Os Números Finais do Brasileirão 2018

Por Rafael Maciel

O Brasileirão 2018 foi emocionante e após muitas edições, voltamos à ter um campeonato disputado com 3 ou 4 equipes brigando pelo título até as últimas rodadas.

Muitos torcedores acabam atribuindo o equilíbrio do campeonato com a queda do nível das equipes brasileiras, entretanto, não podemos negar que Palmeiras, Flamengo, Inter e São Paulo (equipes que mais lideraram o campeonato) fizeram uma bela disputa pelo primeiro lugar (até a 36º rodada). Além disso, se não fosse a campanha espetacular (e fora da curva) do Palmeiras de Felipão, essa disputa ficaria ainda mais equilibrada.

Este Brasileirão serviu para nos comprovar que a análise dos treinadores vai muito além da velha comparação “Modernos x Velha Geração”. Dentro da equipe mais rica financeiramente e tecnicamente, o campeão Palmeiras saiu de um treinador da Nova Geração (Roger Machado) para o treinador brasileiro mais Old-School da atualidade (Felipão): e não precisamos nem dizer o quanto essa troca deu certo. Porém o fato do Palmeiras ter se reencontrado com Felipão, não significa que o técnico Roger Machado não tenha seus méritos, mas significa que (no mínimo) o Felipão soube analisar melhor o elenco que tinha em mãos e planificou um modelo mais adequado e coerente com seus jogadores… e os jogadores assimilaram com maestria.

De maneira semelhante, presenciamos este comportamento com o Athlético Paranaense, porém de modo mais suavizado, pois as características Felipão x Roger são muito mais antagônicas que Diniz x Nunes. Fernando Diniz tem por característica o objetivo de um Modelo Padrão, que prioriza uma extrema posse aliada a um grande volume de troca de passes. Por um período, até que o modelo perdurou, mas após encontrar as primeiras dificuldades, devido à baixa profundidade e volume ofensivo da equipe no Brasileirão, Diniz não resistiu e o jovem treinador gaúcho, Tiago Nunes assumiu com extremo sucesso a equipe. Manteve a característica de circulação de bola, mas trouxe muito mais equilíbrio entre a solidez defensiva e o volume ofensivo para a equipe.

Outra questão importante que este Campeonato Brasileiro nos proporcionou, foi em relação à 4 grandes trabalhos de treinadores durante o ano, conforme imagem abaixo:

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Independente da opinião sobre o nível da competição, tivemos um Brasileirão repleto de conteúdo e os nossos números irão nos ajudar a demonstrar isso!

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Através da nossa parceria com o Instat, foi possível também conhecer muitos dados importantes do campeonato:

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  • MOMENTO DOS GOLS:
    • 58% dos gols marcados foram no 2º tempo;
    • Mais precisamente, 25% de todos os gols do campeonato, foram marcados nos últimos 15 minutos de jogo!
    • Ou seja, no campeonato, geralmente aquela pressão nos últimos minutos e a pressão psicológica pelo término do jogo, contribuem para a ocorrência de gols!
  • ZONA DOS GOLS:
    • 83% dos gols marcados foram dentro da área;
      • Palmeiras foi a equipe que mais marcou gols dentro da área (51)
      • Palmeiras também foi a equipe que mais marcou gols de fora da área (13)
ismoFonte: Relatório Instat
  • MOMENTO DOS GOLS:
    • 58% dos gols marcados foram no 2º tempo;
    • Mais precisamente, 25% de todos os gols do campeonato, foram marcados nos últimos 15 minutos de jogo!
  • CONSTRUÇÃO DOS GOLS:
    • Os ataques que foram convertidos em gols, duraram em média 13,8 segundos;
      • Flamengo foi a equipe com os ataques de gols mais “lentos” (23,6 s)
      • Paraná foi a equipe com os ataques de gols mais “rápidos” (7,7 s)
    • Em média, nas jogadas com gols, foram trocados 4,5 passes;
      • A equipe que mais circulou a bola nas jogadas de gols foi o Atlético MG (8)
      • A Chape foi a equipe com gols em jogadas mais diretas (2,4)
    • 66% dos gols com bola rolando do campeonato, foram em Ataques com Troca de Passes
      • Flamengo foi a equipe com mais gols em jogadas trabalhadas (26)
    • 34% dos gols com bola rolando do campeonato, foram em Contra-Ataques
      • Atlético MG foi a equipe com mais gols em contragolpes (19)
    • 35% dos gols com bola de bola parada do campeonato, foram em Escanteio
      • Palmeiras foi a equipe com mais gols em jogadas de escanteio (12)
      • CIRCULAÇÃO DE BOLA E POSSE:
        • A Posse de Bola média do campeonato foi de 27,5 minutos por equipe;
          • Grêmio é que apresentou maior posse de bola por jogo (32,75 min)
          • Paraná foi a equipe que menos ficou com a posse (24,46 min)
        • O Tempo Médio de Posse das equipes no Campeonato foi de 14,7 segundos;
          • Grêmio é que apresentou maior média de posse (18 s)
          • Chapecoense ficou com a menor média (12,6 s)

