Jogo de Transições, o Futebol Heavy Metal – Parte 2

Por Lucas Mateus e Pedro Morais

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Momentos de Organização, Zonas Pressionantes e o Ataque Vertical

“Se o time do Barcelona fosse o primeiro que eu vi jogar quando tive quatro anos de idade… ganhando de 5 a 0, 6 a 0… eu teria jogado tênis. Desculpe, mas isso não é o suficiente para mim. Não é o meu esporte. Eu não gosto de ganhar com 80% de posse de bola.”

Nessa segunda parte do nosso conteúdo sobre o Futebol Heavy Metal vamos abordar seus momentos de organização e como eles revolucionam o método de Klopp, com os blocos bem estruturados em zonas pressionantes e o ataque vertical de gatilhos.

Como é obvio, todos os momentos de organização são planejados para que privilegiem as transições, ou implantar suas características.

Organização Defensiva

As Zonas Pressionantes nada mais são que o fechamento do espaço com pressão ao portador, não possuindo a passividade das Zonal tradicional. Basculação, aproximação, intensidade e fechamento de linhas de passes e retornos é fundamental nesse conceito de blocos defensivos.

Ele encontrou um esquema perfeito para seus blocos 4–3–3.

Bloco alto: Pressão intensa e individual na construção, encaixes formados de acordo com o adversário, e um dos meias atacando entrelinhas com algumas perseguições, ou seja, no mínimo 4 jogadores participam intensamente desse momento.

Klopp opta por compactar seu time em um bloco alto, não permitindo espaços entrelinhas, para isso, alguns jogadores devem proteger a profundidade, como mostrado no campinho.

Pode haver encaixes individuais, mas isso é pensado em cada adversário.

Bloco médio: A linha de meio, junto com a de ataque, forma um 3–3,ou seja, 6 jogadores, enquanto a linha de 4 protegendo a profundidade.

Usa intensidade média, individual, e busca fechar espaços no centro, não permitindo profundidade adversária.

Para evitar associações com pontas adversários, é possível que ocorra perseguições dos laterais para não permitir que o Liverpool se encontre em inferioridade numérica no meio campo.

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Bloco baixo: Caracterizada pela intensidade média-alta com sete jogadores, um 4–3.

Os atacantes devem participar fechando as opções de retorno, não permitindo passes para trás, facilitando os encaixes e obrigando o adversário a ir para as laterais.

Além das contribuições defensivas, essa característica permite que os atacantes fiquem descansados para um contra-ataque, além de estarem mais próximos do gol.

Apesar de estranho, só é possível se defender assim com meias bem combativos e em alguns casos, Klopp usa do retorno de seus extremos.

Tanto em Bloco Médio e Baixo é fundamental a capacidade de bascular do meio campo, ou seja, a capacidade de se movimentar entre os lados, visando ocupar a área próxima ao portador. Esse movimento é que permite os encaixes setoriais da equipe, criando coberturas e isolando o adversário.

No 4–2–3–1, a configuração é um pouco diferente:

Bloco Alto: Continua com 4 jogadores, ou encaixes individuais dependendo do adversário, na construção. Nesse caso o “3–1”.

Pressão no portador por fechamento de linhas de passes, fazendo ele rifar ou cometer um erro e cair na armadilha da pressão do Liverpool.

O privilégio aqui é ter todos seus grandes atacantes próximos do gol em caso de roubo da bola.

Bloco Médio: Um 4–4–1–1, com Salah e Firmino dando o primeiro combate, permitindo que eles tentem “dividir” o campo na criação adversária.

Essa divisão é fundamental para delimitar o espaço a ser pressionado, criar encaixes setoriais, principalmente nos lados do campo.

Com eles mais avançados a uma possível associação dos dois, com a velocidade de Mané e Shaqiri, podemos ter 4 participando a transição.

Bloco Baixo: Mantém o 4–4–1–1 para ter as mesmas características do bloco médio, porém direcionando o adversário para as laterais, facilitando os encaixes setoriais e grupais.

