Proposição mexicana x pragmatismo japonês – PRÉ-JOGO KASHIMA ANTLERS x CHIVAS GUADALAJARA

Por Leonardo Hartung e Juliano Rangel

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Kashima Antlers e Chivas Guadalajara entram em campo neste sábado (15) para definir quem avançará para uma das semifinais do Mundial de Clubes. Promessa de um jogo com proposta de diferentes, colocando o pragmatismo japonês frente a frente com a proposição mexicana.

KASHIMA ANTLERS

Finalista e vice-campeão do Mundial de Clubes em 2016 o Kashima Antlers volta à competição após conquistar a Champions League da Ásia pela primeira vez em sua história. O técnico Go Oiwa se mostra bem decidido em seu 4-4-2 colocando a equipe japonesa para jogar de forma mais direta.

Defensivamente o Kashima Antlers geralmente se posiciona em bloco médio, podendo avançar o bloco defensivo ao pressionar a saída de bola adversária. Mas na realidade, o Kashima não costuma subir tanto a marcação na saída de seu oponente até os jogadores rivais chegarem ao círculo central, onde a equipe japonesa começa então a pressionar para retomar a bola.

À medida que o bloco defensivo se aproxima de sua área, o time japonês consegue ficar ainda mais compactado e dificulta a penetração adversária sempre com forte pressão ao portador da bola (se possível com mais de um homem pressionando) e receptores próximos.

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O Kashima Antlers marca por encaixes alternando perseguições curtas e médias, mas com os seus jogadores constantemente desgarrando de suas linhas. Uma boa trama ofensiva pode desorganizar o sistema defensivo dos comandados de Go Oiwa e aproveitar os espaços deixados pela equipe japonesa.

Um exemplo foi no jogo de volta das quartas de final da Champions League da Ásia contra o Tianjin Quanjian. A equipe japonesa tem oito de seus homens de linha protegendo a área e Alexandre Pato é pressionado por mais de um homem quando tem a bola. Perceba também como o lado esquerdo (direito do ataque da equipe chinesa) fica totalmente desprotegido e o ala Zhang Xiuwei possui enorme terreno para avançar. Por sorte o time japonês conseguiu afastar a bola para lateral antes que o camisa 8 do Tianjin Quanjian pudesse receber com amplo espaço para atacar.

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Outro exemplo em que o Kashima Antlers pode gerar espaços em seu setor defensivo foi visto no jogo da volta das semifinais da Champions League da Ásia contra o Suwon Bluewings. O lateral Yamamoto deixou a linha para “caçar” Lim Sang-hyeob. A jogada seguiu e enquanto o lateral retornava à sua posição foi a vez do zagueiro Gen Shoji ser levado por Dejan Damjanovic gerando um grande espaço para o bósnio Elvis Saric infiltrar e pisar na área japonesa. Mais uma vez o Kashima Antlers deu sorte, mas a finalização passou rente a trave do goleiro Kwon Sun-tae.

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Como mencionado no início da visão sobre o Kashima Antlers, a equipe japonesa busca um jogo mais direto em sua fase ofensiva e as características de sua dupla de ataque contribui para isto. Yuma Suzuki é um nove de muita mobilidade e capaz de fazer o pivô e gerar jogo fora da área, enquanto Serginho tem capacidade para articular e gerar jogo desde regiões mais distantes da área adversária. Também ajuda ter bons lançadores nos zagueiros Jung Seung-hyeon e Gen Shoji.

Com os seus laterais, abertos e gerando amplitude, a equipe japonesa busca gerar muito volume de jogo pelos lados do campo já que a dupla costuma possuir o corredor limpo para avançar e atacar por conta do movimento dos extremos da equipe de se aproximarem da dupla de ataque. Os comandados de Go Oiwa também se utilizam de bolas longas (pelo alto ou pelo chão) em diagonal em direção ao terço final do gramado para terminar a jogada no lado oposto ao que ela foi iniciada.

Jogar em transição não é um problema para o Kashima Antlers. Go Oiwa tem um elenco leve e rápido para acelerar o jogo ao retomar a posse da bola ou para recompor o sistema defensivo logo após perder a bola. Há de se ressaltar o trabalho dos extremos neste aspecto (e na maioria dos jogos são os escolhidos a serem substituídos no decorrer da partida por conta do desgaste).

Com a lesão de Yuma Suzuki, o Kashima Antlers dependerá e muito do decisivo Serginho. O ex-Santos e América Mineiro teve participação direta em oito (cinco gols e três assistências) dos 14 gols marcados pela equipe japonesa desde as quartas de final da Champions League da Ásia.

