, Kovacic, estava acompanhado por um jogador dos Spurs, Sissoko. Deixando apenas o lateral contrário livre de marcação, porém com a pressão constante ao portador, era impossível encontrar essa linha de passe.

Pela esquerda, era esta plataforma:

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Aqui havia, em certas ocasiões, um encaixe individual de Eriksen em Jorginho, acompanhamento individual de Aurier em Hazard, para evitar que o camisa 10 achasse os espaços para receber e atacar, e muita intensidade.

Mesmo se ocorresse jogo direto por parte dos visitantes, os mandantes estavam preparados, as boas estaturas de Dier, Toby e Foyth permitiam tranquilidade quanto a essa situação. E mesmo quando este ocorria nos espaços das costas dos defensores, Lloris acompanhava bem no centro e os laterais estava ligado para realizar essa defesa.

Foi assim que Pochettino anulou a grande parte dos mecanismos mais importantes da construção de Sarri, conseguindo criar um ambiente de caos para seus construtores.

Falando da fase ofensiva de jogo, comecemos com a construção dos mandantes, exemplificada no campinho abaixo:

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Pochettino se aproveitou da pressão alta do Chelsea, executou uma saída sustentada com vários mecanismos de atração, como a participação constante de Eriksen e Alli, entre outros, para poder atrair todo o time dos Blues e atacar a profundidade, principalmente nas costas de Alonso, com Son e Kane sempre ocupando aquele espaço, a falta do primeiro gol surge com Kane recebendo nas costas do lateral esquerdo do Chelsea. Há aqui uma característica do Ataque Direto utilizado pela equipe, com diversos lançamentos e bolas longas.

No último terço havia uma espécie de Ataque Rápido, ou Veloz, focado em controlar a dosagem do caos, com muita movimentação, muitos conceitos anti-posicionais, associações dinâmicas e objetivas, trocas de posições e funções, mantinha-se a organização do “1-2”, aproximações de Eriksen pela esquerda, sendo o responsável por acionar o dinamismo da equipe. O lateral do lado em que se encontra a bola era ativo no ataque, enquanto o do corredor contrário ficava na base, essa subida do lateral gerava vantagem numérica e mais possibilidade de associações. Campinho exemplificando essas movimentações:

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Nas transições positivas, o time era muito direto, muitas vezes com passes longos, porém, havia conduções e jogadas individuais, mas nada muito complexo. Nas transições negativas, era pressão de um indivíduo no adversário que se tornou portador, enquanto os outros buscavam reestabelecer a estrutura.

Explicado o confronto com Sarri, vamos agora entender o duelo com Marco Silva.

Acredito que esse tenha sido o jogo mais diferente da Premier League até o momento, no dia do seu 26º aniversário de casamento, Pochettino vence o Everton, fora de casa, por 2×6, realmente icônico. Mas, vamos ao duelo.

Primeiramente, quero destacar uma dupla de jogadores do Tottenham, Sissoko e Winks, como esses dois foram fundamentais nesse confronto, importantíssimos para o sistema, o primeiro se sacrifica pela equipe e vem tendo um desempenho maravilhoso, o segundo é um craque com a bola nos pés, lembrando muito Jorginho:

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Ao contrário do confronto anterior, o ponto mais importante desse é como a equipe criou, encontrou e atacou os espaços, isso foi a chave da vitória, e passa muito pela dupla acima citada.

A saída de bola da equipe era baseada, novamente, em mecanismos de atração, principalmente com Tom Davies, esse que foi a principal vítima desses mecanismos, perseguindo Winks nos momentos errados e gerando espaços para Eriksen. Vamos ao primeiro estilo:

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Uma saída mantendo as posições, atraindo os laterais, e usando de Trippier e Eriksen para encontrar os ataques de Son e Kane na profundidade, também tínhamos Kane se desgarrando da profundidade para ser receptor entrelinhas e distribuir com Alli, quando a situação se complicava para Eriksen, Sissoko e Winks no giro do jogo.

No segundo modelo temos algo bem interessante:

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Por diversas vezes, Everton permitiu que os jogadores da primeira linha construtiva tivessem espaço e tempo, apenas buscando cortar suas linhas de passes e jogar no erro deles, mas Winks entrava no meio dos zagueiros, atraia Tom, criava espaços para Eriksen flutuar e receber com espaço para buscar um passe que levasse a jogada a frente, tudo muito treinado e executado muito bem pelos Spurs.

Havia construções diretas para Kane e Son, sejam nas entrelinhas ou na profundidade, mas eram os mecanismos simples de tais.

Nesse confronto, continuamos com tal mobilidade e liquidez do ataque, mas se destacou a importância de Trippier ao receber e tentar um lançamento para Son ou Kane, sempre encontrando um deles em condições de avançar com a bola, principalmente entre Zouma de Digne. Até mesmo Sissoko se aproveitou disso. Kane também recebia nas entrelinhas e buscava o seu companheiro sul-coreano na profundidade e assim surgiu o 1×1. A imagem abaixo mostra o posicionamento dos jogadores no lance:

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A aproximação dos jogadores na direita para se associarem, destaque para Eriksen, Kane deslocando-se para receber com espaço e tempo, Son pronto para ser lançado em extrema velocidade.

No primeiro tempo, tivemos um ataque definido dessa forma:

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Características de mobilidade e troca de posições entres os três da frente foram mantidas, Eriksen subindo campo pela esquerda, mas se aproximando da direita para se associar quando necessário, Sissoko avançando nas costas da defesa ou abrindo para defender as subidas e centralizações de Trippier, Winks sempre buscando o lado da bola, sendo opção para o passe no corredor contrário, acionando rapidamente um novo mecanismo.

Já no segundo tempo:

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Com a lesão de Alli e a entrada de Lamela, tivemos pequenas modificações: o argentino partia da direita, encontrando o atacando os espaços no centro, como no quinto gol da equipe. Os laterais ficaram mais presos em amplitude e Eriksen mais à esquerda, voltando a base quando necessário.

Defensivamente, chamou atenção a movimentação do trio de meio sempre em direção à zona da bola, gerando superioridade numérica no setor, aumentando a pressão no portador, principalmente em blocos médios e baixos.

Dessa forma os londrinos venceram os seus adversários, com características diferentes em cada uma das partidas, sempre buscando se adaptar ao cenário, muito do conceito de Futebol Liquido. Na próxima parte veremos como o time funcionou na derrota para Arsenal e no empate com o Barcelona.

@LucaM008

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