Quem tem a melhor estratégia? – ANÁLISE TÁTICA SPORT 0 x 1 FLAMENGO

Por João Pedro Pereira e Felipe Henry

Vindo de 5 partidas de invencibilidade, o Sport foi derrotado pelo Flamengo na Ilha do Retiro, no último domingo por 1-0 com gol de cabeça de William Arão. Com isso, o Sport voltou a ocupar a 16ª posição na tabela, enquanto o Flamengo voltou à vice-liderança da competição e ainda sonha com o título, há 3 rodadas para o final do campeonato.

SPORT

Desde os minutos iniciais, o Sport demonstrou algumas variações táticas que não vinha mostrando nas últimas partidas, principalmente na fase defensiva. Ao contrário do costumeiro 4-4-2 com bloco baixo, a equipe se organizou defensivamente em um 4-3-3 (com Gabriel na trinca do meio campo e Michel na ponta direita da trinca ofensiva) fazendo pressão em bloco alto (até 6 homens no campo adversário) na saída de bola do Flamengo, algo que deu muito certo no começo por recuperar algumas bolas já no campo de ataque e forçar o time carioca a utilizar a ligação direta.

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É necessário alertar que mais uma vez Milton Mendes utiliza da marcação individual de Marcão no meia de ligação (Paquetá) do adversário, assim como fez contra Camilo (Inter), Raphael Veiga (CAP), Douglas (Grêmio) e Marcos Jr (Fluminense).

Na fase ofensiva, o Sport buscou atacar no 4-2-3-1, onde Gabriel iniciou como meia e Michel como ponta, buscando cortar para dentro e abrir o corredor para os avanços do ofensivo lateral direito Leonino, Cláudio Winck. Durante o decorrer da etapa inicial, Gabriel e Michel variaram de posição, mas com Michel por dentro, ao invés de um meia de ligação, a equipe contava mais com um segundo atacante, já que Michel ficou bastante dentro da área esperando cruzamentos ao lado de HernaneBrocador. Porém, todos os cruzamentos foram ineficientes visto que os zagueiros flamenguistas possuíam grande vantagem física e no cabeceio, cortando todas as jogadas que buscavam a área.

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Assim, com pouquíssima criatividade e jogadas associativas, o Sport quase não ofereceu perigo ao Flamengo durante toda a partida.

O segundo tempo não começou diferente, mas aos 15 minutos, com a expulsão de Paquetá, Milton Mendes resolveu ousar: tirou Marcão, que dava certa segurança defensiva à equipe e colocou em campo Fellipe Bastos, apostando na sua finalização e numa utopia de melhor saída e circulação da bola no meio campo e em seguida sacando Hernane para a entrada de Marlone, transformando Michel no centroavante da equipe. Com isso, o Sport perdeu intensidade e acabou dando campo à equipe carioca, que gostou do jogo e passou a chegar com mais perigo acertando uma bola na trave com Berrío e chegando ao gol em uma bola parada.

Bola parada defensiva – defendendo escanteios

Durante a partida o Sport utilizou uma marcação individual nos escanteios. Cada jogador do flamengo era marcado lado-a-lado por um do Sport, além disso, 2 atletas eram responsáveis por proteger a primeira trave e mais 2 marcavam o rebote, na entrada da área. Em várias oportunidades o Flamengo buscou criar espaços com a movimentação intensa dos seus cabeceadores, outro fato que chamou a atenção era o posicionamento do autor do gol, William Arão, sempre “escondido” atrás de Réver que acabava atraindo e atrapalhando a marcação, quase como um bloqueador para Arão aparecer como homem surpresa. Foi assim que chegaram ao gol.

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1ª jogada neste desenho: 17’ do 1º tempo cabeceio de Arão falha.

2ª jogada: Arão mais uma vez posicionado atrás de Réver (bloqueador). A bola é cortada e volta pra Vitinho, que tenta encontrar Arão livre após toda a movimentação, mas cruza forte demais.

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3ª jogada, o gol: dessa vez Réver (bloqueador) precisou ficar atrás de William Arão, para poder afastar Jair (marcador de Arão) da disputa pela bola. Além disso, Réver ainda conseguiu empurrar Jair para o caminho de Maílson, atrapalhando o caminho do goleiro que tentava sair para corrigir os erros da marcação. Marlone e Matheus Peixoto, que entraram durante o segundo tempo, ficaram parados observando a bola entrar na área, ao invés de tentarem antecipá-la para fazer o corte.

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Foi assim que o time comandado por Dorival Júnior plantou uma jogada durante toda a partida, para no final dela, colher o resultado marcando o gol e saindo com a vitória. Podemos dizer que Dorival saiu vencedor da batalha de estratégias entre os técnicos.

FLAMENGO

O Flamengo iniciou a partida com um ritmo mais cadenciado e com transição mais lenta, armado no 4-2-3-1 que tinha Geuvânio no lugar do desgastado Everton Ribeiro pela direita, Lucas Paquetá centralizado no trio de criação e com Henrique Dourado, artilheiro da equipe na temporada, novamente como centroavante. Além disso, Dorival precisou improvisar Léo Duarte como lateral-direito (Pará e Rodinei suspensos) e promovendo Rhodolfo, que sofreu muito com lesões em 2018, para formar a dupla de zaga com o capitão Réver.

No 1T, mesmo com o desafio de superar uma marcação alta e sem saída de qualidade pelo lado direito e com Paquetá sem nenhuma intensidade na região central, principalmente perdendo a grande maioria dos duelos disputados, restou ao Flamengo atacar pelo lado esquerdo e até contou com boas apresentação de Renê e Vitinho, principalmente pela capacidade de conseguir entrar na área e finalizar, como em dois lances em que pararam no goleiro Maílson.

china fcNessa imagem, podemos ver a infiltração de Vitinho pela esquerda após passe de Renê, que deu amplitude na linha de fundo. Foto/Divulgação: Premiere.

Após uma partida bem fora da curva com apenas 40% de posse e com investidas em contra-ataques, o Flamengo ainda teria Lucas Paquetá expulso aos 16’/2T em lance que cometeu a falta para parar a descida em velocidade do Sport que iniciou após uma equivocada decisão de Geuvânio na entrada da área. Somente aos 23’, após as entradas de Everton Ribeiro e Orlando Berrío nos lugares de Dourado e Geuvânio, o Fla conseguiu se impor na partida, mesmo sem um jogo muito mais reativo do que propositivo, explorando a velocidade do colombiano pelos flancos.

Com as mudanças e um homem a menos, Dorival armou a equipe em um 4-2-3, com ER7 na direita, Vitinho centralizado e Berrío pela esquerda, mas com nenhum dos três homens mais ofensivos guardando posição nos contra-ataques, como no cruzamento de Ribeiro que Berrío cabeceou na trave. O gol saiu em cobrança de escanteio de Vitinho que Willian Arão aproveitou a saída ruim do goleiro Maílson para fazer o gol da vitória de cabeça.

O Flamengo não jogou bem, não conseguiu realizar um jogo propositivo com um setor ofensivo extremamente prejudicado pelas fracas atuações de Geuvânio e Lucas Paquetá e por vezes sofreu para escapar da marcação pernambucana, mas conseguiu sair com a vitória. Pelo menos foi legal ver esse time fazer algo que a torcida tanto pediu essa temporada: Lutar até o fim.

Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

@Lipe_Henry e Joao_PPereira

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