AS MUDANÇAS DO ATLÉTICO COM A CHEGADA DE UM ANTIGO CONHECIDO DA TORCIDA

Por Davi Magalhães

Pela 35° rodada, o Atlético derrotou o Internacional por 2 a 1, chegou aos 56 pontos no campeonato brasileiro. A vitória foi a terceira de Levir Culpi nessa passagem pelo clube atleticano. A terceira de forma consecutiva. Após atuações muito fracas nos primeiros jogos de Levir, o Atlético melhorou o seu desempenho nos dois últimos jogos. Nas vitórias diante de Bahia e Internacional, respectivamente. Levir veio com a missão de classificar o time para a pré-libertadores do ano que vem. Mantendo a equipe no 6° lugar do campeonato. Posição que se via ameaçada quando a equipe era comandada por Thiago Larghi, que acumulou más atuações que implicaram na interrupção do trabalho.

Como no Brasil, os clubes não levam muito em consideração a filosofia de jogo do treinador no momento da contratação, os trabalhos não têm continuidade e acabam sendo interrompidos. Cabe aos jogadores se adaptarem ao novo estilo de jogo do treinador e sua nova forma de jogar. E com uma forma de jogar quase sempre completamente diferente a forma de jogar do técnico anterior. Como foi o caso do Atlético. Levir por já conhecer muito bem o clube, foi contratado para arrumar a casa. O treinador que já foi vitorioso pelo clube, conquistando uma Copa do Brasil, possui um perfil diferente de Larghi. Possui mais experiência no futebol do que seu antecessor.

Além da experiência em gerir equipes, Levir possui uma filosofia de jogo diferente da de Larghi, como já foi dito anteriormente. Se com Larghi, a equipe privilegiava a manutenção da posse de bola, a construção de jogo através de passes curtos desde a defesa, com Levir, o Atlético é mais vertical quando tem a posse. Privilegia o jogo direto, sem trocar muitos passes para finalizar no gol adversário. Essa mudança no momento ofensivo, não teve resultado positivo nos primeiros jogos. Contra o Grêmio, por exemplo, o Atlético fez um jogo muito ruim. Encontrando muita dificuldade para furar a defesa adversária.

bb futFrame retrata bem o que foi a derrota para o Grêmio: falta de opção de passe ao portador da bola (Fábio Santos). Os jogadores não procuravam mais se aproximar do companheiro e triangular, mas sim atacar o espaço. O resultado foi chuveirinho para a área adversária: 37 cruzamentos da equipe na partida. (Premiere)

ESTILO “GALO DOIDO” DE JOGAR

Se com Larghi, o Atlético buscava criar chances de gol através das trocas de passes e triangulações pelos lados do campo, Levir prefere um jogo mais vertical, menos baseado na troca de passes e mais no ataque rápido. Com mais intensidade, velocidade e mais verticalidade quando o time tem a posse. É o estilo “Galo Doido”. Por esse motivo, o time se sente melhor quando tem espaço para jogar. É possível notar que o time alvinegro procura acelerar o jogo no momento em que recupera a bola. O gol da vitória sobre o Internacional marcado por Cazares ilustra bem isso. Após recuperar a bola, o Atlético acelera e encaixa contragolpe muito bem executado pelo jogador.

Cazares agora joga mais próximo do gol. No momento defensivo, o meia não forma mais uma trinca no meio-campo. Fica mais a frente para poder se desmarcar e ocupar os espaços na defesa adversária, sendo fundamental nesse momento em que a equipe recupera a bola e procura acelerar o jogo.

bb futNa imagem acima, note como no momento defensivo do time, Cazares se posiciona a frente da segunda linha de marcação.

Até pela necessidade dos resultados positivos, Levir Culpi disse em coletivas e seu time demonstra em campo que a prioridade é conseguir os resultados nessa reta final de campeonato. Elias falou sobre isso ao final da vitória contra o Paraná: “Não vamos dar show”. Com Levir no comando, o time não se preocupa com o desempenho, mas com os três pontos. Afinal o técnico foi contratado para isso em uma temporada conturbada de altos e baixos.

E QUANDO O ATLÉTICO ENFRENTA EQUIPES COM MAIS SOLIDEZ DEFENSIVA?

A grande dificuldade do Atlético nesse jogo mais vertical é quando enfrenta equipes recuadas, que adotam a estratégia de se defender em seu campo de defesa, tirando o espaço da equipe alvinegra. Nesse cenário, Cazares tem papel fundamental. É antítese do resto do time, recuando para se aproximar dos volantes, receber a bola e distribuir o jogo. É através de sua qualidade de passe que Levir aposta para criar chances de gol.

bb futMapa de toques na bola de Cazares na vitória contra o Bahia, onde a equipe teve uma ótima atuação. E soube defender bem para administrar a vitória. Via: WhoScored

A torcida atleticana sabe da qualidade técnica que Cazares possui. Porém, o que falta ao gringo é regularidade. Levir procura tirar o melhor dele, dando-o mais protagonismo no momento ofensivo da equipe. Justamente por isso, adiantou seu posicionamento para jogar como legítimo camisa 10 e ser o principal jogador de ataque da equipe. Na vitória sobre o Bahia, o camisa 10 jogou muito bem. Finalizando 5 vezes, dando 5 passes certos para o último terço e duas assistências para finalização.

bb futContra o Inter, Cazares também atuou muito bem. Recuando para buscar o jogo e sendo fundamental na construção do jogo atleticano. Mapa de toques de Cazares, via: WhoScored.

CHARÁ

Outro gringo que atuou muito bem nas duas últimas vitórias foi Chará. Com Levir, os jogadores que atuam pelo lado do campo procuram se movimentar em direção ao meio, deixando o corredor para que os laterais ocupem. No momento ofensivo, Chará sai do lado e direção ao meio, fazendo a diagonal e se aproximando do centroavante Ricardo Oliveira. Com Larghi, ele costumava atuar sempre pelo lado esquerdo, com Levir ele costuma variar o lado, trocando de posicionamento com Luan.

UM NOVO ELIAS?

O volante Elias também ganha mais protagonismo com o novo comandante. Por ter como ponto forte a infiltração, Elias pode ser muito bem aproveitado, uma vez que Levir acredita que no momento ofensivo, os jogadores devam atacar os espaços para assim finalizar no gol adversário com mais verticalidade e eficácia. Anteriormente, Elias possuía dificuldade na criação ofensiva. Agora com o novo comandante, o jogador deve ter mais sucesso. Tendo menos responsabilidade na construção ofensiva, mas sim na criação de oportunidades. Infiltrando nos espaços e se apresentando para finalizar.

Na vitória sobre o Bahia, Elias desarmou 5 vezes, deu 14 passes certos para frente, sendo 5 para o último terço do campo.

EXPECTATIVA PARA AS ÚLTIMAS RODADAS

A expectativa da nova passagem de Levir Culpi pelo Atlético é de um time que não se esforçará para jogar bonito e dar show, mas sim em conseguir o resultado e terminar o Brasileirão no G6. Atacando de forma mais vertical, ficando menos tempo com a bola e atuando de forma mais cautelosa contra equipes de maior investimento. Procurando se defender bem para depois acelerar e contragolpear após retomar a bola.

@magalhaesDavi_

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