Caso ocorra o contragolpe, Firmino sempre sendo o responsável pelos passes, o 10, enquanto Shaqiri, Salah e Mané buscando ser opções em profundidade.

Toda essa organização defensiva do Liverpool é focada em zonas pressionantes sempre com jogadores mais a frente para buscar velocidade na transição.

O segredo para privilegiar esse jogo nas transições é manter a formação original, não desmembrando o 4–3–3 para um 4–1–4–1, por exemplo, ou o mais próximo possível do original, disserto sobre em um de meus textos:

Nessa organização, Klopp buscou estruturar a intensidade da transição ataque-defesa, manter sua característica, de forma gradativa e organizada sempre pensando em um contra-ataque mortal, colocando seus homens em vantagem posicional e numérica, é evidente a utilização de Zonas Pressionantes muito intensas e em todos os blocos. Um bom conteúdo sobre é uma Thread minha (@LucaM008), ainda sobre o 4–3–3.

Lembrando que esses momentos são variáveis, dependendo do adversário e da proposta.

Organização Ofensiva

Klopp busca produzir um ataque vertical, usando de flutuações como gatilhos e a velocidade do trio para os lances em profundidade. O Ataque Vertical nada mais é que um “posicional sem paciência”, busca através de gatilhos ser veloz na definição, respeitando todas as fases desse momento, mas acelerando-as.

O trio de ataque do Liverpool é veloz como uma Ferrari, mas com o transito congestionado eles não conseguem usufruir dessa característica, ou seja, o trio é muito prejudicado em um jogo horizontal, em um jogo mais controlado, mais calmo e de paciência, porém, o Liverpool precisaria propor o jogo nessa temporada, e a resposta de Jürgen pode ser revolucionaria.

Um sistema que usa de amplitude e profundidade ao máximo, a primeira sendo dada pelo posicionamento dos laterais em campo, sempre pisando nas linhas laterais, abrindo e espaçando o adversário. A segunda, essa dada por Salah, não é apenas posicional, mas também em movimentos, afinal ele como referência permite um leque infinito de jogadas em profundidades, como passes de ruptura, infiltrações e lances individuais, Klopp começa a moldar o seu Ataque Vertical, uma nova vertente de um Ataque Posicional, falo sobre modos de atacar em um texto:

Para isso ele usa de um 4–2–3–1, e como usa os laterais abertos, permite que os quatro da frente formem uma unidade no centro, essa unidade é chave nesse momento, pois reúne a técnica ofensiva dos Reds, com deslocamentos de um dos volantes, o outro sendo bem posicional e gatilho vertical da Base.

O posicionamento de Salah mais à direita, permite movimentos de Shaqiri e Firmino, o suíço funciona como um gatilho do jogo nas entrelinhas, se movimentando um pouco mais para o centro (quase no half-space direito), recebendo entrelinhas e tentando o passe vertical, já o brasileiro se mantém nas entrelinhas, ou entra como atacante.

Salah fica posicionado na diagonal direita centro mantendo a profundidade, enquanto Mané, pela esquerda, é mais uma válvula em profundidade, podendo também flutuar.

Nesse sistema Firmino é arco e flecha, lançando e sendo lançado, podendo variar dependendo da situação, o brasileiro virou um verdadeiro enganche.

Esse modo de ataque acontece quando a bola chega no camisa 23, Shaqiri tem uma capacidade absurda e é uma peça fundamental para esse sistema.

Até o jogo contra o Fullham foram mostradas 3 variações desse ataque, irei cita-las e explica-las abaixo:

Variação 1

Nessa variação os alvos são os espaços intralinhas, ou seja, os espaços ente um jogador e outro no sistema defensivo.

A movimentação de Shaqiri na direita-centro, entrelinhas, é o principal gatilho para esse momento.

Existe o avanço de Firmino para sua posição natural, o centroavante, ele busca ser uma terceira opção em profundidade, os laterais fazem amplitude.

Wijnaldum se desloca para as entrelinhas, ou pode decidir continuar na base, e Fabinho centraliza para proteção em caso de erro.

Shaq sempre busca a verticalização, podendo contar com os apoios dos laterais, os movimentos dos meias é para gerar opções em caso de impossibilidade da verticalização do jogo.

