O 4-2-3-1 do Liverpool, o próximo passo de Jürgen Klopp?

Por Lucas Mateus

Poucos dias após ser derrotado na final da UEFA Champions League, para o Real Madrid, por 3×1, Liverpool já começou a demonstrar algumas ideias para a atual temporada (18/19), anunciando Fabinho, o volante ex-Mônaco chegava para ser companheiro de Naby Keïta, que havia sido contratado junto ao RB Leipzig ainda durante a temporada passada.

Nesse ponto já começava a se desenhar o 4-2-3-1 dos Reds, em verdade, começou a ser desenhado desde o duelo contra o Brighton, ainda na temporada passada, na vitória por 4×0 pela última rodada da Premier League 17/18.

Ainda antes da Copa do Mundo FIFA, Liverpool estava pronto para assinar com Nabil Fekir, principal jogador da equipe do Lyon, mas problemas físicos afastaram o camisa 18 de Anfield. Porém, no dia 13 de julho, Liverpool confirmou Xherdan Shaqiri, “Big Shaq” chegou ao Anfield vindo do rebaixado Stoke City e por uma pechincha de 13,5 milhões de libras, valor irrisório perto da qualidade do suíço.

Já no dia 19 de julho, Liverpool anunciou a sua última contratação, Alisson Becker chegou ao futebol inglês como goleiro mais caro da história, logo depois seria superado por Kepa, após as infelizes falhas de Karius na final de UCL.

ismoNICK TAYLOR/LIVERPOOL FC/LIVERPOOL FC VIA GETTY IMAGES

Depois dessa maravilhosa janela de início de temporada, Liverpool começa seus preparativos com um só objetivo: conquistar títulos.

Klopp, sabia que as equipes dariam mais foco a sua equipe e com isso seria necessário ampliar, revolucionar, criar alternativas e evoluir os mecanismos da temporada passada, assim como desenvolver novos, evoluindo o seu “Futebol Heavy Metal”.

Característico nessa temporada é o 4-2-3-1 como esquema base, apesar de Fabinho e Keïta ainda não terem se adaptado totalmente ao futebol inglês. Mas, pensando no futuro, abordaremos eles como titulares, afinal suas qualidades técnicas permitem mecanismos importantes.

Em contrapartida, a “dificuldade” de adaptação de Fab e Naby, o desempenho de Shaqiri é uma ótima noticia para os torcedores do lado vermelho de Liverpool, afinal o suíço é fundamental nesse sistema, sendo o ponta com maior capacidade criativa, gatilho nas entrelinhas para o Ataque Vertical e decisivo com gols e assistências.

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Esse sistema ainda passa por uma fase de aperfeiçoamento e de entendimento por parte dos jogadores, afinal são mecanismos diferentes, ideias diferentes, funções diferentes, momentos diferentes.

Nesse texto tentaremos dissecar esse sistema do Liverpool de Klopp na atual temporada.

Para entender mais afundo de toda filosofia do Jogo de Transições, o Futebol Heavy Metal, indico dois materiais meus:

Jogo de Transições, o Futebol Heavy Metal (Parte 1)

Mudanças de Comportamento, Gegenpressing e Counterattacks.

Jogo de Transições, o Futebol Heavy Metal (Parte 2)

Momentos de Organização, Zonas Pressionantes e o Ataque Vertical.

Conceitos da temporada passada e como eles foram revolucionados para a atual temporada, são encontrados nesses dois materiais, sem necessidade de repetição.

Como já acontecia no 4-3-3 da temporada passada, Klopp busca alterar o mínimo do sistema no momento de defender. Nessa temporada ele aborda a pressão alta, apesar de mais posicional e não com tantas perseguições e marcações individuais, um bloco alto bem estruturado, compactado, dividindo o campo no meio, apesar de ceder profundidade, a equipe lida bem em situações de jogo direto, muito por Van Dijk.

Em bloco médio e baixo, há uma estrutura de 4-4-1-1 e isso muda um pouco da zona pressionante da equipe, como Firmino e Salah dão o combate aos portadores da ultima linha, os zagueiros, é fundamental dividir o campo, facilitando o encaixe da marcação e isso diz respeito a um em pressão direta ao portador e o outro fechando os caminhos de um passe para o lado contrário.

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Manter o sistema, ou o mais próximo dele, nos dois momentos de organização é importante para que haja velocidade nas transições positivas (defesa-ataque), pela lógica, a ter seus jogadores já em suas posições “corretas” eles já estarão prontos para o contra-ataque.

Então na lógica, seria essa intenção:

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Nesses momentos, Firmino é o organizador, distribuindo e organizando esses momentos, enquanto os outros jogadores atacam o espaço e buscam criar vantagens posicionais parra passes e associações verticais.

Momentos de organização do Liverpool sempre focam em privilegiar as transições, tanto positivas quanto negativas.

Nas positivas, como vimos acima, manter o mais próximo possível do esquema para acelerar o contra-ataque, tendo seus jogadores já nas áreas de espaços privilegiados no campo ofensivo, muita verticalidade e passes sempre pra frente.

Nas negativas, Liverpool forma um bloco de ataque muito compacto, apesar de móvel e com elementos não posicionais, mas mantém-se a compactação para pressionar em grupo imediatamente após perder a posse, realizar o gegenpressing, pressão pós-perda.

