Ponto a ponto pelo G-4 – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 1 x 0 CRUZEIRO

Por Pedro Galante

Na disputa pela última vaga direta para a fase de grupos da Libertadores, o São Paulo recebeu o Cruzeiro já “de férias, ” no Morumbi.

Essa foi a segunda partida de André Jardine no comando técnico. Em relação a última partida contra o Grêmio, houveram apenas duas alterações na escalação: Trellez deu lugar a Diego Souza, recuperado de lesão e Shaylon substituiu Helinho pela ponta direita.

Jardine tem tentado modificar o comportamento do time, o jovem técnico prefere que seus times se imponham através do domínio da posse de bola e da ocupação do espaço. Mais uma vez, é preciso reforçar que o time ainda não apresenta as ideias de Jardine. Não há nenhum mecanismo treinado, assimilado e inserido. O que se pode ver por ora é apenas a intenção.

O time conseguiu cumprir com o que Jardine queria. Teve domínio sobre a bola e o espaço. A criação passou muito pelos pés da dupla de zaga – que foi muito bem, principalmente Arboleda. A dinâmica dos laterais e pontas se manteve parecida. Pela esquerda, Reinaldo atacava por dentro e Everton dava amplitude. Pela direita, Bruno Peres e Shaylon variavam bastante, ao contrário do que se viu contra o Grêmio, dessa vez o lateral apoiou mais por dentro e o ponta ficava mais aberto, mas fazia muitas vezes o movimento de cortar para o meio.

china fcPerceba a dinâmica dos pontas e laterais e o como o São Paulo ocupa o campo de ataque. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

A circulação de bola fluía bem entre os zagueiros e nos lados do campo, mas quando chegava no setor dos volantes cruzeirenses, a criação tricolor ficava travada. Ainda falta melhorar a circulação entrelinhas, e aqui Nenê é muito importante. Por vezes, o camisa 10 se afasta dos companheiros com a bola, quando sua função é de se aproximar e dar opção de passe.

Um outro ponto destacável, foram as tentativas de usar o movimento de pivô com Diego Souza, tipo de jogada que não funcionou com Trellez na última partida.

O tricolor chegou ao gol aos 31 minutos. Nenê cobrou escanteio, Arboleda cabeceou, Diego matou no peito e deu um lindo voleio para marcar.

A transição defensiva funcionou muito bem, mesmo jogando sempre no ataque, deixando a zaga exposta e com muito campo para defender e o Cruzeiro tendo o contra-ataque como sua principal arma, nenhum contra-ataque resultou em finalização que fosse defendida por Jean.

Os mesmos onze jogadores voltaram do vestiário para o segundo tempo. A primeira mexida aconteceu aos 20 minutos, quando Shaylon deu a vaga para Brenner. O São Paulo já não conseguia imprimir a velocidade da primeira etapa e apenas controlava o resultado, se defendendo bem, com duas linhas de quatro mais Nenê e Diego a frente. A pressão ainda é pouco intensa, apenas de diminuição do espaço.

Aos 22, Reinaldo saiu machucado, Edimar o substituiu. Mano Menezes tentou colocar um calor no jogo com as entradas de Sassá e Sobis, mas pouco acrescentaram. Próximo aos 35, Araruna entrou no lugar de Hudson.

Foi um resultado importante para continuar na disputa ponto a ponto com o Grêmio pela quarta posição. Em questão de desempenho, foi satisfatório, o time já jogou mais alinhado ao que Jardine quer, mas isso é só uma pequena parte. Jardine pode dar uma identidade propositiva a esse time, com tempo e os reforços necessários.

@Pedro17Galante

Anúncios

Deixe uma resposta