O Leeds de Marcelo Bielsa

Por Caio AIves

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Dono de uma curiosa campanha na Championship, na qual o Leeds United, com 51 pontos, é o atual líder do campeonato, Marcelo Bielsa caminha rumo à Premier League e, além disso, espera gravar seu nome na história de um clube que passou a ser querido pelos amantes de ‘El Loco’, assim como foi durante toda a sua carreira.

Bielsa é um histórico treinador. Adeptos do futebol ofensivo, como Pep Guardiola, Juanma Lillo e Jorge Sampaoli, são assumidos fãs do argentino, visto que El Loco fez história por Newell’s Old Boys, Chile e Athletic Bilbao, por exemplo. Todavia, sua carreira torna-se contraditória porque, embora gênio, pensador e perfeccionista, não possui tantas conquistas como aparenta. Exceto por dois Clausuras – 1990-91 e 1992, ambos mais importantes da carreira – pelo Newell’s, o Clausura de 1998 por Vélez Sarsfield, uma Copa Catalunha por Espanyol, também em 98, e um Ouro Olímpico pela Argentina, em 2004, Marcelo Bielsa poucos títulos conquistou por onde passou. Justamente por isso, ainda que seja claro sua soma ao futebol mundial, muitos duvidam e ironizam de sua trajetória e capacidade.

Jogo posicional, saída limpa e destaques individuais

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O Leeds de Bielsa ataca em 4-1-4-1

Não foi necessário muito tempo para notar as ideias de Marcelo Bielsa em seu novo clube. Justamente por isso, foi possível notar, também, jogadores e suas características sendo potencializadas. Pontus Jansson, Adam Forshaw, Mateusz Klich, Ezgjan Alioski e Kemar Roofe são claros exemplos disso.

Em campo, Forshaw é, ao lado do central Jansson (efetivo nos passes verticais), o jogador mais importante da saída de bola do Leeds United – que é executada em 4+1, diga-se. Forshaw possui clara leitura de jogo, se posicionando e preenchendo espaços e distribuindo de maneira vertical. Klich, meio-campista que costuma atuar ao lado de Forshaw, é quem mais se dá bem com a sociedade, visto que, com a distribuição por parte de Adam, Klich é liberado para progredir e pisar na área, ativando sua melhor e mais destacável qualidade.

 

 

 

 

Transição ofensiva do jogo posicional do Leeds

Pablo Hernández e Alioski são dois jogadores muito importantes para o modelo de jogo ofensivo de Bielsa, ademais. Como o Leeds atua com amplitude máxima, os extremos tornam-se essenciais para abrir as linhas adversárias, papéis do próprio Ezgjan (que atua melhor ao pé trocado), bem como Jack Harrison. Enquanto isso, Hernández, entrelinhas, mostra-se somatório ao time – busca jogo na base, distribui bem e é um tanto incansável em campo contrário.

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Kemar Roofe é o protagonista do Leeds na temporada. Além dos bons e significativos números para um atacante – 13 gols em 20 jogos –, é essencial para abrir espaço aos que vêm de trás, como os próprios Klich e Hernández. Roofe mostra-se acima da média para ler, preencher e abrir espaços, visto que é escalado como falso nove de maneira constante.

O Leeds de Bielsa possui mecanismos importantes dentro de sua fase ofensiva. Além dos já mencionados papéis executados pelos jogadores, a equipe costuma atuar em bloco alto, posicionar os laterais em campo rival – ambos atacam por dentro e por fora – e, principalmente, povoar o setor da bola para aproveitar o lado contrário, argumento que Guardiola e Tite utilizam em seus respectivos times.

Perseguições e pressão constante ao defender

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4-2-3-1 no momento defensivo

Marcelo Bielsa tem, em sua fase defensiva, a pressão ao portador como argumento inegociável, não importando o contexto, adversário ou setor. Além disso, o Leeds defende-se através de encaixes individuais, sempre utilizado por El Loco durante sua carreira.

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Roofe, atacante, perseguindo o portador até que o desarme ocorra ou ele se livre da posse

Mesmo com a equipe optando pelo 4-2-3-1 no momento defensivo, é extremamente comum que, utilizando encaixes setorizados, o sistema se modifique e fique irreconhecível em campo. No Leeds, por exemplo, assim como Roofe é capaz de perseguir o meio-campista até a entrada da área, Harrison, o extremo-esquerdo, é capaz de ser visto no corredor direito justamente por perseguir um atleta de outro setor.

Os encaixes, assim como a marcação zonal, possuem prós e contras, mesmo sendo de melhor assimilação por parte dos jogadores. Justamente por perseguir os jogadores adversários por onde forem, acaba sendo ainda mais notório os espaços deixados em campo, ponto bastante negativo oferecido pelo Leeds durante a temporada na segunda divisão da Inglaterra.

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A bem da verdade, o Leeds United e Marcelo Bielsa seguem sofrendo nos momentos defensivos, o ponto mais fraco do treinador. Todavia, com adaptações e um futebol um tanto quanto competitivo e inteligente no aspecto ofensivo, os contras acabam por serem minimizados. Bielsa é daqueles personagens que possuem seguidores pelo carisma criado a partir da própria genialidade. Se o destino mostrar-se um pouco justo, El Loco estará, sim, na próxima Premier League, mas após vencer a Championship com o agora querido Leeds.

@CaioAIves

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