A orquestra de Pep Guardiola derrota o Heavy Metal de Jürgen Klopp – ANALISE TATICA DE MAN CITY 2 x 1 LIVERPOOL

Por Lucas Mateus e Breno Barbosa

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Pep Guardiola e Jürgen Klopp protagonizam, sem dúvidas, o melhor embate entre técnicos da atualidade, o Jogo de Posições do catalão contrasta com a intensidade, velocidade, e explosão do Futebol Heavy Metal do alemão. Dessa vez, Liverpool é o líder do campeonato e o City é quem precisa vencer para chegar próximo e abrir o campeonato.

Manchester City

Com o desfalque do lateral/volante Delph, que cumpriu suspensão e contando com Kevin De Bruyne, no banco de reservas retornando de lesão, o técnico PepGuardiola levou a campo uma equipe com novas peças e montou uma estratégia para vencer o Liverpool.

Guardiola optou pelo 4-1-4-1, com Danilo tomando a posição de Walker na lateral direita, o zagueiro Laporte atuou improvisado pela lateral esquerda e Bernardo Silva compôs a linha de meio-campistas.

ab003fe3-49d1-4695-839e-70c2906876b5Imagem: SofaScore

O campinho acima demonstra em qual zona atuou cada jogador do City:

No 4-1-4-1, Danilo foi umlateral base (manteve a atenção na marcação e proporcionou pouca opção no apoio); Laporte também ficou na base, porém fez perseguições mais longas; Fernandinho foi o médio central, responsável por dar o equilíbrio entre às linhas; Bernardo Silva atuou próximo de Fernandinho e sendo opção para uma saída apoiada; David Silva tinha a missão de ser o terceiro homem; Sterling buscou afunilar no corredor interno; Sané foi responsável por dar amplitude/profundidade; Aguero recuou para participar das jogadas. Blocos próximos e compactos, para facilitar as associações e triangulações.

Na primeira etapa, o City teve 56% da posse de bola, entretanto apenas duas finalizações. A equipe de Guardiola gosta de realizar o jogo posicional (cada jogador mantém sua posição e espera a bola chegar em seu setor), o Manchester utilizou uma saída 3-2, com participações do goleiro Ederson, a ideia era ter Fernandinho nas entrelinhas e explorar os espaços, em alguns momentos, Bernardo Silva encostava no camisa 25 e tornava-se opção para o passe.

whatsapp image 2019-01-03 at 12.48.29Saída 3-2 do City, com Fernandinho e Bernardo Silva nas entrelinhas.

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Fernandinho na entrelinha e centralizado, tem liberdade com a posse e inicia a construção ofensiva. Cada companheiro guarda posição e espaçam o campo, enquanto Bernardo Silva movimenta-se na entrelinha.

Outro fator importante do City, foramas triangulações pelos lados do campo, gerando superioridade e vencendo os duelos.

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Danilo (lateral direito), Bernardo Silva (médio interno direito) e Sterling (ponta direita) estavam próximos e trocando passes curtos, até gerar o espaço e avançar com a posse.

A marcação foi variada entre bloco alto/médio, a equipe de Manchester intercalava entre subir às linhas ou pressionar a partir do seu campo, dessa forma proporcionou pouquíssimo espaço pelo centro para seu adversário.

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Marcação alta, com pressão no portador da bola e superioridade na zona da bola.

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Marcação média, com o bloco fazendo a aproximação e diminuindo os espaços.

O jogo estava equilibrado, até que nos últimos minutos do primeiro tempo, Bernardo Silva deu profundidade com a bola e foi até a linha de fundo, o meia fez o cruzamento e Aguero antecipou seu marcador e abriu o placar, após lindo arremate.

Na segunda etapa, o City manteve o controle nos minutos iniciais, entretanto sofreu o empate, justamente na jogada que Guardiola tinha muita preocupação. Pelos lados do campo, com os dois laterais, o Liverpool fez a construção do gol de empate.

City sofreu o gol de Firmino, que estava livre dentro da área. Entretanto, a falha foi na marcação do lateral Robertson, pois Sterling não fez a recomposição e Danilo estava vigiando outro adversário e deixou espaços em seu setor.

O gol da vitória, foi construído em um contragolpe rápido e com passes curtos. Sterling avançou com a posse e encontrou Sané dando amplitude, o extremo estava livre e teve tempo para finalizar no cantinho do goleiro Alisson e colocar sua equipe novamente a frente do placar.

Com o resultado a favor, o técnico Guardiola mexeu na equipe e recuou suas linhas, formando blocos sólidos e impenetráveis. Pep não sentiu “vergonha” em atuar de forma reativa e com às linhas baixas, deixando o adversário com a posse.

