A temporada do São Paulo e o que esperar para 2019

Por Caio Aives

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O São Paulo terminou 2018 com a impressão de que podia mais, seja em questão de desempenho ou resultado. Com Diego Aguirre no comando, chegou a ser líder do Campeonato Brasileiro, mas, após a Copa do Mundo e lesões de jogadores importantes como Everton e Rojas, a equipe passou a demonstrar uma grande irregularidade.

Assim como a maioria das temporadas desde 2009, o clube mostrou estar em um nível administrativo muito abaixo de seus maiores rivais. Sem um padrão de jogo, preferência de estilo ou sequência de trabalho, o clube mostra-se contraditório para avaliar, contratar e planejar. Treinadores, jogadores e dirigentes passam, mas os erros administrativos permanecem.

Campeonato Paulista

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Em jejum de 13 anos, o São Paulo não vence o estadual desde 2005, ano em que foi campeão da Libertadores, contra o Atlético Paranaense, e Mundial de Clubes, contra o Liverpool. Constantemente derrotado pelos maiores rivais, a temporada não foi diferente, tendo em vista que o time foi eliminado pelo Corinthians, nos pênaltis, na Arena Corinthians.

No ano seguinte após ter se livrado do rebaixamento, Dorival Júnior ganhou a chance de iniciar a temporada comandando o clube, participando da pré-temporada e montando o elenco. Polindo a equipe para praticar um jogo ainda mais propositivo e posicional e precisando de tempo, o treinador foi mais um refém de uma diretoria incoerente.

Contando com jogadores que não eram adaptáveis ao estilo que buscava implementar – além de nunca ter pedido ou concordado com as chegadas de Nene e Diego Souza –, a equipe mostrou-se frágil defensivamente e com uma posse de bola cada vez mais inofensiva. Com para vencer adversários inferiores e sendo derrotado por rivais, a passagem de Dorival foi encerrada após uma derrota para o Palmeiras, no Allianz Parque, por 2×0.

Com o andamento do Paulistão, Diego Aguirre foi contratado na fase decisiva do campeonato. Passando para as semis após superar o São Caetano, precisou se adaptar ao elenco para enfrentar o Corinthians. Desempenhando uma partida de ida muito boa – vencendo por 1×0, no Morumbi –, tomou um gol nos últimos minutos da partida de volta e, nos pênaltis, foi eliminado do campeonato. Ainda que tenha sido doloroso, Aguirre fez com que a equipe caísse de pé e desempenhando agradáveis partidas defensivamente.

Copa do Brasil

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Contra o Madureira (1×0) e CSA (2×0), Dorival ainda treinava o São Paulo e o classificou, ainda que com um desempenho bastante irregular, para as próximas fases. Acontece que, com a sua demissão, o até então interino André Jardine comandou a equipe contra o CRB (5×0 no agregado) e Atlético Paranaense, equipe que o eliminou da competição. O curioso é que no confronto contra o CRB, a equipe, além do elástico placar, desempenhou um claro estilo de jogo e papel na partida, fazendo com que boa parte da torcida pedisse sua efetivação.

No período, Fernando Diniz ainda comandava o Atlético-PR e encantava boa parte do país com seu time totalmente propositivo. A primeira partida, na Arena da Baixada, terminou em 2×1 para os donos da casa. Na volta, foi possível ver um jogo de transições e ofensividade, visto que ambos os treinadores praticavam tal estilo. Ainda assim, o São Paulo, tendo empatado a partida em 2×2, acabou sendo eliminado da Copa do Brasil dentro de seu próprio território, assim como no ano anterior, contra o Cruzeiro.

Copa Sul-Americana

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No torneio sul-americano, mais um resultado surpreendente. O São Paulo, devido ao 1×0 no agregado, eliminou o argentino Rosario Central e avançou de fase. Entretanto, foi a partir desse jogo que a equipe passou a encarar o seu maior pesadelo: a necessidade de propor o jogo contra adversários ainda mais reativos.

Na fase seguinte, o pesadelo tornou-se real. Contra o Colón de Santa Fe, Diego Aguirre pôde ver uma equipe extremista quando o assunto era defender sua área. Eduardo Domínguez, até então treinador do time argentino, foi capaz de proporcionar uma primeira linha de 5 nas duas partidas. Com isso, o São Paulo, precisando dos gols, foi pouco efetivo, além de ter tido uma nula movimentação e rupturas das linhas.

Tendo perdido a partida de ida, no Morumbi, por 1×0, necessitou ainda mais de um resultado positivo e superioridade técnica. Na Argentina, encontrou um cenário parecido e, com Liziero, até conseguiu marcar um gol, mas foi, pela segunda vez na temporada, eliminado nos pênaltis.

Campeonato Brasileiro

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Todas as eliminações, irregularidade em campo e um estilo de jogo que pouco agradou a torcida foi perdoado durante algumas semanas. Mais especificamente, quando o time era líder do Campeonato Brasileiro.

Diego Aguirre começara o Brasileirão no comando do clube. Ainda que não tenha montado o elenco e trabalhado sua ideologia durante poucas semanas, a diretoria do São Paulo imaginou que fosse o suficiente para jogar como o Atlético de Madrid de Diego Simeone, tendo em vista o desconhecimento dos mesmos quando trata-se de futebol.

