O sarrismo derrotou, finalmente, o guardiolismo. ANALISE TÁTICA DE CHELSEA 2 X 0 MANCHESTER CITY.

Por Lucas Mateus e Pedro Morais

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O duelo mais esperado dessa rodada na Premier League, Chelsea vs Man City, Sarri vs Guardiola, não poderia ser diferente, uma batalha tática em campo, Stamford Bridge foi o palco de um dos melhores jogos da temporada até aqui.

Dois mestres do futebol, dois perfeccionistas, estudiosos, adaptáveis as situações, isso já dava uma tônica do tamanho da partida. Pep já começou seu terceiro ano na terra da rainha, campeão e doutrinador da temporada passada, enquanto Sarri desembarcou nessa season na Inglaterra, de forma surpreendente em seu início, mas com uma queda nas rodadas passadas, natural.

A equipe de Pep veio com uma estratégia visando surpreender seu adversário, a principal surpresa foi ver um ataque sem uma referência, apesar da lesão de Agüero, Jesus estava disponível, Guardiola buscou mobilidade ao montar uma equipe com Mahrez, Sané e Sterling a frente, ao menos no início da partida, o jovem inglês era o jogador centralizado no ataque. Os blues de Londres também apostaram em um falso nove, esse foi Hazard, muito pouco participativo, mas fundamental com a bola. Sarri sabia que era difícil competir com Pep para ter a posse da bola, então esse não foi o foco principal, foi mestre se adaptando ao adversário usando de jogadas mais diretas e verticais, mas sem perder suas características de saída de bola com passes curtos e seguros.

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Visando não sofrer com o bloco alto dos mandantes, City estruturou uma saída posicional, ou seja, mantendo seus jogadores nas suas posições naturais, ocupando todos os corredores do campo. Nesses momentos, o Chelsea pressionava de forma menos intensa, usando de alguns “gatilhos” para tomadas de decisões de seus jogadores em pressionar nos momentos específicos, como quando o zagueiro aberto do City recebia, na maioria das vezes o meia do mesmo lado pressionava, Kanté no Laporte e Kovacic no Stones.

Tal regularização da intensidade era para proteger a profundidade, compactando o bloco e não dando espaços para que o City encontrasse seu trio em ruptura, pois a defesa do Chelsea sofreria com a velocidade deles.

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Sabendo de possíveis encaixes individuais de Kanté a Fernandinho, Pep deu ordem para que Bernardo Silva fosse o apoio ao brasileiro, não centralizando Delph, como normalmente faz. A equipe azul de Manchester soube modificar bem o posicionamento do português de acordo com a intensidade dos comandados de Sarri, buscando afasta-lo das entrelinhas apenas em caso de extrema necessidade.

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Foi importante também a forma como os visitantes usaram a amplitude nessas situações, fugindo dos encaixes no centro.

Para que tal movimentação não prejudicasse a passagem de construção para criação, o outro Silva, David, se postava entre o meio e a defesa, junto de Sterling, que saia da referência como um falso 9.

Quando ocorria essa transição, a equipe estruturava uma base em 2-3, tradicional de Pep, com os laterais por dentro, junto de Fernandinho, os 5 da frente eram bastante móveis e se postavam as vezes em 4-1 e as vezes com 5, dependendo as situações impostas pelo bloco defensivo dos mandantes.

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Como sempre, os comandados de Pep visavam criar situações através de associações, triangulações, tanto pelo centro quanto pelos lados, mas a defesa dos londrinos foi sensacional ao anular tais movimentos, levando o PepTeam para o lado do campo e evitando o funcionamento de seu jogo. O Chelsea priorizava fechar os espaços e as linhas de passe, sendo pouco intensos no combate ao portador, mas muito bem protegendo o próprio campo.

Cabe destacar que até mesmo as ultrapassagens de Walker, arma poderosíssima do City contra defesas fechadas, foram bem anuladas pelo Chelsea. O time londrino fazia a bola chegar até o extremo do adversário nessa fase do jogo, o lateral era responsável pelo combate e o ponta ficava responsável por cobrir o espaço nas costas do lateral ou dobrar a marcação.

Os laterais tinham permissão para fazerem perseguições mais largas para induzir o ponta a fazer o passe horizontal e consequentemente o City girar a bola para o outro lado.

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Ao armar seu bloco alto, o City buscava anular a siada do Chelsea pelo centro, com Jorginho, mesmo com os apoios de Kovacic (esse perseguido em distancias medias por Bernardo), o time usou de criação de quadrados em volta do ítalo-brasileiro e até de marcação individual, variando entre David Silva e Sterling.

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Nesses momentos o City aproximava seus jogadores, impedindo passes para o camisa 5 do Chelsea, além de permitir rápidos encaixes nos zagueiros.

Sobre os encaixes individuais, eram pensados para não prejudicar o bloco, ou seja, quando havia distanciamento de Jorginho para a bola, ele não era marcado individualmente.

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Chelsea sofreu bastante com esse sistema de marcação especialmente no primeiro tempo, quando o City teve 1 ou 2 chances claras de marcar após roubar a bola no campo de ataque. Mas o Chelsea soube usar muito bem da bola longa, passes verticais e da capacidade construtora de seus zagueiros, principalmente David Luiz. Sarri sabia que isso seria uma grande arma e por isso manteve um trio de ataque de velocidade e dinamismo, evitando que deixasse o jogo pesado.

Na construção, o Chelsea buscava atrair o City para seu campo, gerando possibilidade de atacar a profundidade, mas os comandados de Pep tinham um bom domínio de como se proteger nessas situações, principalmente pela velocidade de Fernandinho, Laporte e Stones.

