Jogo de Transições, o Futebol Heavy Metal – Parte 1

Por Lucas Mateus e Pedro Morais

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Mudanças de Comportamento, Gegenpressing e Counterattacks.

“Arséne Wenger gosta de jogar futebol, de ter a posse da bola… É como uma orquestra, mas é uma música silenciosa. Eu gosto mais de heavy metal.

Klopp sempre foi um dos que mais admirei nesse mundo do futebol, mesmo quando não pensava e estudava o jogo, mas sempre vi alguns desmerecendo seus trabalhos, pautando como se ele apenas tivesse as virtudes do contra-ataque e nada mais que isso. Essa frase, do próprio, acima representa muito de como ele enxerga o futebol, como interpreta e como sente o jogo. Dito isso vamos a um texto sobre esse, genial, personagem do mundo da bola.

Klopp, um revolucionário do futebol vertical.

Muito conhecido pela agitação, empolgação e seu jeito brincalhão de ser, Klopp é um amante do futebol alemão em sua essência, intensidade, correria, transições e a agressividade, que tanto reinaram por décadas na terra alemã são adaptadas por Jürgen em seu jogo.

Nessa primeira parte abordaremos os momentos de mudança de comportamento, as tão famosas transições.

O Jogo de transição, ou seja, o jogo que se baseia em mudança de comportamento, na exploração destes momentos em que o adversário se encontra em fragilidade, tanto por ter acabado de perder a bola e estar desorganizado defensivamente, ou por ter acabado de conseguir a bola e não ter montado seu bloco ofensivo, ou seja, aproveitar o tempo que o adversário demora para mudar de comportamento.

Um jogo baseado em profundidade, verticalidade, intensidade, agressividade e encurtamento do tempo. Para aproveitar isso ao máximo, Klopp revolucionou 2 conceitos, são eles:

Gegenpressing

Uma pressão grupal ao portador, no momento pós-perda, para a recuperação veloz da bola, com o bloco próximo do centro do jogo fechando as linhas de passe, visando manter as estruturas. O objetivo é simples: roubar a bola o mais rápido possível. Evitando que o adversário encontre sua equipe em fragilidade defensiva ou para percorrer pouco espaço no contra-ataque ao roubar a posse próximo a meta adversária. Esse momento dura 6 segundos e é sustentado por um balanço defensivo.

Caso não seja possível a recuperação positiva da posse, busca uma temporização, ou seja, atrasar o ataque adversário, induzir ao erro, ou ao chute longo.

Para ser realizado, além de grande capacidade física, essa pressão pós-perda exige a Unidade Ofensiva e o Balanço Defensivo.

Unidade Ofensiva — Aproximação dos jogadores no momento ofensivo permite interações entre eles, com e sem a bola, ou seja, permite a pressão grupal sem desestruturar o sistema, imediatamente após perder a posse.

“Quem está perto pra jogar, está perto pra marcar.”

Balanço Defensivo — Jogadores que protegem a profundidade em uma possível transição adversária, ou seja, estão atentos a defender mesmo quando a equipe possui a bola.

Algumas características da pressão pós-perda de Klopp:

  • Superioridade na linha defensiva, no mínimo 3 homens defendendo a profundidade.
  • Meio campo compacto, todos próximos e interagindo entre si.
  • Laterais, principalmente o contrário a pressão, atento a um possível lançamento para o ponta adversário.
  • Sempre deve ter ao menos um jogador pressionando o portador adversário.

Para entendermos melhor, divide-se o campo em três, mostrando as preocupações nessas áreas.

Terço Defensivo

Quando a perda da bola ocorre próximo ao gol aliado, a pressão é imediata e grupal, mantendo ao menos três jogadores na base.

O ponta, meia e lateral contrários devem estar prontos para o contra-ataque, caso ele ocorra.

Deve-se evitar faltas, pela proximidade ao gol, e tentar realizar o roubo da bola, afinal o adversário se encontra adiantado e um contra-ataque pode ser fatal.

Todo o resto deve acompanhar a movimentação vertical, e não apenas os 3 citados acima.

Terço do Meio Campo

No meio campo deve-se pressionar intensamente de forma grupal.

