MISSÃO COLÔMBIA- JUNIOR BARRANQUILLA 1 X 1 ATLÉTICO-PR

 

André Frehse Ribas e João Victor Cardoso

O primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana arremeteu o embate das duas posturas mais conhecidas no futebol: ataque x defesa. Júnior Barranquilla x Atlético Paranaense. Curioso até, pois sabemos que a equipe de Tiago Nunes se destacou, em âmbito nacional e continental, pelo jogo propositivo e com nuances até mesmo posicionais. Tiago preferiu ceder a bola ao time comandado pelo uruguaio Julio Comensaña e apostar nos contragolpes e transições velozes. Enquanto isso, a equipe dona da casa sabia propor o jogo, mas apesar de ter maior posse de bola, criou poucas chances claras de gol. Mas afinal, como foi o jogo?

ESTAT

Os “tiburones” vieram para cima. Com um modelo extremamente vertical e possessivo, conseguiram ter o controle total do jogo no primeiro tempo. Através de Víctor Cantillo, o termômetro do meio, produziam um volume de jogo muito bom internamente, sabendo fazer inversões e se estabelecer no campo do Atlético.

O Controle foi tamanho que os paranaenses não chutaram a gol na primeira etapa, resultado também da influência de Cantillo e de seu companheiro de marcação, Luis Narváez, sempre preparados para exercer a pressão após a perda da bola e já retomá-la em campo ofensivo. A pressão, apesar de agressiva, deixava que os zagueiros do Atlético trocassem passes, mas não tivesse opções para progredir ao ataque, optando pelo lançamento em alguns momentos. 

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Mesmo com Cantillo se saindo muito bem na base das jogadas, vencendo as primeiras linhas de marcação atleticana, e encontrando Jarlan Barrera na entrelinha para que o camisa 10 articulasse as jogadas e transições, buscando Sánchez-Piedrahita e Luís Díaz nas pontas, ainda faltava algo.

O Atlético, vendo a forma agressiva que o time do Junior se colocou no jogo, se adaptou, marcou com suas linhas mais baixas e preferiu jogar reativamente (sempre no 4-2-3-1, 3-4-3 na transição ofensiva, com Guimarães entre os zagueiros), ativando seus pontas (Nikão e Marcelo) para saírem em velocidade. Mas, ofensivamente, o time não produziu o esperado na primeira etapa, com atuações individuais abaixo e com muitos erros de passes, não conseguindo ligar essa bola ao setor ofensivo. 

Saiba mais sobre o modelo do Atlético em: 

Saída de três, agressividade sem a bola e time mais equilibrado: o que esperar de Tiago Nunes à frente do time principal do Atlético

Um time mais equilibrado

No vídeo: repare nos encaixes que o Junior faz na saída de bola do Atético. Deixa os defensores trocarem passes para o lado, mas não progredir ao ataque, forçando o passe longo. 

Defensivamente, Furacão fez um jogo seguro. Em seu 4-4-2 (marcação zonal), o rubro-negro, com suas linhas mais baixas/médias, fechava muito bem sua área, sem dar grandes chances ao time da casa, controlando, de certa forma, o jogo sem ter a bola em seu domínio. Vale destacar também a boa transição do rubro-negro. Na hora da recomposição, era rápida e precisa. 

No lado do Junior, talvez  se tenha sentido a falta de Téo Gutiérrez. O capitão oferece bons desmarques de apoio (se apresentar para criar linhas de passe) para tabelar com Barrera e assim atrair a marcação, desse modo os pontas (James Sánchez e Luís Díaz) tem mais liberdade para atacar o espaço. Em suma, um primeiro tempo com ótimo volume de jogo do Barranquilla, mas que não se traduziu em chances de gol.

Foi muito complicado para os comandados de Comensaña manter o mesmo ritmo do primeiro tempo. Mesmo com a mesma postura propositiva, a pressão pós-perda não estava a mesma e Gómez e Rafael Pérez sofreram muito com Pablo e Nikão. 

Já o Atlético voltou melhor para segunda etapa. Jogadores ganhando duelos individuais e encaixando melhor os passes, conseguindo armar alguns contra-ataques, como no caso do seu gol. Nikão encaixa a transição e vence na velocidade e no corpo dos adversários, assistindo Pablo após seu desmarque de ruptura. O Furacão conseguiu executar a jogada que tanto procurava. Importante lembrar de como a joga se iniciou, com Léo Pereira roubando a bola e Bruno Guimarães dando o passe para Nikão. 

Após o gol, destacam-se as figuras de Barrera (mais ainda) e Yony González (ele mesmo que, embora não ofereça o mesmo apoio entrelinhas de Téo Gutiérrez, soube oferecer profundidade à equipe). Animicamente ambos contribuíram a equipe de forma substancial também, não deixando-se abalar nem após o gol sofrido, nem após o pênalti perdido.

Desse modo, após uma bola longa na área atleticana, Yony, em um movimento acrobático, deu números finais ao jogo. Falha da zaga Atleticana, principalmente de Jonathan, que não conseguiu afastar a bola

Os colombianos, em resumo, cansaram-se no segundo tempo e não tiveram mais condições de incomodar muito o Atlético, a não ser em lampejos de Barrera, como em um ótimo chute de fora da área aos 48 minutos do segundo tempo. o Atlético, criou mais do que na primeira etapa, mas ainda foi pouco. 

Nos dois lados, tivemos protagonistas que se destacaram. No do Furacão, Nikão, com sua força física, facilidade para ganhar no corpo, se destacou e foi o melhor em campo.  No lado do Junior, Barrera se destacou por conseguir catalisar e traduzir todas as características de um típico jogador sul-americano. Exímio condutor e ilusionista para enganar os adversários com dribles e passes em profundidade. 

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A decisão é semana que vem. E, se as duas equipes apresentarem suas qualidades, temos tudo para termos um grande jogo na Arena da Baixada. 

@jvcardoso05 @andre_frehse

Vídeos e fotos: INSTAT.

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