Fluminense 2018 – ANÁLISE CAOS – PARTE 1

Por Hugo Alves

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A temporada acabou para o Fluminense. Mesmo com tanto drama e sofrimento, o clube carioca se manteve na elite do futebol nacional, em mais um ano conturbado devido aos graves problemas financeiros. O time que começou com Abel Braga, terminou sob a tutela de Fábio Moreno e teve três personagens cruciais: Julio Cesar, Gum e Pedro.

Gosto de pensar que uma temporada é uma história, sendo assim, começaremos lá de janeiro contando a história tricolor em 2018, separando-a por treinadores. Uma pitada de política é quase inevitável já que sem aspectos extra-campos jamais entenderemos a queda de rendimento que quase levou o clube ao descenso.

| ABEL BRAGA

Para o Flu, 2018 começou ainda em dezembro de 2017, por circunstâncias do processo envolvendo o clube e o meia Gustavo Scarpa, que tentou na justiça se desvincular da equipe e assinar com o Palmeiras. Esse foi o primeiro indício do ano que o tricolor encararia. Mediante ao caos que se criou, Abel Braga confirmou sua permanência, motivado – como o próprio já manifestou em entrevistas recentes – pela promessa de um elenco um pouco mais competitivo.

Os primeiros testes vieram lá na Flórida Cup. Ainda com as indefinições do caso Scarpa, o Fluminense ganhou outro problema: Henrique Dourado. Visivelmente desanimado, o Ceifador, que havia comandado o Tricolor no ano anterior, pediu para sair e “pulou o muro” para o rival Flamengo. O que se apresentava como um cenário de desastre virou a salvação, Dourado não rendeu nada até hoje no Fla, enquanto seu substituto, Pedro, deu gols importantes ao Flu.

O início no Campeonato Carioca foi desastroso. Ainda sem entender muito bem qual esquema adotar, Abel viu o Boavista atropelar a sua equipe e vencer por 3-1. Na ocasião, o calor saiu como grande responsável (convenhamos que jogar em Saquarema no verão às 16h não é algo agradável). Outros empates sem gols e algumas vitórias magras não foram o suficiente para o Flu, que ficou de fora da disputa da Taça Guanabara já na primeira fase.

Muito mais coeso, entrosado e finalmente com o esquema de três defensores oficializado, se redimiu na Taça Rio, quando passeou. Terminou o “segundo turno” do Cariocão invicto, levantando o troféu contra o Botafogo com direito a atuação de gala do, na época, camisa 32 Pedro.

Para a disputa da então fase final (se você não está acostumado com o futebol carioca, não tente entender, é um conselho que eu te dou), sofreu um revés quase que histórico do Vasco e ficou de fora da finalíssima. O resultado foi sentido pela forma como se desenhou e pelo bom momento que vivia o time. A base, até aqui era montada da seguinte maneira:

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Nessa altura do campeonato a equipe também já havia sido eliminada da Copa do Brasil frente ao Avaí em dois confrontos vexatórios. A equipe catarinense não só neutralizou como chegou a dominar o Flu em diversos momentos, vencendo a partida no Rio, por exemplo. Na Copa Sul-Americana os primeiros passos estavam sendo dados, incluindo a heróica classificação contra o Nacional Potosí. Taticamente o time se comportou da mesma forma nas três competições citadas.

A estratégia de Abel Braga era acertada e isso foi comprovado pelo próprio Marcelo Oliveira, treinador que o sucedeu. Tendo em Gilberto e Ayrton duas armas ofensivas, o treinador colocou mais um defensor para se proteger e dar liberdade aos seus laterais. Outro motivo da mudança para o esquema ter sido fundamental é a péssima capacidade de marcação tanto de Gilberto quanto principalmente de Ayrton Lucas.

Nessa formação, o jovem lateral-esquerdo tricolor encantou muitos durante o Cariocão, sendo muito eficaz em suas descidas pelo setor. O amor acabou já no final da temporada, mas não o impediu de acertar sua venda para o Spartak Moscou.

Já pelo Brasileirão, o ponto alto do primeiro turno da equipe comandada por Abel Braga veio justamente em uma derrota. A partida do dia 14 de maio, contra o Botafogo no Engenhão, foi a melhor exibição do Tricolor no ano. Na ocasião, Jefferson fechou o gol e impediu a vitória do Fluminense, mas não apagou a boa atuação do time. Confira as estatísticas da partida.

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Até então, derrotas e empates faziam parte do jogo, assim como as vitórias. O desempenho da equipe alternava entre o aceitável e o ruim, como era de se esperar de um time com as dificuldades financeiras que o Fluminense tinha e continua tendo.

Mas, quatro derrotas seguidas e a parada para a Copa do Mundo fizeram com que Abel Braga repensasse seu futuro e optasse por deixar o cargo de treinador. Na ocasião, o Tricolor estava no meio da tabela, como ficou em grande parte da competição, alternando entre a 10º e 11º posição.

@_hugo1alves

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