Nico López mais 10, contra um time carioca sem idéias: ANÁLISE TÁTICA INTERNACIONAL 2×0 FLUMINENSE

Por Luiz Martins

Na despedida do Beira-Rio do Campeonato Brasileiro, o Internacional bateu o Fluminense pelo placar de 2×0, com dois gols do uruguaio Nico López, garantindo assim um prêmio de consolo, pela não conquista do título: a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores 2019.
Já o time carioca segue na briga pelo rebaixamento até a última rodada

Análise da Partida


Desde o início do jogo, as estratégias propostas na busca pelos três pontos ficaram evidentes. O adversário Fluminense, se colocava na espera do time gaúcho, baixando suas linhas dentro de seu campo defensivo, fechando os espaços por dentro, limitando as tentativas do Inter de progredir. Em contrapartida, cedia os corredores laterais, principalmente pelo lado direito, onde Fabiano e Nico López, encontravam-se sempre em situações de um contra um, ou livres as costas dos marcadores do setor. Nico López, que realizou uma de suas melhores partidas vestindo a camisa colorada, partia do lado direito para o centro com extrema facilidade, fragilizando a marcação adversária. D´alessandro fazia o movimento inverso, mas ao invés de buscar a área, se colocava próximo ao círculo central, como opção de passe, cedendo espaços a Patrick, que alternava seu posicionamento entre o corredor esquerdo ou uma faixa mais por dentro, em zona mais altas, sem pressão alguma dos jogadores cariocas nos dois homens colorados. Este posicionamento ocorreu porque Iago não realizou tantas ultrapassagens, buscando a área, como de costume em outras partidas.

Inter1Fluminense realizava marcação individual por setor, principalmente no meio campo, dificultando os avanços do time gaúcho. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Quando recuperava a bola, o Fluminense buscava transição rápida de contra-ataque, mas encontrava uma defesa colorada bastante sólida (a transição defensiva foi um ponto alto do time colorado na partida), assim Everaldo, Luciano e Júnior Dutra, possuíam poucos espaços para usarem a velocidade e atacar entre as linhas de marcação. Com esse forte jogo defensivo, ao realizar a saída de bola, Edenilson e D´alessandro já buscavam se colocar como articuladores de forma alternada, iniciando as jogadas sempre buscando passes mais verticais pelas pontas, onde os laterais jogavam bastante avançados, e próximos a área afunilavam o jogo para o centro sem muito sucesso.

Percebendo que a partida cedia muitos espaços, a equipe colorada realizou uma alteração na estrutura inicial, alterando o posicionamento de D´alessandro e Patrick, que agora passaria a atuar por dentro, com maiores obrigações defensivas, deixando o argentino mais próximo a ponta esquerda, sempre se colocando atrás dos marcadores, mas com total liberdade de movimentação (assim como Nico pela direita), sendo visto também por dentro ou no lado direito. Com isto, Inter conseguiu encontrar boas chances, mas a finalização ainda não encontrava o fundo das redes.

Inter2D´alessandro realizando a saída de bola, Patrick por dentro e os laterais já se colocando em projeção para o campo ofensivo. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Já na segunda etapa, Odair percebendo que tinha a necessidade de maior velocidade e também maior profundidade à frente, colocou Rossi no lugar de Patrick. O jogador foi incumbido de jogador pelo corredor direto, sempre buscando as costas de Ayrton Lucas, que possui muitas dificuldades na marcação. Assim Nico foi deslocado para o lado esquerdo, dando também maior dinâmica ao setor, o deixando sempre em condições de um contra um com os marcadores do setor, transformando este no lado forte de ataque no jogo, configurando a equipe colorada na formação 4-2-3-1, com D´alessandro inicialmente centralizado, jogando cada vez mais dentro do campo ofensivo, sempre se movimentando sem pressão alguma do adversário.

Inter3Rossi já no lugar de Patrick, configurando a alteração de esquema tático (4-2-3-1), deixando o time mais veloz e sempre com os pontas no um contra um. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

O Fluminense continuou apostando na mesma proposta do primeiro tempo, fechando bastante os espaços por dentro e com a bola sair em velocidade de contra-ataque, obrigando o time colorado a utilizar mais as laterais, mas desta vez com maior velocidade e maior pressão no homem com a bola, sendo os jogadores facilmente desarmados. Ao longo do tempo a proposta carioca foi perdendo intensidade, o time começou a ceder espaços maiores entrelinhas, sendo aproveitados muito bem por D´alessandro. O jogador colorado por ter uma técnica diferenciada com a bola no pé, ainda mais quando não possui uma marcação tão próxima, tende a organizar com qualidade sua equipe.  Assim ele tinha facilidade de encontrar jogadores sempre atacando os espaços, principalmente pelos lados de campo.

Com espaços nitidamente visíveis, Odair Hellmann retirou Jonatan Álvez do jogo, colocando William Pottker na partida, vislumbrando ter um jogador que tenha melhor capacidade de infiltração atacando o espaço, do que um jogador mais físico.
Já Marcelo Oliveira, entendendo que seu time precisava de melhor capricho no último passe na intermediária sem perder a velocidade, retirou Everaldo e lanço a campo Bryan Cabezas.

As alterações da equipe colorada surtiram maior efeito dentro do contexto da partida e o Inter aumentou suas movimentações, desestabilizando a defesa adversária, desta forma conseguindo marcar dois gols, pelos pés de Nico López, que foi o nome do jogo e garantir três pontos necessários para consolidar sua colocação dentro do G4 e ida a fase de grupos da libertadores de 2019. Já o Fluminense terá sua vida decidida na última rodada, em jogo contra o América-MG dentro de casa, em luta contra o rebaixamento.
Screenshot_5Na imagem um contra-ponto, no momento do segundo gol de Nico López: a transição ofensiva com muita velocidade do Inter X a dificuldade de transição defensiva do Fluminense (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Ainda ocorreram alterações que não tiveram grande impacto na partida:

– Marcos Júnior no lugar de Fernando Neto, pelo Fluminense, por desgaste físico e reorganização da equipe após expulsão do lateral Léo;

– Camilo no lugar de D´alessandro, pelo Internacional, por desgaste físico e continuidade do controle de bola;

@ojunomartins

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