O lateral contrario retorna para base, enquanto o outro quebra a linha e sobe para pressionar. O grupo deve fechar as linhas de passes e buscar roubar a bola, ou induzir o adversário ao erro, o sufocando.

Caso consiga a transição defesa-ataque, o lateral avançado, os meias centrais e os atacantes devem se movimentarem de forma vertical, sempre atacando os espaços e buscando decidir rapidamente (Entre 8 e 12 segundos).

Terço Ofensivo

Nesse momento o objetivo é pressionar e roubar a bola rapidamente, pelo fato de o time estar próximo ao gol adversário, podendo finalizar a jogada em até 5 segundos, ao pegar a defesa desorganizada por estarem saindo para o ataque.

O lateral e o meia central contrários devem se atentar a defesa da profundidade, junto dos dois zagueiros, para evitarem contra-ataques em caso da falha dessa pressão pós-perda.

O primeiro objetivo, em todas as fases, é roubar a bola, para poder iniciar a transição imediatamente, mas busca-se, também, levar o adversário ao erro, ou seja, um chutão, um passe longo errado, uma bola para a lateral e por ai vai, também é importante atrasar o contra-ataque adversário, não deixando que eles encontrem a defesa toda bagunçada e desorganizada. Estratégia inteligente.

Para isso, se pressiona o portador de forma intensa, durante os 6 segundos, além de fechar todas as suas linhas de passe e proteger o deslocamento dos entes pressionantes.

Obviamente é uma estratégia bem arriscada, mas como Klopp diz “Grandes riscos, grandes recompensas”.

Counterattacks

Os famosos contra-ataques, Klopp treina seus times para serem sempre verticais nessas transições, explorar o passe rasteiro pela facilidade do domínio rápido, mas também saber utilizar dos passes pelo alto. Esse momento dura em média 12 segundos, usa 3 jogadores e 5 toques, muita velocidade, precisão e intensidade.

Existem 3 tipos:

Positivo — Quando o novo portador tem tempo e espaço para conduzir, todo o bloco ofensivo desce de forma vertical para serem opções passes.

Positivo com Passes Verticais — Quando há pressão no novo portador, os pontas se movimentam nos espaços diagonais para receberem o passe vertical.

Positiva com Jogada de 3º Homem — Quando o novo portador estar pressionado e não encontra passes verticais, deve-se optar por um pivô de um jogador a frente, na maioria das vezes Firmino, esse deve buscar o meia central, de frente para o jogo e capaz de encontrar a profundidade dos pontas.

Conceitos aplicados até na bola parada, quando Mané e Salah, os dois velocistas do ataque, são a “sobra” para conseguirem acelerar com velocidade.

Positivo com Passes Verticais — Quando há pressão no novo portador, os pontas se movimentam nos espaços diagonais para receberem o passe vertical.

Positiva com Jogada de 3º Homem — Quando o novo portador estar pressionado e não encontra passes verticais, deve-se optar por um pivô de um jogador a frente, na maioria das vezes Firmino, esse deve buscar o meia central, de frente para o jogo e capaz de encontrar a profundidade dos pontas.

Conceitos aplicados até na bola parada, quando Mané e Salah, os dois velocistas do ataque, são a “sobra” para conseguirem acelerar com velocidade.

Nesse momento entra muito do Firmino em sua versão 10, ele sempre é o organizador dos contra-ataques, pela sua noção de posicionamento, capacidade de passes em ruptura, inteligência de movimentação, e condução vertical, simplesmente essencial a função do brasileiro nessa situação.Tais conceitos foram criados para privilegiar as transições, momentos de mudanças de comportamentos, mas com a evolução do jogo e a necessidade de implementar essas características a suas organizações, sejam elas defensivas ou ofensivas, fez com que ele criasse novas formas para sua equipe defender e atacar, formas essas que já influenciam o mundo todo.Essa foi a primeira parte do nosso material sobre o Jogo de Transições de Jürgen Klopp, no próximo vamos tratar de seus momentos de organização, onde ele busca impor essas mesmas características e privilegiar seus jogadores, ou seja, intensidade ao defender, verticalidade ao atacar.
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