Variação 2

Firmino se mantém nas entrelinhas, povoando junto de Shaqiri, nesse momento os laterais podem avançar mais um pouco e Wijnaldum deve permanecer base. Salah e Mané estão novamente atacando os espaços intralinhas em diagonal.

Momento ainda mais veloz que o anterior, afinal, caso Xherdan não seja capaz de verticalizar, Bobby é opção para a condução.

Variação 3

Robertson avança como um ala, abrindo o campo em profundidade, enquanto Trent permanece na base.A dupla de volantes abre para defender o lado de Robertson. Shaqiri e Bobby nas entrelinhas chegando de trás como opção a um cruzamento, o brasileiro dentro da área e o suíço na entrada para a finalização.Para aplicar essas ideias, Klopp buscou opções no mercado de transferências: Naby Keïta, Fabinho e Shaqiri.Naby é um jogador que se destaca pela sua facilidade de condução, drible, passes, deslocamentos, intensidade, capacidade de defesa e inteligência na movimentação. Ele será provavelmente o mais importante dos volantes, entrando na vaga de Wijnaldum, pode dar mais qualidade a esse meio com sua capacidade quebrar linhas de defesas de diversas formas e ter muita qualidade ao pisar nas entrelinhas, é um jogador de classe mundial, um box-to-box, uma espécie de todocampista no estilo Klopp.

Fabinho é um volante com extrema capacidade de verticalizar a construção, apesar de ainda sofrer em momentos contrapressão, o brasileiro pode ser uma arma fundamental graças a sua grande capacidade de encontrar jogadores nas entrelinhas, sendo um gatilho base para o principal nas entrelinhas.Fabinho e Naby já são acostumados a jogar em dupla de volantes, Mônaco e Leipzig eram equipes que abordavam esse tipo de jogo e isso pode ser um indicativo do pensamento de Klopp para os dois.Shaqiri é talvez a contratação mais importante nesse sentido, o suíço tem um aspecto muito mais armador que os outros pontas do Liverpool, afinal Salah e Mané são atacantes pelos lados, enquanto o suíço tem mais característica de meia.A capacidade do camisa 23 de encontrar espaços nas entrelinhas, independentemente de qual, a sua qualidade de passes verticais, inteligência, condução, agressividade e capacidade criativa são armas fundamentais nesse Ataque Vertical, e isso cria para Klopp a possibilidade de revolucionar o conceito.

Visando manter o sistema em todos os momentos, Klopp usa de mecanismos para permitir o posicionamento original dos jogadores nessa fase, construindo em 4–1–2, quando usa o 4–3–3, e 4–2 quando no 4–2–3–1, ocupando todos os corredores e mantendo os jogadores em suas posições.Para buscar verticalidade na construção, Klopp encontrou Gomez, o zagueiro inglês tem uma capacidade absurda de encontrar seus companheiros nas entrelinhas, quase como um armador e passes de ruptura, ou seja, Klopp usa dois tipos de gatilhos, os quais chamei de gatilhos bases e entrelinhas, Gomez e Fabinho são, na maioria das vezes, os base, enquanto Shaqiri é o entrelinhas. Essa mescla de Verticalidade entre Gomez e Shaqiri gerou o gol da vitória do Liverpool contra o Huddersfield.

Robertson avança como um ala, abrindo o campo em profundidade, enquanto Trent permanece na base.A dupla de volantes abre para defender o lado de Robertson. Shaqiri e Bobby nas entrelinhas chegando de trás como opção a um cruzamento, o brasileiro dentro da área e o suíço na entrada para a finalização.Para aplicar essas ideias, Klopp buscou opções no mercado de transferências: Naby Keïta, Fabinho e Shaqiri.Naby é um jogador que se destaca pela sua facilidade de condução, drible, passes, deslocamentos, intensidade, capacidade de defesa e inteligência na movimentação. Ele será provavelmente o mais importante dos volantes, entrando na vaga de Wijnaldum, pode dar mais qualidade a esse meio com sua capacidade quebrar linhas de defesas de diversas formas e ter muita qualidade ao pisar nas entrelinhas, é um jogador de classe mundial, um box-to-box, uma espécie de todocampista no estilo Klopp.

