Athlético com H, de Heróico! – ANÁLISE TÁTICA ATHLETICO-PR 1 x 1 JUNIOR B.

Por Felipe Henry e Ricardo Leite

A noite de quarta feira reservava para torcedores e amantes do futebol, uma noite de bom futebol, emoções e reviravoltas.

Atlético PR, agora Atlhético, após renovaçao de escudo e nome, entrava em campo, apoiado pela sua torcida, para enfrentar o Junior Barranquila e buscar o primeiro titulo internacional de sua história de 94 anos.

A primeira parte dessa história tinha sido escrita na semana passada, no jogo de ida, na Colômbia, num empate de 1×1. Naquele jogo, o Atlético se adaptou as condições, deu a bola ao time mandante e se defendeu de forma eficiente e compacta, mas ficou devendo no aspecto que é sua melhor qualidade, jogar com a bola (link do primeiro texto).

Em casa, era esperado que a equipe rubro negra mais propositiva e intensa. E foi isso que aconteceu. Fazendo questão da posse, jogando no campo de ataque e com bloco médio alto para atrapalhar a saída do Junior. Assim foram os primeiros na Arena.

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O Athético saía com uma linha de 3, como de costume, com Bruno Guimarães entre os zagueiros, para dar qualidade já no início da construção. Desta forma, os laterais avançavam e eram responsáveis por “abrir” o campo com sua amplitude. Os pontas (Nikão e Cirino) ficavam um pouco mais por dentro, para serem opção de jogadas tanto de Veiga e Lucho (por dentro), quanto dos laterais (por fora). Pablo, avançado, tinha a missão de através da profundidade, levar a defesa colombiana pra perto do seu gol, dando assim mais campo pro Atlético jogar.

Com pontas mais por dentro, Renan Lodi via um corredor de possibilidades pela esquerda, e era acionado a todo momento. O jovem, buscava a linha de fundo a todo momento e fez excelente primeiro tempo. Do lado direito, Jonathan até apoiava, mas de forma mais “responsável”, já pensando no balanço defensivo.

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A transição ofensiva do rubro negro era feita a partir do 3-4-3, e apresentava variações de acordo com a chegada dos laterais e dos volantes.

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Sem a bola, rapidamente buscava se organizar no simples e eficiente 4-4-2, com Veiga mais à frente, dando o primeiro combate ao lado do Pablo.

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Se pelo lado do Athlético, a estratégia era pressionar, do lado colombiano, era exatamente conter o ímpeto da equipe mandante, se fechando de forma compacta, num 4-5-1. Mas desde o começo, o Junior não abriu mão de jogar e buscava exercer contra ataques velozes e objetivos, de 3 ou 4 toques, buscando principalmente Theo e Barrera para fazer a transição. Além disso, chamou a atenção como a equipe colombiana não se afobava nas trocas de passes quando não conseguia acelerar nos contra-ataques, com muita movimentação no último terço para encontrar espaços na defesa atleticana, o que acabou não tendo tanto sucesso já que não foram criadas grandes chances no 1T.

Aos 27 minutos, Léo Pereira, bem adiantado, tenta um passe simples, erra e imediatamente pressiona o portador da bola, numa pressão pós perda que gera resultado. O zagueiro consegue cortar, a bola sobra para Pablo (pivô) que tabela com Veiga e abre o placar.

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Agora atrás no placar, Junior adianta as suas linhas, repete a estratégia da Colômbia e encurrala o Athlético. Joga com a bola, ronda a área rubro negra e começa a pressionar a marcação ainda no campo de ataque. Com essa marcação alta, principalmente no Bruno Guimarães, a equipe visitante quebrou a saída com qualidade do Athlético, impedindo que o Furacão conseguisse contra atacar ou mesmo manter a posse com qualidade.

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Apesar do “controle”, a equipe de Barranquilla não conseguia levar perigo efetivo. E foi assim que terminou o 1T, com a posse, no campo do Athlético, mas sem conseguir penetrar na defesa atleticana, pois não conseguia gerar espaços.

Pro segundo tempo, Rony entrou no lugar de Cirino e não repetiu o desempenho do mesmo. Menos recomposição,por estar muito afobado e sem conseguir dar sequência nas jogadas ofensivas.

Logo no primeiro minuto, numa saída apoiada e movimentação de Pablo, o Furacão conseguiu criar uma grande chance, mas parou na bela defesa do goleiro. Após isso, o roteiro do final do 1T voltou a se repetir. Junior com a bola, rondando a área e tentando pressionar. Mas foi apenas no “abafa”, numa jogada de escanteio, com dois toques de cabeça que os colombianos conseguiram empatar com Theo Gutierrez. Lucho que fazia boa partida era quem marcava o atacante.

A partir do empate, o jogo ficou à feição pro time visitante. Isso porque o Athlético, ficou abalado, mas se viu obrigado a sair mais pro jogo, enquanto Junior se manteve ofensivo embalado pelo gol. Começou a aproveitar os espaços dados às costas de Lucho e Bruno Guimarães e a gerar ainda mais espaços com a movimentação de Theo, saindo da àrea, Barrera infiltrando dando profundidade e aproveitando as ultrapassagens de Diaz, que deu muito trabalho ao Jonathan do lado esquerdo. Com toques rápidos, aproximação e muitas associações entre os homens de meio e ataque o Junior conseguiu criar (e desperdiçar) grandes chances (5, segundo o Sofascore). O Atlhético demonstrava muito cansado, abatimento e apenas lampejos de organização.

Já nos minutos finais, após mais uma excelente troca de passes, Santos cometeu pênalti e viu Barrera, ter a chance de definir o título, mas assim como no jogo de ida, o time colombiano desperdiçou uma penalidade máxima.

Tiago Nunes optou pela entrada de Wellington no lugar de Lucho, e a distribuição das jogadas acelerou e melhorou após a substituição, além de contribuir para uma melhor qualidade para se defender, diferente do caos sofrido no 2T. No final da prorrogação, o Furacão terminou melhor devido ao fôlego renovado, com as entradas de Marcinho e Bergson nos lugares dos desgastados fisicamente Nikão e Pablo.

Pablo, aliás, foi o homem de frente do Atlético que mais buscou o jogo após o empate sofrido, já que Veiga e Nikão estavam apagados, mas acabou contribuindo diretamente para que não tivesse mais condições para seguir em campo, já que sofreu uma lesão na última rodada do Brasileirão contra o Flamengo, no Maracanã.

Passados 210 minutos de muito sofrimento e com sérios flertes com uma frustrante derrota, as cobranças de pênaltis levaram o Furacão ao seu primeiro título internacional, com todos os méritos de, mesmo longe de apresentar o seu melhor futebol, ser mais eficiente para decidir e, com exceção do jovem Renan Lodi, beirar a perfeição nas cobranças de pênalti que terminaram com a cobrança forte e destemida de Thiago Heleno.

H de Heleno, Heróico e Histórico. O AtHlético, também conhecido como “Hurricane”, conseguiu o seu lugar na história dos campeões sul-americanos.

@Lipe_Henry e @analisevasco

 

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