Na organização ofensiva, temos como foco o Ataque Vertical, complementado pelo Ataque Móvel. Sem Naby Keïta existe 3 variações bem claras do Ataque Vertical, tendo Shaqiri como centro desse, como gatilho principal. (Todos explicados detalhadamente no texto sobre o Futebol Heavy Metal, mais especificadamente na segunda parte).

ismoConsidere que a Posse é de Big Shaq

Com Naby, há inúmeras possibilidades de ampliação desse conceito, e isso é explicado pelas diferenças de Gini Wijnaldum para o camisa 8.

Keïta é um todocampista ao estilo Klopp, enquanto GIni, apesar de boas infiltrações, é mais base, no momento de criação, não sendo muito positivo ao pisar nas entrelinhas para armar. Naby se DESLOCA, sim a caixa alta é algo intencional, existe uma diferença entre se posicionar, se deslocar e flutuar para.

Deslocar-se: movimento vertical, para a frente, jogador que sai da base para as entrelinhas.

Posicionar-se: se encontrar sempre nas entrelinhas, como um 10.

Flutuar para: movimento horizontal, ou seja, um ponta que sai da amplitude para ir ao centro, flutuando.

O camisa 8 sai da base e vai para as entrelinhas, e não se posiciona fixamente no espaço entre as linhas defensivas adversárias, esse deslocamento pode acontecer com ou sem a bola, e isso cria situações muito positivas para os comandados de Klopp.

Naby é capaz de quebrar linhas conduzindo, contra o Burnley (seu melhor jogo pelo Liverpool, até o momento) ele enfrentava o bloco baixo adversário com muita facilidade, e também com passes diagonais ou verticais, verdadeiras rupturas, que dão verticalidade ao jogo. Além de tudo, toda a sua movimentação cria associações, situações de vantagens, etc.

Muito se fala sobre o posicionamento de Firmino com um criador e não um finalizador, ele já era assim, mas pela falta de Naby e Gini sendo base na maior parte do tempo, ele é necessário nas entrelinhas para dar vantagem para Shaqiri ao atacar o espaço direita-centro, com os deslocamentos de Keïta, ele deverá estar mais próximo do gol, ou seja, em uma densidade maior das entrelinhas.

Outro ponto fundamental é a verticalização na construção e na base do ataque, essas dadas por Gomez e Fabinho, respectivamente. É fundamental a participação do jovem inglês, ao consegui verticalizar e encontrar companheiros entrelinhas, acelerando o ataque, enquanto Fab participa na base, encontrando rupturas para os laterais, principalmente Robbo, e para o bloco ofensivo.

Esse Ataque Vertical não é de fácil realização, e em momentos que não é possível de realiza-lo, Liverpool aborda um Ataque Móvel, sem guardar muitas posições, focando nas associações e aproximações para gerar dificuldades ao adversário. Contra o Burnely foi bem comum vermos, era até difícil conseguir padrões que não fossem os laterais em amplitude e Origi na profundidade. Para conferir analise dessa partida

Inclusive vimos, no segundo tempo, uma associação bem móvel, envolvendo Firmino, Shaqiri e Keïta, os três jogadores de maior capacidade criativa da equipe, eles devem ser o bloco móvel e criativo desse sistema, gerando associações e vantagens para seus companheiros, e isso pode ser um bom sinal do futuro.

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Esse Ataque Móvel é fundamental para os momentos em que não pudermos ter o Vertical na sua melhor forma, sem Naby, ele é inviável, afinal o herdeiro da 8 de Gerrard é quem entrega essa mobilidade e participação em todos os lados do campo.

ismoFigura 3 SofaScore. Naby vs Burnley

Os deslocamentos de Naby geram situações, dessas situações surgem associações, vantagens, superioridade, com Naby conduzindo ele quebra linha de defesas, com passes ele também quebra linha de defesas, intenso na marcação, tanto em organização quanto na pós-perda, Naby será o coração desse sistema. Os motivos de ele ainda parecer um feto é justamente a ausência do guineense.

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Muitos questionam o motivo de ter Salah em profundidade e Firmino com um dez, a explicação para tal é bem lógica, manter Mo perto do gol, exatamente isso, tornar suas corridas mais curtas, a sua movimentação mais a direita permite que Shaqiri flutue, pois gera uma diagonal entre o zagueiro e o lateral esquerdo adversário (repare as ilustrações do Ataque Vertical acima). Enquanto Firmino tenta organizar o time e aparecer na área pelo centro (10 -> 9), ele cria preferencialmente com passes, apesar de já fazer na temporada passada, e não abrindo espaços de costas, ainda sofre com a ausência do camisa 8.

Muito questionado é a “queda” de rendimento de Sadio Mané, o nome certo seria “período de adaptação aos novos mecanismos de Sadio Mané”, ele não encontrou ainda os sentidos ideais desse esquema para si, apesar do Ataque Vertical favorecer seu desempenho e ele ser responsável por criar situações de vantagens com dribles e associações de profundidade.

Explico melhor nessa Thread:

Esse sistema já está em um nível avançado de desenvolvimento, mas tal processo é completamente ligado ao desenvolvimento de Naby e Fab no futebol inglês, e a melhora desses evidencia a evolução do sistema. Estou empolgado para presenciar o auge desses novos mecanismos do Futebol Heavy Metal, mas peço paciência, com Klopp, com Keïta, com Fabinho, com todo o Liverpool.

@LucaM008

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