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Ao defender em bloco médio e baixo, City argumentou com seu 4-1-4-1, visando não ceder espaços entrelinhas, com a proteção de Fernandinho e evitar que o Chelsea conseguisse acionar Eden Hazard em seus deslocamentos de falso nove, nesse ponto meio ineficaz até o final do segundo tempo já que o belga venceu a maioria das jogadas nessa movimentação, dificultada apenas quando houve perseguições de Stones, a partir dos 60 minutos.

Apesar de sofrer com o 10 do Chelsea, City defendia bem a profundidade, não permitindo rupturas de seu adversário, isso deu uma certa dificuldade para Hazard nessas situações.

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A intensidade do City no primeiro tempo foi invejável, o time praticamente engoliu o Chelsea, mas não conseguia criar situações de muito perigo, parte pela defesa bem montada dos mandantes, parte pela dificuldade em criar profundidade dos visitantes.

O Chelsea armava seu bloco médio em 4-5-1, com os 3 meio campistas na mesma linha, permitindo e protegendo as perseguições de Jorginho, essas focadas em Fernandinho, mecanismo mais explicado a baixo.

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Visando criar mais rupturas e acelerar a criação, pegando a defesa do Chelsea de surpresa, Pep centralizou Mahrez, esse como um 10, e abriu Sterling na direita, usar da qualidade de passes do argelino para encontrar rupturas foi algo inteligente que rendeu um lance de muito perigo para o City.

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Fundamental no primeiro tempo o duelo de Sané e Azpilicueta, o lateral e capitão do Chelsea foi soberano nos duelos contra o alemão, encarando-o em todas as situações, não cedendo vantagens e possibilitando proteção a área.

O 1×0 nasce de um lance onde City fazia uma pressão alta, com 7 jogadores no campo adversário, de certa forma, atraídos pelo adversário, os encaixes funcionavam bem, e era natural que o City fizesse naquela situação, se não fosse o talento de David Luiz, provavelmente não teria perigo algum, mas o brasileiro encontrou um passe longo para Pedro na direita, lado contrário a posse na construção, encontrando Willian em velocidade nas costas de Walker no outro lado da jogada mais uma vez, o que gerou vantagem para o ataque do Chelsea.

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O erro mora na segunda parte no lance, o passe de Hazard para Kanté é sensacional, o francês encontra a entrada do funil desprotegida, não sendo acompanhado por Sané, ele tem tempo e espaço para finalizar e marcar o primeiro gol do jogo.

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O segundo tempo começa bem parecido com o que foi o primeiro tempo, City marcando alto e tentando encurralar os londrinos, porém, uma queda no desempenho físico fez com que o Chelsea começasse a encontrar associações dinâmicas na construção e conseguisse agir bem nos momentos contrapressão. Um dos mecanismos utilizados pelos comandados de Sarri foi atrair Delph, com movimentação de Pedro, para criar espaços para que Kanté atacasse suas costas, City foi mal ao entender que isso aconteceria na primeira vez, mas logo depois a cobertura de Laporte foi sensacional.

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O City foi bem frágil nas movimentações de atração do Chelsea e isso permitiu que Sarri e seu time criassem situações de perigo ao gol adversário, no frame acima, esse lance rendeu uma finalização de Willian. Em outros momentos, Sarri posicionou Kanté atrás do bloco alto e médio adversário, usando de sua velocidade para ganhar metros e chegar com rapidez a frente.

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Pep então coloca Gabriel Jesus em campo, arrasta Sterling para a esquerda e volta Mahrez para a direita, o objetivo claramente era dar profundidade e criar espaçamento nas entrelinhas para a dupla dos Silvas, de certa forma não funcionou, o Chelsea respondia bem ao posicionamento e movimentação do brasileiro.

A dificuldade de gerar profundidade era tamanha que David começou a se movimentar em auxilio ao camisa 33, não era algo fixo, mas de movimentação.

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City, aos 60 minutos, passou a usar as aceleradas em condução de Walker para quebrar as linhas adversárias, mas sem resultado, afinal as coberturas do Chelsea, em alguns casos com subidas dos zagueiros, foram impressionantes.

Com a entrada de Gündogan, o City permitiu mais que Bernardo ficasse avançado no campo, trazendo o alemão no apoio a Fernandinho, tentando ter o português como ponto agudo do ataque, mais um a ser anulado pela defesa londrina.

O 2×0 do Chelsea surge em uma bola parada, um erro de Laporte que não acompanhou Luiz.

Após o 2×0, Chelsea ficou menos intenso, permitindo que City chegasse ao bloco médio dos londrinos com mais facilidade, porém, com as entradas de Barkley e Loftus, que criaram um novo vigor físico aos mandantes, o time estabeleceu um mecanismo interessante. Alongar as linhas e dar cobertura a subidas de Jorginho encaixando no camisa 25 dos citizens.

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Uma arma sensacional dos visitantes foram os escanteios curtos, muito utilizados durante todo o jogo.

Cabe destacar as atuações de dois brasileiros nesse confronto, Fernandinho e David Luiz, o primeiro foi o termômetro do City, cada vez mais importante, sem Kevin De Bruyne, é quem organiza o City e tenta passes de rupturas com os pontas correndo em diagonal, além das suas participações nas transições e momentos de organização defensiva. Já o segundo, talvez o melhor jogador em campo, foi fenomenal ao tirar a pressão do City na construção e fazendo ligações para os velocistas sendo importantíssimo na estratégia de Maurizio, defendeu bem sua área, destacando o número de bolas longas acertadas e de duelos ganhos, e para completar foi premiado com um gol no segundo tempo.

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@LucaM008 e @CruyffTeam

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