Empate com gosto amargo – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 0 SPORT

Por Pedro Galante

Novamente o São Paulo teve a chance de vencer e se consolidar no G4. O adversário da vez foi o Sport.

Jardine contou com a volta de jogadores como Diego Souza e Bruno Alves, em contrapartida não pôde usar Hudson e Bruno Peres. Araruna entrou na lateral direita e Liziero finalmente compôs a dupla de volantes ao lado de Jucilei.

O primeiro tempo trouxe ao torcedor os melhores quarenta e cinco minutos da Era Jardine. O time dominou a partida. Ocupava o campo do adversário, tinha a posse de bola e o principal de tudo, circulava bem a bola. E Liziero foi essencial para essa melhora, o jovem volante deu outra dinâmica ao meio-campo tricolor, sempre se posicionando atrás das linhas de pressão para dar opção de passe.

carlos barbosaLiziero dando opção de passe na saída de bola. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Ao avançar no campo para dar opção de passe, Liziero permitiu que o São Paulo ensaiasse uma saída de bola com três jogadores. Reinaldo ficava mais preso ao lado de Bruno Alves e Arboleda, que se deslocava para direita, Jucilei ficava a frente. Essa estrutura foi assumida de forma integral no segundo tempo.

A criação funcionou com um princípio simples, mas muito interessante. O Sport acumulava muitos jogadores no meio campo, por isso o tricolor buscava inverter o jogo para pegar os adversários de surpresa. Por muitas vezes, essas inversões não saíram certas, mas a intenção é muito boa.

Diego Souza foi pouco acionado. As jogadas de pivô não aconteceram, muito porque o atacante ficou preso a área. De qualquer forma, foi importante gerando profundidade para o ataque.

O desempenho foi muito bom, o time se impôs. Teve 68% de posse de bola e finalizou sete vezes. Faltou marcar. As vezes faltou pontaria, sobrou preciosismo e nervosismo, mas a estrutura funcionou muito bem.

No segundo tempo, precisando o time teve uma queda de rendimento. Precisando da vitória, Jardine assumiu de vez a estrutura mencionada no início do texto. Reinaldo se tornou um zagueiro pela esquerda e Araruna subiu a altura do meio campo. Um 3-3-1-3 característico de Jardine.

carlos barbosaReinaldo como zagueiro e Araruna no meio: foi assim que Jardine colocou o time para buscar a vitória no segundo tempo. (Instat/ Pedro Galante)

O time criava chances, mas não conseguia converter. Aos 30, Everton sofre pênalti. Seria a chance do São Paulo de marcar e ficar mais próximo da vaga direta para Libertadores. No entanto, Nenê desperdiçou a cobrança.

Aliás, precisamos falar sobre Nenê. Mais uma vez o camisa 10 se mostrou muito pouco produtivo. Até se movimentou mais em relação as últimas partidas, onde se limitou a ponta-esquerda apenas, mas é muito pouco. Taticamente, não faz a movimentação que é necessária, se afasta dos seus companheiros ao invés de dar opção. É um jogador que deve ser negociado na próxima janela.

Quando o jogo parou para a cobrança do pênalti, Jardine fez sua primeira mudança: colocou Antony no lugar de Helinho. Helinho foi muito acionado, chamou o jogo, mas errou muito, foi afobado e tomou decisões erradas. No entanto é preciso lembrar que Helinho é apenas um garoto e essa instabilidade é perfeitamente normal, é preciso ter paciência. Aos 34, Igor Gomes entrou no lugar de Araruna. E aos 38 Nenê deu a vaga para Trelllez.

O time tentou buscar a vitória, mas esbarrou na trave. É uma pena que a vitória não tenha vindo, pois o time fez muito por merecer. São coisas do futebol, as vezes a bola não entra.

E não é por isso que tudo está ruim. Foi um ótimo desempenho do time, o mais próximo até agora do que Jardine pensa como futebol. Aliás, é preciso ter paciência com Jardine. É um profissional extremamente capacitado, se tiver tempo e reforços pontuais pode fazer grandes coisas.

@Pedro17Galante

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Um comentário sobre “Empate com gosto amargo – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 0 SPORT

  1. Perfeito Pedro, temos que ter paciência com os garotos da base, não se pode achar que todos vão chegar e assumir a posição como Militão e David Neres. Ao meu ver Helinho fez um bom jogo, pecou em algumas decisões e pouco antes da substituição estava nervoso pelos erros. Reinaldo, Rojas, D. Souza, Nenê e Éverton serão fundamentais para o ano que vem, paciência e tempo com Jardine também.

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