      • PERDA DE POSSE E RECUPERAÇÕES
        • A distância média do gol adversário no momento perda de posse foi de 38,6 m;
          • São Paulo foi a equipe que perdia a posse mais próximo do terço final (36 m)
          • Corinthians foi a equipe que perdia a posse mais longe do terço final (40 m) ismo
        • A distância média do gol adversário no momento recuperação de posse foi de 76 m;
          • Bahia foi a equipe que apresentou recuperações mais próximas ao terço final (74 m)
          • Paraná foi a equipe que recuperou a posse mais distante do terço final (78 m)

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      Além dos excelentes números fornecidos pela Instat, nós do MW, montamos nossa própria base de dados, com todos os jogos do campeonato (conforme scouts fornecidos pelo site Whoscored). Deste modo, após o fechamento do campeonato, o resumo estatístico do campeonato ficou da seguinte forma:

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    • Conforme nossa base de dados foi possível retirar algumas conclusões interessantes, baseada nos scouts:

      • Posse de Bola – Não necessariamente ter mais posse ao final do jogo, significa vitória!
        • Em 30% dos jogos venceu quem teve mais posse (Vitória de quem teve Mais Posse/Total de Jogos);
        • 42% dos jogos com vencedores (desconsiderando empates), foram vencidos por quem teve maior posse;

      • Finalizações Certas – Pontaria no ataque, contribuiu mais para vitória do que ter a posse!
        • Em 49% dos jogos venceu quem teve mais finalizações certas que o adversário;
        • 69% dos jogos com vencedores (desconsiderando empates), foram vencidos por quem teve mais finalizações certas;

      • Conversão de Gols – Qualidade para converter suas finalizações em gols, é a chave do sucesso!
        • Em 67% dos jogos venceu quem teve maior Conversão de Gols (Gols / Finalizações);
        • 94% dos jogos com vencedores (desconsiderando empates), foram vencidos por quem teve maior índice de conversão de gols;

      • Cruzamentos – Dependendo do contexto, é sinal de desespero para a derrota!
        • Em 36% dos jogos perdeu quem teve mais cruzamentos;
        • Em 51% dos jogos com vencedores (desconsiderando empates), os derrotados tiveram mais cruzamentos que o adversário!

      As equipes de destaque do campeonato (positivo ou negativo), terão seus relatórios publicados logo abaixo:

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    • 3º equipe com maior % Conversão de Gols / 2º equipe com maior % de Passes Chaves / 2º equipe com maior média de Finalizações Certas / 2º equipe com maior índice de Pressão na Bola.

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    • Equipe com maior Índice de Pressão na Bola / Equipe com maior média de Finalizações Certas / 2º equipe com maior profundidade média

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      3º equipe com maior % de Finalizações Dentro da Área / 4º equipe com maior Amplitude Média / Equipe com maior Índice de Fechamento de Espaço

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    • Equipe com maior Índice de Circulação de Passe / 2º equipe com maior Altura Média do Bloco / 3º equipe com maior média de Passes Trocados por Finalizações

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      Equipe com maior Compactação e maior Altura Média do Bloco / 5º equipe com maior índice de Circulação de Posse / 2º equipe com maior sequência média de passes

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3º equipe com maior índice de Volume Ofensivo / 3º equipe com maior % de passes verticais / 3º equipe com maior % de Finalizações com Bola Rolando

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Equipe com pior % Conversão de Gols / Equipe com pior % de Finalizações Dentro da Área / 3º pior equipe no Índice de Pressão na Bola / 2º equipe com maior compactação média.

Enfim, independentemente se seu time caiu, ou foi campeão; se ficou no G4 ou conquistou um vaga para a Sul-Americana, os números e as análises táticas já fazem parte do cenário em que os torcedores brasileiros estão inseridos… o papel do MW Futebol é contribuir para aumentar ainda mais o acesso à informações analíticas sobre o futebol, através da divulgação de estudos como este!

Que em 2019 nosso futebol e nossas análises possam se tornar ainda mais qualificados!

@rafaellomaciel

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