Testes interessantes em mais um jogo sonolento – ANÁLISE TÁTICA BRASIL 1 x 0 CAMARÕES

Por Pedro Galante e João Victor Cardoso

Brasil e Camarões se enfrentaram em mais um amistoso da data FIFA. Essa que foi a última aparição da seleção no ano. A CBF já expressou o desejo de, para o ano que vem, buscar enfrentar equipes europeias e de mais nível competitivo, mas ainda não há nada confirmado. Enquanto isso, vamos entender o que se passou nesse amistoso.

Brasil

Brasil começou mais uma vez sonolento. Firme em sua ideia de utilizar um jogo posicional, Tite busca moderar a tendência de atletas como Arthur a se deslocar até aonde a bola está, levando, na verdade, a bola até os jogadores. No jogo foi possível perceber essa movimentação, principalmente no primeiro tempo. Com Arthur fixado de 1º volante, o Brasil teve algumas dificuldades de criação, ocasionado também pela ótima vigilância exercida por Choupo-Moting no volante do Barcelona. Assim, cabia a jogadores como Danilo e Alex Sandro (que estavam atuando mais na base das jogadas, também pelo fato de Arthur estar muito bem marcado, mas principalmente pelo ataque posicional que preza por ter os pontas abertos e os laterais por dentro e vice-versa) a criar as jogadas em associações pobres com Allan e Paulinho, que são muito melhores movimentando-se em velocidade. De argumentos ofensivos o Brasil só oferecia aceitáveis jogadas individuais de Richarlison, afinal Firmino errou muito enquanto esteve em campo e William pouco acrescenta quando não pode flutuar por dentro. Vale lembrar que Neymar deixou o campo logo aos sete minutos, sentindo dores na virilha.

china fcBrasil no ataque. Laterais atacando por dentro, pontas dando amplitude e Firmino flutuando. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

É legal destacar também a pressão brasileira na saída de bola adversária. Por vezes um dos meias centrais se juntava a Firmino para cortar linhas de passe. Arthur cobria o espaço deixado, configurando assim um 4-4-2.

china fcPressão na saída de bola adversária, perceba com Paulinho “larga” sua posição para ajudar Firmino. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

No segundo tempo esse modelo posicional mudou um pouco de figura. Tite promoveu a entrada de Gabriel Jesus e isso deu vida nova ao ataque da seleção. O jogador do City, somado às movimentações de Richarlison e William, lembrou um pouco do ataque brasileiro nas eliminatórias, aonde não havia tanta tendência ao jogo de posição. Com isso houve uma melhora da seleção brasileira, mesmo que tímida ainda se comparada ao potencial do elenco. Com mais liberdade no ataque, causaram estragos à frágil defesa camaronesa. Acabaram esbarrando na trave, em tomadas de decisão equivocadas e um pouco de precipitação no terço final, só por isso não saíram mais gols. Com isso, Camarões teve mais espaço para contra-atacar. Assim, avultou-se a figura de Marquinhos na defesa brasileira conseguindo marcar bem Bahoken e Toko Ekambi (quando estava próximo, pois Ekambi flutuou bastante). Como destaque individual brazuca, podemos falar de Allan. Mesmo um tanto abaixo de suas partidas recentes pelo Napoli, foi muito bem oferecendo desmarques de apoio na entrelinha, trabalhando na base da jogada e, no 2º tempo, jogando muito com Danilo e William/Douglas Costa. Entrou no time para não sair mais.

china fcAllan foi muito importante aparecendo na entrelinha, assim Firmino podia se movimentar livremente. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Em suma, foi um jogo de autoconhecimento, afinal muitos dos jogadores nunca tinham atuado juntos e só houve um treino conjunto, e de reflexão para Adenor, pois agora ele deverá repensar sua ideia de ataque posicional. Primar pela posse para controlar o caos, ou pelos desequilíbrios individuais para gerar o caos? Dúvidas que só o ano que vem nos responderá

Camarões

Clarence Seedorf tem ideias de jogo interessantes. Buscava manter a equipe com uma saída de bola limpa desde a defesa, com Onana se destacando com seu jogo de pés. Além disso tinha boas transições pelos lados, comandadas pelos laterais Fuchs e Bong. Com dois meias muito intensos e fortes, como Kunde e Djoum, para fazer a ligação entre os setores, Seedorf soube aproveitar alguns espaços nas alas e atacar com Toko Ekambi flutuando muito.

Em seu 4-4-2 em formato de losango, Camarões prezou pelo contra-ataque, tanto que teve somente 39% de posse de bola. Marcando um tanto passivamente e deixando o Brasil dominar o jogo, conseguiu levar perigo ao gol defendido por Ederson principalmente no 2º tempo. Quando Ekambi conseguia conduzir em velocidade e atacar os espaços, sempre lançado por Choupo-Moting, era necessária a intervenção cirúrgica de nossos defensores para que não resultassem em lances de perigo maiores à meta brasileira.

china fcChoupo-Moting com a posse e os atacantes em progressão. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Como destaque camaronês, cita-se Onana, goleiro do Ajax. Sabendo sair jogar com qualidade e confiança e, somado a isso, ótimas defesas no primeiro tempo. Além dele, também pode-se falar de seu primo, o goleiro reserva Ondoa. Ao entrar, foi obrigado a fazer boas intervenções para salvar Camarões de outros gols.

32.pngSaída de bola camaronesa, sempre com intervenção do goleiro. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Pode-se afirmar que ainda é uma equipe em construção, explicada, por exemplo, pela alta rotatividade do elenco. Porém, a ideia de jogo já está bem clara: bola no chão e velocidade para que os atacantes possam contragolpear com espaço. Momento de trabalho para Seedorf.

Foto destaque: Glyn KIRK / AFP

@Pedro17Galante e @jvcardoso05

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s