Já a lesão de Kento Misao faz com que o Kashima Antlers perca força e qualidade na contenção das jogadas e deve fazer com que Ryota Nagaki vire o titular da equipe possibilitando uma melhora na saída de bola pelo chão. Ao menos uma melhora no jogo pelo chão vem de encontro com a ausência de Yuma Suzuki (Shoma Doi é o mais cotado para atuar no ataque ao lado de Serginho).

Outros pontos a serem observados no Kashima Antlers de Go Oiwa:

  • Jung Seung-hyeon e Gen Shoji dando solidez defensiva de formas distintas e complementares; o sul-coreano com sua força física e vitórias pelo alto, o japonês com sua técnica nos desarmes e interceptações e inteligência e leitura para realizar coberturas.

  • Léo Silva sempre gerando perigo no ataque infiltrando na defesa adversária e pisando na área.

CHIVAS GUADALAJARA

Debutante no torneio intercontinental, Los Rojiblacos chegam aos Emirados Árabes Unidos com uma equipe diferente da que foi campeã da Ligas dos Campeões da Concacaf no mês último  mês de abril. No comando técnico, Matías Almeyda deixou o cargo para entrada do paraguaio José Cardozo. Vamos destrinchar como joga a equipe.

SAÍDA DE BOLA: Sob o comando de Cardozo, a equipe apresenta uma ideia de futebol mais propositiva, desde a saída de bola. Jogando no 4-3-3, que varia para um 3-4-3 nas fases de ataque, a equipe busca iniciar suas jogadas de forma apoiada e com a saída em três. Nesses momentos, o trio – Jair Pereira, Michel Pérez e Hedgardo Marín – atua de forma espaçada e conta com apoio mais à frente de Orbelín Pineda.

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AVANÇO DOS LATERAIS E APOIO NO MEIO-CAMPO: Os laterais José van Rankin e Edwin Hernández (ou Miguel Ponce), que geram bastante amplitude e ganham liberdade para compor a linha de meio-campo. Todocampista da equipe, Orbelín Pineda oferece apoio em todos os lados do campo e dá combate quando a equipe perde a bola. Já Javier López, embora atua centralizado, acaba rodando por todo o campo e se infiltrando nas jogadas dentro da área. Outro jogador que pode atuar no meio-campo neste esquema é Alan Cervantes, que tem como características a infiltrações e a marcação pós-perda da bola.

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No trio da frente, Isaac Brizuela atua na direita, o que possibilita as triangulações nas descidas de Rankin, e também entra em diagonal para buscar uma tabela com Pulido. Na direita, Angel Zaldívar atua como um segundo atacante, chega bem na área e recompõe a linha de meio-campo. Alan Pulido atua como a referência, tendo como forte característica o trabalho como pivô e o giro de corpo para finalizar.

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MARCAÇÃO ENCAIXADA: Quando perde a bola ainda no campo de ataque, a equipe já começa a executar o perde/pressiona para evitar o contra-ataque adversário. Marcação encaixada na saída de bola adversária é algo muito trabalhado pela equipe de José Cardozo, que costuma avançar sua linha de meio-campo para anular as opções de saída curta dos goleiros ou dos defensores adversários.

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DEFESA VULNERÁVEL NOS CONTRA-ATAQUES: O grande problema do Chivas são as transições defensivas lentas. Com toda a pressão no campo de ataque, a equipe, geralmente, só mantém o trio de zaga mais recuado, e acaba ficando muito vulnerável aos contra-ataques, principalmente por estar em igualdade ou inferioridade numérica.

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FALTA DE EQUILÍBRIO: A compactação entre as linhas de defesa e meio-campo acaba não acontecendo e gera buracos. Outro ponto de destaque é a falta de equilíbrio em alguns momentos defensivos, principalmente nos lados de campo e na frente da área.

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VARIAÇÃO DE ESQUEMAS: José Cardozo também costuma dar flexibilidade aos seus esquemas, podendo variar para o 4-1-4-1, o 4-4-2, com Zaldívar e Pulido mais à frente e assim aumentado poder ofensivo dentro da área, ou para o 3-5-2, com a inclusão de Carlos Salcido, que pode atuar como zagueiro ou primeiro volante.

DESTAQUE: Oberlín Pineda (22 anos)

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Todocampista, Pineda é uma das jovens promessas do futebol mexicana. Forte na marcação, faz um jogo bastante apoiado, rodando por todo o meio-campo, criando passes longos e contribui na marcação pós-perda e encaixada.

@HartungLeo@Julianords

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