Até a Copa do Mundo, o time sempre jogou de acordo com suas ideias e desempenhou bons jogos, independentemente do mando de campo. Dito isso, enquanto houve a primeira parte do campeonato, Flamengo e São Paulo disputaram a liderança. No retorno, os times mantiveram tais desempenhos, até que, na 17ª rodada, a equipe de Aguirre passou a liderar a disputa.

Contudo, como dito anteriormente, o São Paulo enfrentou uma grande irregularidade – devido ao plantel curto, lesões e média de idade do elenco. Ao final de tudo, ainda que tenha conseguido classificar-se para a pré-Libertadores, perdeu posições, deixou de conquistar pontos acessíveis, empatou jogos em demasia e viu a diretoria atacar uma vez mais, demitir o uruguaio faltando 5 rodadas para o término da competição.

Panorama geral

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Observando números frios e os resultados obtidos nas competições citadas, é extremamente fácil imaginar que a temporada tenha sido um fracasso em diversos aspectos. Se engana quem pensa, porém. É verdade que o desempenho na Copa Sul-Americana e Copa do Brasil, por exemplo, poderia ter sido muito melhor. Mas não depende só disso, o que é necessário salientar.

Mais uma vez, o São Paulo fecha uma temporada sem passar 1 ano com o mesmo técnico, o que é extremamente grave. Choque de culturas e ideologias, ausência de identidade e padrão, mudanças constantes de métodos e treinamentos, além de fatores psicológicos. Todos esses motivos citados são importantes e comprometem jogadores, treinadores e o projeto como um todo, mas que a diretoria do clube demonstra se preocupar cada vez menos. Ademais, cabe ressaltar que não é o único problema, visto que erros administrativos e mudanças na gestão ocorrem desde, no mínimo, 2009.

Jogar todos esses fatores nas costas de Diego Aguirre, Rodrigo Caio e Jucilei – ainda que tenham dado motivos em algum momento de suas trajetórias –, por exemplo, é um tanto quanto injusto, além de oportunismo. Enquanto houver seguimento nos fatores citados, haverá fracasso no “planejamento” feito pelos dirigentes, além das derrotas dentro de campo.

Considerando o elenco que dispunha Diego Aguirre, tenho para mim que a 5ª colocação seja justa e merecida, visto a campanha durante todo o campeonato. Basicamente, nunca mereceu o título por não ser regular, mas não merecia uma posição mais longe que a definida ao fim da competição. Entretanto, a dificuldade é exatamente essa: seja por parte de elenco, diretoria ou comissão, assumir que, ainda que o clube seja grande, não tenha capacidade para mais – pela falta de planejamento, calendário e capital, por exemplo.

André Jardine e a próxima temporada

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Acima de tudo, paciência. Não somente pelo modelo de jogo que tende a implantar, visto que, por ser um jogo posicional, demanda mais tempo e treinamento, mas pela impaciência por parte da torcida. Seguindo a ideologia de treinadores como Juan Carlos Osorio, Rogério Ceni e Dorival Júnior, Jardine pretende valorizar e controlar o jogo através da posse de bola. Consequentemente, quanto mais treinamento, mais afinado o padrão do time. Naturalmente, peças moldadas para o modelo precisam ser trazidas, e isso depende, além do treinador, de pessoas responsáveis por isso.

Além do mais, é necessário dizer que, por ter sido treinador do sub-20 – e vencendo tudo o que disputou pelo clube –, é extremamente normal e provável que André use ainda mais os garotos das categorias de base. De qualquer forma, é preciso entender que, mesmo que o clube não forme craques a todo momento, jogadores de nota 7, por exemplo, são totalmente aceitáveis. Portanto, paciência é mais do que obrigação, visto o momento do clube, tempo de maturação e estilo de jogo da equipe.

Classificado para a pré-Libertadores, o São Paulo terá, novamente, uma menor pré-temporada no início do ano, além de menos dinheiro e uma Flórida Cup pela frente – seria de suma importância usar o sub-23 no torneio e a equipe sub-20 no Campeonato Paulista.

Tendo contratado Igor Vinícius, ex-Ponte Preta, e Léo Pelé, ex-Bahia, para as laterais e buscando um meio-campista box-to-box, um meia, pontas e atacante, o clube procura se reforçar durante as próximas semanas para aproveitar os treinamentos ao máximo. Ademais, me parece um pouco claro que André Jardine terá dificuldades para implantar o que pretende, tanto pela falta de tempo quanto pelo material humano que será disposto. Basicamente, ao menos até aqui, imagino um 2019 sem muitas conquistas. Sabe-se que, assim como o São Paulo em sua essência, o futebol é totalmente imprevisível e tudo pode acontecer, mas, como meta e principal objetivo, espero que o clube busque manter o treinador durante toda a temporada e ofereça o máximo de respaldo, liberdade e respeito possível, algo que não houve com o maior ídolo da história do clube, Rogério Ceni.

Desde 2009, quando tudo passou a ser administrado de forma errônea e mal-intencionada, pouco foi esclarecido. O São Paulo encontra-se nessa situação – como 2013, 2015 e 2017 – por sede de poder dos que lá estavam. Querendo ou não, isso interfere, seja em campo, nos bastidores ou em planejamentos e transferências. Enquanto o clube não tiver uma diretoria responsável o suficiente para tratar o clube de maneira profissional, que um bom desempenho dentro de campo maquie o fantasma que ronda o Morumbi. Homens capacitados como Osorio, Bauza, Ceni e Aguirre foram vítimas. Resta esperar se André Jardine entrará para a lista ou será um ponto fora da curva.

@CaioAIves

 

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