As grandes noites europeias sentiam saudades de Amsterdam – ANALISE TATICA AJAX 3 x 3 BAYERN DE MUNIQUE

Por Lucas Mateus e Alif Oliveira

Como é lindo ver Bob Marley ecoando nas bocas de todos fãs do Ajax presentes na Johan Cruyff Arena, Three Little Birds tem uma das letras mais doces e confortantes já escrita nesse nosso mundo, Don’t worry about a thing, cause every little thing gonna be all right.”

As grandes noites europeias voltaram para o Ajax e seus torcedores, o time holandês precisava vencer para conquistar a liderança do grupo, mas tinha pela frente o gigante da Baviera, Bayern Munich, jogo complicado para os mandantes, mas todos sabiam que eles poderiam surpreender.

O Ajax iniciou o jogo em uma espécie de 4-2-3-1, sistema escolhido para facilitar a estruturação de seu jogo de posição, tão tradicional da equipe.

Esse posicional se baseava em uma construção de losango, criando superioridade ao 4-4-2 em bloco alto dos adversários. Havia linhas diagonais e verticais de passes, dificultando que a dupla de atacantes dos alemães conseguisse pressionar e evitar uma construção curta e dinâmica.

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Com as subidas dos laterais, era criada uma amplitude mais acima no campo, centralizando David Neres e Ziyech, formando assim um bloco de quatro jogadores entrelinhas, junto do deslocamento de Tadic, o sérvio era um falso 9.

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Primeiramente, para existir essas entrelinhas, o Ajax fazia movimentação de atração, ou seja, passes para trás, sem pressa, de forma inteligente, já que a equipe não tinha uma profundidade fixa, tal momento tornou-se fundamental.

O Jogo de Posições do Ajax era pautado nesses princípios, construção em losango, movimentação de atração, amplitude dos laterais, ocupação das entrelinhas com 4 jogadores, todos que ocupavam as entrelinhas faziam movimentos de rupturas, principalmente o brasileiro Neres.

Por ser o craque da equipe, Ziyech era móvel, no início, caindo até pela esquerda para criar volume de jogo e fugir da defesa alemã, era comum ver Mazouri atacando aquele espaço, ou até mesmo trocas com Neres. O marroquino era fundamental no uso da amplitude para tentar romper a defesa, tanto recebendo em 1×1, ou invertendo para as infiltrações de Tagliafico.

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Como todo time propositivo, o Ajax subia bloco nas pressões em campo alto, mas havia certa falta de ensaio nesses momentos, subiam cinco jogadores, Ziyech, Neres, Beek, Tadic, de Jong, e eles encaixavam na construção do Bayern, porém, os outros 5, Blind, de Ligt, Wöber, Tagliafico e Mazouri ficam preocupados com a profundidade, até mesmo era comum ver Blind entre a linha de zaga, isso gerava espaço entre esses dois blocos, lugar onde o Bayern deslocava Lewandowski e aproveitava para fazer o jogo direto.

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O Bayern foi inteligente ao criar armadilhas de pressão na construção dos holandeses, principalmente no momento do retorno, ou do passe mais longo.

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Essas armadilhas eram basicamente deixar uma única linha de passe livre, obviamente, uma que privilegiasse o velocista que roubaria e já iria em direção ao gol, tal homem era Gnabry. Sempre bem posicionado e inteligente, essas situações criaram duas chances reis de gols no primeiro tempo.

No primeiro tempo, as transições defensivas do Ajax foram bem mal executadas, o balanço defensivo, maior parte do tempo com 3 homens, era desprotegido e se encontrou em situações de desvantagem nos contra-ataques, a pressão pós-perda não funcionava e o time mais perdia tempo para a reestruturação que tentava roubada de bola.

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O 0x1 nasce em erro de De Ligt, o jovem, promissor, falha na interpretação da jogada e acaba com a linha de impedimento do Ajax. Méritos para o passe de ruptura feito por Gnabry e o posicionamento, como sempre, de Lewandoviski.ismo

O segundo tempo começa com o Ajax intenso e tentando sempre usar das rupturas de Neres, geralmente diagonais entre Rafinha e Süle. Bayern cobria os avanços de Tagliafico com Gnabry descendo até a ultima linha, formando um 5-4-1.