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City manteve o esquema 4-1-4-1, porém todos atrás da bola e defendendo-se com muita intensidade e obediência tática.

Liverpool

Klopp enviou seus comandados a campo, incialmente, no seu 4-3-3, que o levou a 3 vitorias consecutivas contra os comandados de Pep na temporada passada.

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O alemão apostava no controle do jogo pela intensidade de sua marcação e velocidade de seu ataque, mas não foi bem isso que aconteceu, o time parecia sentir o cansaço e não apresentou um ritmo tão intenso que o permitisse controlar o jogo dessa forma.

Como de costume, Liverpool iniciava a sua marcação ainda na área adversária, com um bloco alto bem estruturado e visando evitar a participação de Fernandinho na partida, a primeira linha de atacantes cortava os passes de progressão, permitindo que os zagueiros rodassem a bola entre si, Firmino e Henderson sempre estavam atentos quanto a Fernandinho, Milner e Wijnaldum subia para pressionar caso o lateral de seu lado recebesse a bola:

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Quando tínhamos uma defesa mais atrás no campo, os Reds buscavam se fechar com duas linhas de quatro, isso acontecia com o ponta do lado da bola, na maioria das vezes Sadio Mané, retornava para a altura da linha de 4 jogadores e apoiava a defesa.

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O time usava seu famoso sistema de aproximação do meio campo para a setor da bola, fazendo uma unidade móvel da zona pressionante, visando criar superioridade numérica para roubar a bola, junto das perseguições dos laterais aos extremos, era um mecanismo bem positivo e efetivo da equipe.

O Manchester City também optou por fazer pressão alta no campo, como de costume da equipe azul de Manchester, como regra, Liverpool demonstrou dois argumentos a tal situação, o primeiro, uma saída posicional, mantendo os jogadores nos seus espaços, com Henderson a frente da dupla de zaga organizando e dando ritmo a essa situação.

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O segundo, Wijnaldum se apresentava na direita e era apoio a construção, formando uma 3-1, um losango na saída de bola, para dificultar os encaixes dos mandantes.

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Basicamente, essas eram as movimentações da construção do Liverpool:

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Liverpool executou sua proposta razoavelmente bem, a falta de intensidade dificultou muito a realização desse sistema, mas sofreu com os detalhes, 11 milímetros mais precisamente, permitindo que o City abrisse o placar em uma falha grotesca de Lovren, ao permitir que Aguero se adiantasse ao seu movimento.

No segundo tempo, Liverpool realizou sua proposta baseada em ataques laterais, usando da amplitude fornecida por Trent Alexander-Arnold e Robertson, para atacar a defesa dos mandantes, nesse mecanismo surge o gol de empate do Liverpool, graças a boa circulação de bola e ao talento de Arnold.

Liverpool sofreu muito para defender a área, principalmente Lovren e Trent, o jovem inglês mais no primeiro tempo, e o 2×1 surge exatamente de uma dificuldade ao defender pelo zagueiro croata: Em duvida de daria ou não o bote em Sterling, ele acabou dando espaço para que Aguero atacasse suas costas, atraindo Trent e permitindo que Sané recebesse com espaço e tempo para criar o lance do gol.

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Destacar também que a pós-perda do Liverpool não foi bem efetuada e com isso o City criou bons contragolpes.

No fim do jogo, Klopp optou um 4-4-2, para manter Salah próximo do gol e ter Sturridge ao seu lado, porém a equipe não conseguiu empatar e acabou perdendo o jogo e sua invencibilidade.

@LucaM008 e @12Brenobarbosa

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Um comentário sobre “A orquestra de Pep Guardiola derrota o Heavy Metal de Jürgen Klopp – ANALISE TATICA DE MAN CITY 2 x 1 LIVERPOOL

  1. O Liverpool defendia, num primeiro momento, formando um 4:3:3, com Mané, Fermino e Salah na primeira linha, mais adiantada, só discordo quanto ao extrema que acompanhava o lateral para fechar a segunda linha de 4, pois o Faraó não recumpunha, deixando a cargo do Wijnaldum essa função, o que por vezes facilitava a construção dos citizens por aquele setor. Sobre o City, também o vi num 4:1:4:1 bem desenhado, embora o narrador insistisse num 4:3:3, mas cito isso só para ressaltar que a parte numérica é apenas um componente do todo. Me chamou atenção a forma como o City marcava a saída de bola, desenhando quase um 4:1:2:2:1, com Fernandinho centralizado, avançando os dois interiores e, por vezes, deixando os extremas atrás deles com Aguero adiantado, numa clara preocupação em congestionar o meio e assumindo o risco de oferecer os lados do campo. Quem disse que D. Pep não sabe jogar de forma reativa?

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