Fluminense 2018 – ANÁLISE CAOS – PARTE 2

Por Hugo Alves

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MARCELO OLIVEIRA

Com a saída de Abel Braga anunciada, ainda no período de Copa do Mundo, o Fluminense rapidamente tratou de anunciar Marcelo Oliveira, treinador conhecido por gostar de utilizar a ligação direta entre defesa e ataque. Marcelo, bicampeão brasileiro e campeão da Copa do Brasil recentemente, já não vive mais seu auge como treinador. No entanto, MO, como chamaremos a partir de agora para facilitar, não é o único culpado, mas vamos seguindo a história contada na primeira parte desta análise.

A primeira partida com MO foi contra o Vasco, em São Januário. A primeira mudança? Fim do esquema com três defensores com a implementação do 4-2-3-1 já com novas peças contratadas na parada para a Copa como o zagueiro Digão.

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As vitórias contra Sport (fora) e Palmeiras (casa) animaram e deram ao torcedor a esperança de uma possível briga do meio para cima da tabela. A vitória em cima do Palmeiras, por sinal, foi a última do time – na época comandado por Roger Machado – que veio a conquistar o título com Felipão.

No entanto, essa talvez tenha sido a última boa atuação do Flu no Brasileirão. Depois disso, problemas de instabilidade tomaram conta da equipe e ouso a citar alguns prováveis motivos: falta de ritmo dos novos atletas que claramente precisavam também de um tempo de adaptação e a eterna mudança do sistema de três zagueiros para o sistema com quatro defensores.

Além dos dois motivos citados acima, um, muito importante, foi determinante: a lesão de Pedro. A grave contusão no joelho do jovem jogador foi muito sentida pelo Tricolor que desde então sofreu para balançar as redes e passou a ser muito mais perigoso com os zagueiros do que com os atacantes.

Nesse período também surgiram os problemas outrora escondidos por Abel Braga na formação de três defensores: as costas dos laterais. Ayrton Lucas, muito elogiado no primeiro semestre, já não conseguia ser tão efetivo no ataque e defensivamente comprometia, deitando muito espaço para o adversário atacar. Do lado direito, com a lesão de Gilberto, não foi diferente tendo Leo, Jadson e por fim Julião como donos da posição.

A boa partida contra o Nacional no Uruguai e a vitória somada ao heróico final de jogo voltaram a dar esperanças ao torcedor que agora, mais do que nunca, acreditava em uma possível conquista para salvar não só essa temporada, mas as últimas cinco, pelo menos. Mas, o baque frente ao poderoso e organizado Atlético-PR de Tiago Nunes deu início ao drama.

Se antes o Fluminense vivia tranquilo na zona do meio da tabela, agora via seus adversários pontuarem enquanto vivia uma seca incrível de gols que quase chegou aos 10 jogos. Na última rodada, sem esperanças do que Marcelo Oliveira poderia fazer, a diretoria resolveu por demiti-lo.

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Mas, espera aí! Antes de falarmos do último jogo e de Fábio Moreno precisamos conversar um pouco também sobre a diretoria. Meses e meses de salários atrasados, péssimo planejamento, divergências entre o que era dito para os jogadores e o que realmente acontecia. A direção do Fluminense é uma piada.

Piada de péssimo gosto aos que são apaixonados não apenas pelo clube das três cores, mas pelos que, como eu, são amantes do esporte bretão. É péssimo para o futebol, é danoso ao clube. Que o Flu consiga se reerguer mesmo com péssimas administrações e total dependência do dinheiro pago pela televisão. Que não precise, como precisará ano que vem sem sombra de dúvidas, vender seus principais jogadores para ter condições de pagar os salários pelo menos até o meio do ano. É vergonhoso.

FÁBIO MORENO

De volta ao futebol, a responsabilidade de evitar o rebaixamento (que saiu de 1% para quase 99% em questão de dias) ficou com Fábio Moreno, analista e auxiliar técnico permanente do clube. Moreno tomou sábias decisões e nem precisou de muito para mostrar que já não havia lógica nas decisões de Marcelo Oliveira.

Primeira ação: tirar Ayrton Lucas do time. Dias depois viria a ser confirmada sua venda para o Spartak Moscou, mas não creio que isso tenha afetado seu tenebroso futebol das últimas rodadas. Marlon entrou no lugar, fez o pênalti, eu sei, mas deu a assistência para o gol de Richard e deu muito menos espaço na lateral-esquerda.

Segunda ação: tirar Junior Dutra. Com todo respeito, mas se MO cavou sua própria cova, Dutra foi seu ajudante número um. Sem a menor condição técnica de ser titular, errou praticamente tudo que tentou mesmo que, sejamos justos, tenha sido colocado em diversas fogueiras como por exemplo no segundo jogo contra o Atlético PR onde esteve em campo apenas para escorar lançamentos feitos pelos zagueiros. Típico estilo de jogo de Marcelo Oliveira.

Obs: poderia considerar a entrada do Kayke como uma ótima ação, mas não foi tão decisiva assim. Outro bom nome na partida contra o América foi o volante Airton que, apesar do seu ótimo futebol, infelizmente já não reúne condições físicas para jogar em alto nível por 90 minutos.

Dessa forma, Moreno conseguiu evitar o rebaixamento do Flu, colocou a equipe na Sul-Americana e deu sobrevida ao clube. O problema, no entanto, está no ano seguinte. Resta saber se ao Fluminense restará forças para se manter na elite da primeira divisão.

@_hugo1alves

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