O vale do Ruhr é amarelo! – ANÁLISE TÁTICA SCHALKE 1 x 2 DORTMUND

Por Gustavo Johnson e João Victor Cardoso

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Neste sábado (9) pela 14º rodada do campeonato alemão, tivemos o clássico da maior rivalidade entre torcidas da Alemanha, Borussia Dortmund foi até Gelsenkirchen para enfrentar o Schalke 04. O time aurinegro saiu com a vitória e continua líder isolado da competição.

Análise

Já analisando defensivamente o Schalke 04, Domenico Tedesco armou sua equipe com a tentativa, fracassada, de anular as transições laterais do Borussia Dortmund. No 4-4-2 em formato de losango havia um sistema de forçar as zonas pressionantes quando Hakimi ou Piszczek começava as jogadas, ou seja, quando a bola estava nos lados a ideia de Tedesco era marcar em 4×2. Com 4 jogadores do Schalke (o lateral, o meia pelo lado, o “10” e um dos avançados) versus 2 jogadores do Borussia (o lateral e o ponta). Porém, o técnico da equipe da casa não levou em conta os apoios de Reus nem a noite inspiradíssima de Jadon Sancho. Assim, embora ele detivesse certa superioridade numérica, isso não se traduziu em vantagem, pois Sancho mostrou toda sua habilidade com dribles curtos e tabelas velozes causando grandes estragos. Essa postura de Tedesco não surtiu efeito também pelo fato de Bentaleb (o “10) estar muito desconectado da equipe. O argelino parecia um tanto perdido no jogo, dando muitas entradas duras sem motivo (talvez contagiado por todo espírito do clássico). Aliás, vários jogadores do S04 estavam perdidos, nesse sentido. Tomando cartões bobos e demonstrando muito nervosismo, isso afetou a concentração e, consequentemente, o equilíbrio defensivo, com muito espaço entre os corredores para os adversários tabelaram e oferecerem perigo a meta defendida por Fährmann.

Ofensivamente o time também não foi lá essas coisas. Muita dificuldade para sair jogando por baixo, acarretada pela marcação alta do Borussia, mas também pelo fato de Rudy ser bem problemático nos tratos com a bola. As transições laterais também foram impossibilitadas por bons encaixes de Sancho-Oczipka e Larssen-Caligiuri. Assim, restava a Sané e Nastasić recorrer a lançamentos diretos para Guido Burgstaller, pois McKennie oferecia muito pouco ofensivamente e estava por ali mais para participar da fase defensiva, como já foi dito, sendo um dos avançados a fechar o espaço e buscar anular as transições laterais. Após a lesão de Burgstaller, Mendyl foi chamado para seu lugar (outra mudança prezando pelo aspecto defensivo dos avançados de Tedesco). Assim, Bentaleb mostrou toda sua desconcentração e incapacidade de vencer Witsel ou Delaney em transições, tanto que saiu de jogo aos 55 minutos para dar lugar a Serdar.

Em resumo, os comandados de Tedesco ainda sofrem com a má formação do elenco desde as saídas de Goretzka e Meyer. Pelo visto, a temporada será uma verdadeira prova de fogo ao jovem técnico, que possuiu um elenco reduzido tecnicamente e tem a obrigação de, pelo menos, mantê-los na primeira divisão da liga alemã. Muito trabalho a vista em Gelsenkirchen.


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4-4-2 em losango.

No lado amarelo e preto, o jogo se demonstrou mais tranquilo depois de sair ganhando com gol de bola parada. A equipe se demonstrou muito equilibrada, jogando um bom futebol com e sem a bola em seu já bastante utilizado 4-2-3-1. Com a posse, Dortmund procurava dominar o espaço adversário, com laterais em amplitude máxima e uma saída de 3, ora com Witsel, ora com Delaney entre os zagueiros. Destaque para Thomas Delaney que vem confirmando sua titularidade na equipe, além do gol fez uma excelente partida com ótimas coberturas e auxiliando bastante seu companheiro Witsel na base das jogadas. Sem a bola, a equipe comandada por Favre se demonstrou muito compacta em um 4-4-2, com apenas Reus e Alcácer na frente das linhas.

ismo4-4-2 compacto do Dortmund.
ismoSaída lavolpiana com Witsel entre os zagueiros, possibilitando adiantar os laterais.

Com Sancho e Larsen pelas beiradas do campo, o time procurava obter superioridade qualitativa mesmo que estivesse contra mais jogadores do Schalke. Reus aproximava de um dos extremas para dar apoio e formar o triângulo de passes junto do volante. Conseguia achar muitos espaços pelos lados, levando muito perigo ao gol adversário com velozes trocas de passes e muita verticalidade. Com a saída de Burgstaller no lado azul e branco, o Schalke além de perder sua referência, acabou perdendo o poder de finalização. Axel Witsel continua muito regular e associativo no meio de campo do BVB, sempre na base das jogadas cria linhas de passe e interage muito nas partidas.

Outra grande partida da dupla de zaga do Dortmund, Akanji e Diallo não perderam nenhum confronto e foram superiores nas bolas aéreas. Akanji além de ter tido uma excelente atuação defensiva, conseguia acertar passes de ruptura para os atacantes da equipe, uma de suas especialidades. Paco Alcácer (substituído por Götze) foi pouco acionado no jogo, mas realizou movimentações sempre tentando abrir espaços para os extremas e também para Marco Reus. Outro jogador a se destacar, Raphael Guerreiro entrou no lugar de Larsen e com boa movimentação por dentro abriu o espaço e deu a assistência para Sancho que decidiu o resultado final da partida.

Com transições em velocidade e com muita superioridade qualitativa, Dortmund venceu seu rival do vale do Ruhr fora de casa e continua na busca do seu nono título alemão. Lucien Favre vai montando uma equipe muito competitiva com qualidade no coletivo, enquanto Tedesco enfrenta problemas para resolver e ainda acertar o estilo de jogo de sua equipe após as mudanças no elenco. Os dois times já estão classificados para as oitavas de final da liga dos campeões da UEFA e seguem com objetivos distintas na competição nacional.

@gujohnson03 e @jvcardoso05

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