Merengues voltam com o Mundial de Clubes sem um “REAL” desafio – ANÁLISE TÁTICA REAL MADRID 4 x 1 AL-AIN

Por Vinícius Lodi

Abilío Team

O título do Mundial de Clubes serve como um alento para a retomada da confiança do Real Madrid nas competições europeias após começo de temporada irregular? Aparentemente não. O torneio organizado pela FIFA não é observado pela imprensa do velho continente como importante, muito menos os jogadores costumam ter esta percepção. A participação é vista como política e a retórica apresentada deixa bem clara esta interpretação.

O capitão Sérgio Ramos disse em entrevista antes da final contra o emiradenseAl-Ain que o nível apresentado pelos clubes que disputam a cada ano fica cada vez mais próximo. Talvez os candidatos sul-americanos pudessem dizer isso: já são quatro eliminações para equipes africanas e asiáticas nesta década. A diferença dos europeus para os demais continua grande.

O começo do Mundial

Em campo, os merengues sobraram contra os japoneses do KashimaAntlers na semifinal, apesar de não ter atuado perto do melhor que poderia oferecer. O resultado veio a partir do desgaste físico no segundo tempo do adversário. O primeiro gol ao fim dos 45 minutos iniciais atordoou o rival. Bale decidiu o jogo. Posicionado à esquerda dava amplitude e criava junto com Marcelo jogadas em associação. Também aparecia como referência, mais próximo de Benzema.

Abilío TeamBale parte da lateral, enquanto Marcelo centraliza. O galês arquiteta junto ao brasileiro a tabela e utiliza sua explosão física para infiltrar no espaço aberto. (Arte: Vinícius Lodi)

O Kashima priorizava na posse de bola a construção de jogadas a partir da trocas de passes, triangulações e movimentações que geravam associações. Jogando desta maneira pouco conseguiu ser incisivo à meta de ThibautCourtois. Apesar da baixa estatura média, uma jogada aérea ocasionou o temor madrilenho no início do jogo. Diferentemente da primeira etapa, o segundo tempo foi marcado pela intensidade moderada, o cansaço e falhas (marcação em zona distante). O seu merecido gol veio ao final.

A final

Assim como os japoneses, o time dos Emirados Árabes Unidos começou a partida pressionando ‘losblancos’ e quase abriu o placar em uma falha de Marcelo. O técnico croata Zoran Mamic quis dar ao seu melhor jogador tecnicamente, o brasileiro Caio, mais liberdade para participar da criação de jogadas e em finalizações. O artilheiro sueco Berg resguardava um posicionamento fixo.

Já o Real Madrid apresentou novas variações. Lucas Vazquez e Dani Carvajal se destacaram em jogadas ao darem amplitude e criarem com velocidade infiltrações e associações pelo lado direito. Antes mais preso, à frente dos zagueiros, Marcos Llorente desta vez se apresentou em jogadas ofensivas. Ajudava na compactação se posicionando próximo de jogadores mais avançados e até mesmo adentrou na área adversária.

Gareth Bale não foi a referência pelo lado esquerdo. Teve participação na faixa pelo lado, mas buscava a centralização. Em tese, o galês ocuparia o espaço em que Cristiano Ronaldo se posicionava, porém ele também recuava à linha do meio.

À frente, Benzema não teve sucesso nas finalizações, mas tentava ao máximo estar perto de onde a jogada era construída e cooperava na função de pivô, e dessa forma veio o primeiro gol, quando Vazquez buscou o meio e o francês ajeitou para que Luka Modric pudesse dominar e chutar de canhota.

Abilío TeamCruzamento de Vazquez preciso para o domínio de Benzema, que, de costas para o gol, conseguiu atrair dos jogadores do Al-Ain e ajeitar para que Modric dominasse com espaço para finalizar. (Arte: Vinícius Lodi)

Os outros gols merengues surgiram da bola aérea. No segundo, todos os jogadores do Al-Ain estavam dentro da área, o que deixou Llorente livre para pegar o rebote e acertar um canudo direto para as redes.

Abilío TeamLlorente esteve livre, já que na cobrança de escanteio os dez jogadores de linha do Al-Ain estavam dentro da área. O volante estava pronto para o rebote. (Arte: Vinícius Lodi)

Pouco depois, Sérgio Ramos aproveitou jogada ensaiada e anotou o terceiro tento.

Abilío TeamInteligentemente, Sérgio Ramos se posiciona sem marcação e aproveita o corredor aberto por Benzema para correr em direção à bola com liberdade e acertar a cabeçada. (Arte: Vinícius Lodi)

Defensivamente a equipe se portava em bloco médio. Os galácticos não precisavam imprimir muita pressão para recuperar a bola e trabalhar. Kroos e Modric comandaram a partida na distribuição e na busca inteligente por espaços. Caio era o único jogador do Al-Ain, àquela altura, que conseguia penetrar com a bola no pé nas linhas defensivas madrilenhas.

Já na reta final, quando o troféu era questão de minutos até o apito final, o Al-Ain conseguiu uma falta distante da área, mas que poderia ser uma boa oportunidade para arriscar. O cruzamento de Caio foi à cabeça de Shiotane com perfeição.

Abilío TeamBenzema não se adequou ao encaixe na marcação de Shiotane e viu o japonês se antecipar e concluir de cabeça para o gol de honra do Al-Ain (Arte: Vinícius Lodi)

Na busca por um segundo gol e a vida no torneio, o Al-Ain tentou adiantar as linhas para pressionar a saída de bola adversária, mas o cansaço da reta final dificultaram os movimentos nesta busca. Com a defesa espaçada, viu o lançamento de Marcelo para Vinícius Jr., que infiltrou na área e contou com o desvio de Nader para colocar ponto final ao placar.

Abilío TeamMarcelo observou a passagem de Vinícius Jr. e lançou explorando a velocidade do compatriota frente à defesa adversária cansada e mal posicionada, que tentava adiantar a linha na busca pela compactação. (Arte: Vinícius Lodi)

Campeão do Mundial de Clubes pela sétima vez na história, o Real Madrid não teve nenhum desafio para superar seus adversários orientais. O técnico argentino Santiago Solari colocou o que acreditava ser o melhor que tinha em campo e repetiu as escalações. Enquanto se defendia, Bale e Vazquez recuavam para auxiliar e na organização ofensiva ambos foram partes fundamentais para as vitórias.

O que está por vir para Solari? Resta descansar e se preparar para o embate contra o Villarreal em La Ceramica. Uma sequência difícil de jogos em curto espaço de tempo está por vir em La Liga e Copa do Rey. Não há a certeza de que o clube estará pronto, mas essas “mini-férias” podem ser o que Santi precisa.

@ViniciusLodi_

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