A Ferrari de Klopp derrotou o Ônibus de Mourinho. ANALISE TATICA DE LIVERPOOL 3 x 1 MAN UNITED

Por Lucas Mateus e Daniel Klabunde

Sarrismo

O Liverpool precisava da vitória para retornar a liderança da Premier League, Manchester United precisava de vencer o clássico para fugir dessa crise no trabalho de Mourinho, jogo importante, Anfield lotado, Liverpool e United, Klopp e Mourinho, Salah e Lukaku, Sir Alex Ferguson e Sir Kenny “King” Dalglish nas arquibancadas do estádio mais lindo da Inglaterra.

Como de costume, You’ll Never Walk Alone emocionando a todos que assistiam o maior clássico da Inglaterra, as declarações de Mourinho, sobre a diferença de pontos não refletir o desempenho das equipes, geraram ainda mais emoção para esse jogo.

Como o técnico do Swansea City, Caravlhal, disse: “O time do Liverpool é rápido como uma Ferrari, mas se os colocar em um trânsito fechado, eles nunca chegarão a velocidade máxima”. E bem, Mou tentou fechar esse trânsito estacionando um ônibus. O jogo mostrou que não funcionou muito bem.

Os comandados do português começaram o jogo tentando pressionar o Liverpool, ainda na primeira posse dos mandantes, mas esse momento de pressão alta e intensa foi bem raro de se ver, na maioria era, no máximo, dois jogadores correndo atrás da bola e o resto tentando manter a estrutura. O motivo pode ter sido a boa ruptura de Salah logo na primeira tentativa de avançar blocos dos red devils.

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O combate muitas vezes acontecia com Lukaku e mais um, Rashford na maioria das vezes.

Sem a bola, a equipe visitante se organizava com uma linha de 4, formando um 4-3-1-2, incialmente:

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Dalot fazia um lateral duplo com Darmian, para proteger dos avanços de Robertson e Rashford fazia retornos para apoiar a defesa. Dalot e Darmian sofreram em diversos momentos com as flutuações de Naby e os ataques do lateral esquerdo escocês, se mostrando meio ineficaz tal estrutura.

Nas transições positivas, Lingard e Rashford eram os protagonistas se elas acontecessem em velocidade de condução, mas em caso de jogo direto Lukaku era o centro do mecanismo.

No ataque, montava-se uma linha de 3 atrás, como balanço defensivo, Young subia e Dalot abria, uma espécie de 3-4-1-2:

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Marcus Rashford era um segundo atacante, tentando aproveitar das segundas bolas de Lukaku, no jogo direto, o centroavante Belga foi completamente anulado por Van Dijk e Lovren, não dando efetividade a esse momento. Lingard era o armador, flutuava para gerar associações e tentar construir momentos de perigo contra o gol de Alisson.

Apesar de toda essa estrutura, o time se limitou a cruzamentos e tentativas mais na vontade que na qualidade.

Se a pressão do United era cadenciada, o Liverpool pressionou alto no campo, de forma intensa e combatendo o portador, isso gerou uma falha especifica de Lindelof, além de diversas outras roubadas de bola em campo adversário: Salah combatendo o zagueiro visitante, enquanto Mané fica por trás de Young, única linha de passe aberta, criando uma armadilha de pressão. Nesse mesmo lance ficou evidenciado o principal defeito do bloco defensivo do United, preocupação excessiva com a área e passividade em relação ao portador:

Tal passividade foi vista em diversos lances, tanto no primeiro tempo quanto no segundo, e originou o primeiro gol dos mandantes:

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Fabinho possui Tempo e Espaço para pensar, decidir e passar a bola, encontrando a ruptura de Mané entre Young e Lindelof, essa passividade permitiu a participação muito efetiva do brasileiro no ataque, mostrando todo seu potencial.

A inteligência de movimentação de Firmino o permitiu receber inúmeras bolas entre Matic e Herrera, a falta de intensidade e o excesso de passividade gera falta de compactação. Nesses momentos é onde LFC acelera o jogo e consegue criar.

O United encontrou o empate em um único lance onde Lukaku fugiu dos zagueiros, atacando as constas de Clyne e cruzando, contando com a sorte do erro técnico de Alisson e o oportunismo de Lingard para empatar a partida. Um gol achado.

Logo no inicio do segundo tempo, ainda na volta do intervalo, Mourinho colocou Fellaini em campo, alterando o sistema para um 4-3-3:

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No momento ofensivo havia muitas trocas de posição, realizadas por Lukaku, buscando espaço, a maioria aconteceu com Lingard, o jovem inglês centralizava para criar e o belga atacava Virgil e Robbo. A entrada de Fellaini evidenciou, ainda mais, o jogo direto, mas falho, ótima atuação de Fabinho e a dupla de zaga ao defender nessa situação.

Para se defender, principalmente das associações de Salah pela esquerda, os visitantes apostaram em um 4-1-4-1, com Herrera apoiando Darmian.

