Alívio e frustração

Por Ricardo Leite e Pedro Galante

Vasco e São Paulo se enfrentaram na noite dessa quinta-feira (22) em São Januário. O cruzmaltino querendo fugir do rebaixamento e o tricolor lutando pela vaga direta na Libertadores.

O Vasco contou com alguns retornos importantes, como Werley e Luis Gustavo no sistema defensivo e Maxi Lopez, principal estrela da equipe, no ataque. Desábato e Kelvin foram mantidos na equipe titular. Pela expulsão na última partida, Valentim acompanhou o jogo da sala da presidência. À beira do campo ficou seu auxiliar, Fernando Miranda.

Pelo lado tricolor, Jardine não pôde contar Diego Souza, lesionado, e Bruno Alves, suspenso. Entraram nas vagas deixadas Trellez e Rodrigo Caio, respectivamente. Além disso Helinho foi o ponta direita ao invés de Shaylon.

Desde o princípio ficou perceptível que o Vasco seria empurrado pela atmosfera de seu estádio na luta pelos três pontos. O Vasco buscava marcar em zona, como o habitual, mas exercia uma pressão maior no portador da bola. Por isso, o São Paulo apresentava muita dificuldade em sair jogando. O time de André Jardine não conseguia ter o domínio territorial apresentado nos últimos jogos e não conseguia acumular jogadores no campo de ataque.

O Vasco alternava delicadamente sua forma de marcar, passando do 4-1-4-1, para o 4-4-2 e chegando até 5-4-1, quando Pikachu ou Kelvin recuavam para compor a primeira linha de marcação.

 

Isso vem demonstrando uma assimilação maior das estratégias, por parte dos jogadores. É um movimento que tem se tornado natural, e varia de acordo com local da bola ou distribuição do adversário. A equipe cruzmaltina, consegue designar pelo menos três jogadores para cada lado para realizar a marcação (Andrey, Pikachu e Luis Gustavo pela direita e Desábato, Kelvin e Henrique pela esquerda). Impedindo dessa forma que o adversário crie superioridade numérica.

2.png1.pngA circulação de bola do São Paulo era muito ruim. Jucilei e Hudson estavam muito abaixo e Nenê não oferecia apoio a seus companheiros. Não à toa, o tricolor paulista não deu um chute no gol sequer ao longo de toda primeira etapa. No entanto, não sofria com os contra-ataques, fazia a transição rápida e organizada.

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Dupla de volantes com dificuldade e Nenê “escondido.” (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Aos 17 minutos, Jucilei errou ao sair jogando e Andrey marcou para o Vasco. O resto do primeiro tempo foi de um São Paulo que tentava, mas não conseguia se organizar, e consequentemente criar, de jeito nenhum. O Vasco por sua vez, conseguiu criar contra ataques promissores, mas que acabaram não terminando em grandes chances, pelos erros na tomada da última decisão, e também pela qualidade dos defensores tricolores. A transição ofensiva do Gigante da Colina, acontece com (normalmente) Andrey iniciando, Maxi saindo da área, puxando a marcação até o meio campo, Galhardo atacando, dando profundidade, e Kelvin sendo a principal opção de velocidade pela esquerda (às vezes pela direita quando inverte com Pikachu).

Mesmo com a dupla de volantes não conseguindo ser efetivos na transição, Nenê sem aproximar e Trellez nulo ao longo de todo primeiro tempo, Jardine voltou para a segunda etapa sem alterações.

O time passou a ter mais domínio territorial, muito porque o Vasco diminuiu a intensidade, mas continuava com a mesma dificuldade de produzir algo com a bola. Aos 18 minutos, Shaylon entrou no lugar de Hudson. A ideia era inverter o tripé e jogar com dois meias, buscando aproveitar a entrelinha. Apesar do espaço que o Vasco dava na entrada da área, e da dificuldade em acabar com esse espaço entre zagueiros e volantes, a mudança não funcionou, pois Nenê insistia em se “esconder” na ponta esquerda e Shaylon teve atuação discreta.

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Mais uma vez, o time precisa sair com a bola e Nenê se distancia ao invés de se aproximar. (Foto: Instat/ Pedro Galante) 

Aos 27, Jardine tentou mais uma vez, substituindo o apagadíssimo e limitadíssimo Trellez, pelo não tão melhor Pedro Bortoluzzo. O time continuou com o centroavante nulo. Diego Souza fez muita falta. Por fim, aos 37, Helinho deu lugar a Antony, um ponta por outro, sem muito efeito prático. Estranho, uma vez que havia à disposição Liziero, um meio campista que poderia agregar muita àquela altura.

Mais uma vez, o Vasco abaixa suas linhas, recua a equipe e chama o adversário para seu campo após abrir o placar. Apesar do tricolor ter criado apenas uma grande chance, o Vasco abdicou de jogar, perdeu o controle do meio e também o poder de reação. Vale destacar positivamente as partidas do goleiro Fernando Miguel e do zagueiro/lateral Luis Gustavo, que foram determinantes para a vitória. A dupla de zagueiros também mais uma vez se mostrou entrosada e eficiente.

E no retorno de Maxi Lopez, não poderia faltar o brilho do argentino. E ele deixou para o último minuto. Naquilo que é talvez sua maior qualidade, o pivô. Ele sai da área, se aproxima de Pikachu, e com um toque simples de primeira quebra a marcação tricolor. É válido analisar que a aproximação entre os homens de frente permitem mais jogadas como essa, com pivô, triangulação e infiltração.

No final das contas, é uma derrota péssima para o São Paulo. Não só pela questão do resultado, do time não ter entrado no G4, mas também pelo desempenho horroroso, que certamente impacta na visão da torcida e da diretoria quanto à Jardine.

Para o Vasco, a vitória era obrigação e dá um suspiro ao clube na briga contra o rebaixamento.

(Foto destaque: Magalhães Jr.)

@analisevasco e Pedro17Galante

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