O que esperar de André Jardine?

Por Pedro Galante

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André Jardine será o técnico do São Paulo para a temporada de 2019. Além de ser multicampeão, o gaúcho de 39 anos ganhou destaque pelo desempenho de suas equipes, sempre priorizando a posse de bola e um futebol envolvente. Vamos agora destrinchar o estilo de jogo de Jardine. A principal referência usada aqui é a campanha – que culminou no vice-campeonato – da Copa São Paulo de 2018.

Organização ofensiva

Começaremos pelo ataque, já que essa é a fase de jogo em que o time passa maior parte do tempo. Jardine gosta que seus times se imponham sobre o adversário e para isso devem dominar duas variáveis muito importantes: a bola e o espaço.

Esse interesse pelo domínio da bola e do espaço influencia diretamente nos mecanismos usados pelo treinador, a começar pela saída de bola. Jardine usa a chamada saída de três – ou lavolpiana – que cria superioridade numérica e facilita a construção. Esse mecanismo é usado pois, além de garantir superioridade numérica, permite que o time acumule muitos jogadores a frente da linha da bola, dominando assim também o espaço.

Esses três jogadores que iniciam as jogadas sempre contam com o apoio de meio-campistas mais à frente. O número de meio campistas pode variar de acordo com o contexto da partida.

arthur-cabral-696x348Rodrigo, Diego e Tuta formam a linha de três; Cássio oferece suporte e Luan e Liziero aparecem a frente. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Jardine dá papéis diferentes aos seus laterais para encaixar esse mecanismo. Liziero, o lateral esquerdo, é liberado para subir e atuar como meia, Rodrigo ocupa o espaço que é deixado. Já Tuta fica mais preso no próprio campo, para compor a linha de três.

arthur-cabral-696x348Cássio “afunda” entre o zagueiro, Tuta é liberado para subir no campo de ataque e Antony fica livre para aparecer por dentro. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Acima vemos uma variação dessa saída de bola. Esse tipo de variação é interessante, pois muda a dinâmica do time e confunde a marcação rival.

Agora avançando um pouco mais no campo. Jardine deixa seus pontas bem abertos e bem avançados para que eles gerem amplitude e profundidade para o ataque. Isso tudo faz com que o adversário deixe espaços entre suas linhas de marcação, e é justamente nesse espaço que aparecem os meias tricolores, especialmente Igor.

arthur-cabral-696x348São Paulo no ataque. Perceba a amplitude e como os jogadores buscam ocupar o espaço entrelinhas. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Aliás, vamos falar um pouco sobre Igor. Igor foi muito importante no sistema de Jardine. Ele tinha liberdade para se deslocar por todo campo e gerar superioridade. Também é responsável por dar certa mobilidade ao ataque, suas movimentações constantes geram trocas de posições com seus companheiros o que confunde a defesa.

Tendo dominado a bola e o espaço, os times de Jardine são muito pacientes. Tocam a bola de um lado para o outro, avançam no campo e voltam até o goleiro se for preciso, tudo isso até encontrar o momento oportuno de encaixar sua jogada. Quando consegue acionar seus jogadores de frente no último terço, a ordem é de acelerar a jogada para buscar uma conclusão rápida.

Organização defensiva

Chegamos ao momento defensivo e ele é dividido em dois: pressão e defesa no próprio campo.

A pressão acontece quando o adversário está tentando sair jogando. A ideia é atrapalhar essa construção ou para obrigar um chutão e recuperar a posse ou para tentar roubar a bola e contra-atacar de forma rápida, estando perto do gol.

arthur-cabral-696x348Pressão na saída de bola. Note o uso de encaixes individuais. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

A pressão é encaixada individualmente. A intensidade dessa pressão está ligada ao quão próximo o jogador marcado está da bola. Perceba acima, como, estando do lado oposto da bola, Antony deixa o adversário mais “solto. ”

Quando essa pressão é vencida, o time defende no seu próprio campo, o outro momento mencionado. Essa defesa é feita com duas linhas de quatro, mas os pontas, por muitas vezes, não compõe a linha de meio como é normalmente esperado, pois ficam prontos para puxar o contra-ataque, assim que a bola for recuperada.

arthur-cabral-696x348Liziero volta da sua posição no meio campo e fecha a última linha como lateral esquerdo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Transição ofensiva

Aqui é a fase do contra-ataque. Os principais responsáveis por iniciar esse contra-ataque são os pontas, que como dito, não são tão incumbidos de funções defensivas justamente pela questão do contra-golpe. O meia Igor oferece apoio e o centroavante tenta abrir espaços.

Transição defensiva

Os times de Jardine atacam com muita gente a frente da bola, principalmente no setor de meio campo e a defesa fica bem exposta, com bastante espaço em suas costas. Para impedir que o adversário use esse espaço em contra-ataques a ordem é pressionar o adversário assim que ele rouba a bola, a chamada pressão pós-perda. A intenção é fazer com que o adversário se livre da bola e consequentemente devolva a posse, mas pode acontecer também, de um dos jogadores que pressionaram consiguir roubar a bola e criar um contra-golpe.

Mobilidade e variações

O último destaque vai para a versatilidade de Jardine. Seus jogadores estão sempre se movimentando e trocando de posição. Liziero aparece como lateral, meia, volante e até mesmo zagueiro pela esquerda na saída de bola. Luan aparece na entrelinha, na base da jogada, como zagueiro pela direita na saída de bola, como ponta quando Antony cai para dentro. Isso só para citar dois jogadores. Além das variações dentro do próprio jogo, há duas outras variações que envolvem troca de jogadores.

Uma é quando Bruno Dip entrava no lugar de Cássio e Liziero se tornava meia de fato. E a outro foi usada nas duas últimas partidas do torneio – Flamengo e Inter – que é Igor como falso nove.

arthur-cabral-696x348Igor de falso nove, contra o Flamengo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)
arthur-cabral-696x348Bruno Dip de lateral e Liziero como meia, contra o Internacional. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

E aqui vimos um pouco de André Jardine e o futebol que ele gosta de praticar. Vale lembrar que o estilo de Jardine é complexo e requer tempo e peças de qualidade para dar certo.

@Pedro17Galante

(Foto destaque: Rubens Chiri/ saopaulofc.net)

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2 comentários sobre “O que esperar de André Jardine?

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