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O gol de empate surgiu em um gol que deixaria Cruyff orgulhoso, paciência, domínio do espaço, homem livre, entre outros fatores fizeram com que De Jong ativasse o dinamismo através de um passe para Ziyech, o marroquino percebeu a ruptura de Beek, esse passou a se posicionar na profundidade ao lado de Tadic, o jovem holandês cruza e, o homem livre, Tadic complementa, 1×1.

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A partir da expulsão de Wöber, Ajax começou a se defender em 4-4-1.

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O segundo gol do Ajax sai em um jogo direto para Dolberg, o dinamarquês distribui e já corre para a profundidade, com a opção de romper, nesse momento Müller já estava expulso.

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A movimentação do jovem atacante é fundamental, ele consegue o pênalti, após romper e ir pra dentro da área, pênalti esse convertido por Tadic.

Mesmo estruturando o 4-4-1, o time do Ajax sofria para defender a área, os jogadores do gigante da Baviera entravam com facilidade na área, isso gerou o pênalti, convertido por Lewandowski que empatou a partida.

A virada do Bayern surge de um erro na saída de bola, Frenkie, mas essa jogada é mais mérito dos alemães, reduziram as opções, armaram armadilhas e pressionaram o portador, muito bem feito durante todo o jogo.

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O empate veio para o Ajax em um lance até confuso, bola na área, chute no rebote, sobra com Huntelaar e cruzamento pra Tagliafico fazer. 3×3.

A equipe do Bayern veio a Arena Johan Cruyff com o objetivo de além de garantir a liderança do grupo, dominar a equipe do Ajax tendo a posse de bola. A equipe tentava fazer uma saída de três em losango, mas dificilmente conseguia pela pressão e intensidade imposta pelos atacantes da equipe holandesa. A equipe em momento defensivo alternava entre as duas linhas de 4 na formação de 4-4-2 e entre uma linha de 5 na base do 5-3-2. Em sua marcação sempre buscava criar superioridade numérica no setor para obter vantagem nos duelos, até porque os jovens jogadores do Ajax demonstram muita habilidade no confronto 1×1.

ismoMarcação em 5-3-2.

A equipe alemã apostava em sua rápida saída ligando sempre Lewandowski fazendo seu pivô e associando-se com Thomas Müller, ambos alternavam suas posições caindo pelas pontas. Gnabry era o jogador que mais ocasionava em situações de perigo para a equipe, o jovem tinha muita movimentação e mobilidade, inclusive, substituindo muito bem Arjen Robben até em sua forma de acelerar. Em sua saída a equipe buscava fazer triangulações entre seus volantes e laterais, sempre ligando ao camisa 9 da equipe. Gnabry em um passe totalmente quebrando a linha conseguiu achar Lewandowski que com êxito, conseguiu abrir o placar na Johan Cruyff. A equipe conseguia oferecer muito perigo para seu adversário pois o Ajax vinha com a defesa muito exposta, realizando ultrapassagens nas costas dos laterais encontrando Müller-Lewandoviski na zona de funil.

ismoGnabry faz o passe quebrando a linha para Lewandoviski atacar o espaço.

Os comandados de Kovac fazia uma saída em 3+2 e fazendo uma pressão média-alta, que conforme foi elevando o nível do jogo, ambas equipes foram baixando em seus terrenos. Na segunda etapa, a equipe teve erros defensivos em que os holandeses souberam muito bem aproveitar, ainda mais com a expulsão infantil de Thomas Müller. Niko Kovac optou logo, pela entrada do jovem Coman e de Thiago, que colocaram um poderio ofensivo a mais para a equipe. O jogo terminou e deixou uma certeza, as grandes noites europeias sentiam falta de Amsterdam, sentiam falta do Ajax competitivo, do Ajax de Cruyff, Michels, Bergkamp, Keizer, entre tantos outros nomes de uma história tão linda.

Agora, quanto Bayern quanto Ajax, aguardam o sorteio que será realizado para saber seus adversários. De certo que será algum time muito competitivo e que os dois terão que ter muita concentração, competitividade e intensidade para passar de fase.

@LucaM008 e @Alif_OR14

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