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O Liverpool voltou a frente do placar aproveitando a bagunça da defesa dos comandados de Mourinho, afinal pareciam desesperados para não permitir que o Liverpool entre em sua área, mas Sadio fez um lindo lance individual, bagunç

bagunçando ainda mais a defesa adversária, e Shaqiri aproveita do rebote para marcar:

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O espaço deixado pela defesa, a passividade de Rashford, a demora de reação de Young, tudo isso foi muito bem aproveitado pelo suíço.

Logo depois de sofrer esse gol, José coloca Martial em jogo e monta um 4-2-2-2:

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Alguns retornos de Rashford para apoiar a criação e gerar superioridade, mas foi mais um sistema sem muito sucesso, afinal a equipe era dominada pelo Liverpool.

Liverpool amplia o placar, mais uma vez com Xherdan “Big Shaq” Shaqiri, um lance de muitos méritos para Bobby Firmino, que controlou três defensores, temporizou e encontrou Salah, apesar de o egípcio não ter conseguido finalizar, graças a Bailly, o suíço não perdoou e marcou, dando a vitória aos vermelhos de Merseyside.

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Do United, o único destaque positivo é Bailly, o zagueiro foi muito bem a se defender das ações do camisa 11 egípcio, até arrisco a dizer que se não fosse ele o United seria goleado.

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A defesa dos red devils foi passiva, preguiçosa e incapaz de parar a Ferrari do Liverpool, parecia um ônibus sem gasolina tentando funcionar, o Ataque Direto não funcionou, méritos do Liverpool, e o time se limitava a buscar cruzamentos e jogadas individuais, mostrando uma grande limitação em criar associações e trabalhar a bola, cedia contra-ataques e espaços para o Liverpool, tudo que os mandantes queriam.

Podemos dizer que de certa forma Mourinho caiu na armadilha de Klopp, que mandou à campo um time com Keita, Fabinho e Wijnaldum, dando indícios que formataria o time no tradicional 4-3-3, com Fabinho ou Wijnaldo fazendo a base.

Mas, não foi o que aconteceu: Keita entrou em campo executando as jogadas pela extrema esquerda, deslocando Mané para a direita e formando a linha de três no 4-2-3-1 montado por Klopp.

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Com a escalação de Keita, o Liverpool ganhou mais poder de marcação na linha de três, e a mesma velocidade e intensidade se escalasse Shaqiri, tanto que os Reds passaram praticamente os 90 minutos executando pressing e o gegenpressing (pressão e pressão pós perda), vencendo vários duelos e frequentemente levando perigo ao gol de De Gea.

Além da novidade de Keita, também pudemos ver a troca na movimentação entre Wijnaldum e Fabinho, fazendo com que o brasileiro frequentasse com mais frequência as zonas de ataque, arriscando várias finalizações e se beneficiando do seu ótimo passe de ruptura, um dos motivos pelo qual foi contratado por Klopp.

Fabinho usa da sua inteligência e marcação frouxa de Lingard para se desvencilhar, gerar espaço e tempo para receber a bola, pensar na melhor opção e lançar para Mané abrir o placar.

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Dez minutos depois o United empata o placar com Lingard, em um erro de Alisson, que tenta segurar um cruzamento de Lukaku, mas a bola escapa e acaba sobrando para o atacante de Manchester empurrar para as redes.

Mesmo com o empate a partida continuou inalterada, com Liverpool tomando as ações, atraindo o seu adversário para gerar espaços no meio facilitando a movimentação de Firmino e Fabinho, os dois brasileiros foram os melhores passadores da partida, gerando várias situações de perigo à zaga adversária.

ismoMapa de passes do Liverpool, Fabinho e Firmino dominando as ações no meio campo. Imagem: 11TEGEN11

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Na segunda etapa Mourinho inicia com Fellaini, tentando preencher mais o meio campo e tentando tirar as ações de Fabinho e Firminio, mas de nada adiantou, pois a movimentação e intensidade dos jogadores de meio e ataque era incessante.

Destoando um pouco do resto da equipe, Lovren fez bons desarmes e boas coberturas, mas pecou muito nos passes, alguns erros proporcionaram contra-ataques perigosos para o United.

Apesar dos erros de Lovren e Alisson, a defesa esteve muito bem na partida, segura como sempre com o capitão Van Dijk no comando e orientando a todos. Clyne, depois de um bom tempo fora, voltou bem e não comprometeu, apoiando muito o ataque com a sua velocidade.

Na reta final da partida, já com o 3×1 no placar, Klopp manda à campo Henderson no lugar de Mané e volta a atuar no 4-3-3, protegendo mais a sua área e segurando o resultado.

Como comentamos na análise de Bunrley vs Liverpool, os comandados de Klopp estão voltando ao seu ápice de intensidade e mostrando a sua verdadeira forma de atuar, e isso se deve muito ao crescimento de Fabinho e Keita, que são importantíssimos nas engrenagens de Klopp.

@lucaM008 e @dktricolor

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