Fabinho é um volante com extrema capacidade de verticalizar a construção, apesar de ainda sofrer em momentos contrapressão, o brasileiro pode ser uma arma fundamental graças a sua grande capacidade de encontrar jogadores nas entrelinhas, sendo um gatilho base para o principal nas entrelinhas.Fabinho e Naby já são acostumados a jogar em dupla de volantes, Mônaco e Leipzig eram equipes que abordavam esse tipo de jogo e isso pode ser um indicativo do pensamento de Klopp para os dois.Shaqiri é talvez a contratação mais importante nesse sentido, o suíço tem um aspecto muito mais armador que os outros pontas do Liverpool, afinal Salah e Mané são atacantes pelos lados, enquanto o suíço tem mais característica de meia.A capacidade do camisa 23 de encontrar espaços nas entrelinhas, independentemente de qual, a sua qualidade de passes verticais, inteligência, condução, agressividade e capacidade criativa são armas fundamentais nesse Ataque Vertical, e isso cria para Klopp a possibilidade de revolucionar o conceito.

Visando manter o sistema em todos os momentos, Klopp usa de mecanismos para permitir o posicionamento original dos jogadores nessa fase, construindo em 4–1–2, quando usa o 4–3–3, e 4–2 quando no 4–2–3–1, ocupando todos os corredores e mantendo os jogadores em suas posições.Para buscar verticalidade na construção, Klopp encontrou Gomez, o zagueiro inglês tem uma capacidade absurda de encontrar seus companheiros nas entrelinhas, quase como um armador e passes de ruptura, ou seja, Klopp usa dois tipos de gatilhos, os quais chamei de gatilhos bases e entrelinhas, Gomez e Fabinho são, na maioria das vezes, os base, enquanto Shaqiri é o entrelinhas. Essa mescla de Verticalidade entre Gomez e Shaqiri gerou o gol da vitória do Liverpool contra o Huddersfield.

É um jogo muito intenso, de físico e velocidade. Unindo isso a capacidade de verticalizar sempre, mesmo em organização, e com marcação em zonas pressionantes, Klopp começa a moldar seu jogo com a verticalidade e intensidade em todos os momentos, algo que apelidei de Jogo de Transições, pois mesmo em organização ele busca aplicar suas características das mudanças de comportamento. Um jogo pautado em verticalidade e intensidade, um jogo alemão, um jogo de Liverpool, um jogo de Klopp.Klopp parece dar o próximo passo para seu sistema e filosofia, fiquem de olho, pois parece ser bem empolgante.

Apreciem, degustem, assistam, analisem, entendam, estudem, compreendam o quão genial é Klopp, um mestre do jogo. Enquanto muitos evitam o caos, ele o usa a seu favor, e é isso que torna esse alemão um diferencial em um mundo de técnicos clichês.VIDA LONGA AO KLOPP ’N’ ROLL.@CruyffTeam e @LucaM008

É um jogo muito intenso, de físico e velocidade. Unindo isso a capacidade de verticalizar sempre, mesmo em organização, e com marcação em zonas pressionantes, Klopp começa a moldar seu jogo com a verticalidade e intensidade em todos os momentos, algo que apelidei de Jogo de Transições, pois mesmo em organização ele busca aplicar suas características das mudanças de comportamento. Um jogo pautado em verticalidade e intensidade, um jogo alemão, um jogo de Liverpool, um jogo de Klopp.Klopp parece dar o próximo passo para seu sistema e filosofia, fiquem de olho, pois parece ser bem empolgante.

Apreciem, degustem, assistam, analisem, entendam, estudem, compreendam o quão genial é Klopp, um mestre do jogo. Enquanto muitos evitam o caos, ele o usa a seu favor, e é isso que torna esse alemão um diferencial em um mundo de técnicos clichês.VIDA LONGA AO KLOPP ’N’ ROLL.@CruyffTeam e @LucaM008

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